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Aracaju (SE), 29 de maio de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 29/05/2026 às 10:57
Pub.: 29 de maio de 2026

A igreja resiste :: Por José Lima Santana

José Lima Santana*

José Lima Santana (Imagem: Arquivo Pessoal/José Lima Santana)

A Igreja Católica vem sendo atormentada por inúmeras manifestações advindas de vários segmentos da própria Igreja, ou de segmentos que se fazem passar por católicos, mas que não têm nada a ver com o Evangelho de Jesus Cristo. São segmentos leigos que se autoproclamam “católicos tradicionalistas”. São, na verdade, separatistas disfarçados, ou nem tanto, que rejeitam o primado de Pedro, onde ele está assentado, nesses dois milênios e pouco.

Essas pessoas são aberrações da fé. Cresceram no exato momento em que cresceram, em contrapartida, os segmentos evangélicos neopentecostais, fundamentalistas, que se alicerçam nas teologias da prosperidade e do domínio. Os tais “católicos”, muitos deles são egressos de algumas dessas denominações evangélicas, que, outrora, foram “católicos” de IBGE. Retornaram “reformados” para pior. Muito pior. Atacam líderes religiosos, padres e bispos, que se dedicam à Doutrina Social da Igreja - DSI, que foi inaugurada pelo Papa Leão XIII, com a publicação da encíclica Rerum Novarum (Das Coisas Novas), em 1891. 

A Doutrina Social da Igreja, pois, não é nova. E está assentada nos Evangelhos, na Palavra que nos foi dirigida pelo Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Esses tresloucados não sabem o que é a DSI. Não a compreendem. Não a querem. Logo, ao rejeitar o que a Igreja prega, com sólida base evangélica, rejeitam a Igreja, em nome de uma tal “Igreja tradicional”. Ora, burrice, idiotice desmedida! A Igreja é uma só. Quem não a aceita, não a aceita. Pronto. Que vá buscar outro caminho. Todo mundo é livre para querer e decidir. Não fique aporrinhando quem trabalha para a edificação do Reino.

Há, também, e têm crescido muito, as chamadas “novas comunidades”, com seus “carismas”, suas significações etc. Algumas, porém, assustam, apesar de receberem o beneplácito de clérigos, padres e bispos. Ora, por vezes, algumas dessas “novas comunidades” são forjadas sabe Deus em qual parâmetro bíblico. E seduzem as pessoas, com seus retiros e acampamentos, por vezes, duvidosos. Chegou a hora de a Igreja repensar sobre algumas dessas “novas comunidades”, onde “coisas” acontecem por debaixo dos panos. E debaixo dos panos, há grandes escorregos. 

É pouco? Tem mais. Clérigos, padres e bispos, têm deixado a desejar, nas práticas pastorais, em qualquer lugar, nas mais diversas Dioceses e Paróquias. Há uma onda de conservadorismo insano. Conservar é preciso, o que deve ser conservado à luz da fé e da Palavra. Todavia, o conservadorismo insano é o que se traveste de “piedosas manifestações” religiosas, que, na verdade, e nalguns casos, beiram à hipocrisia farisaica do tempo de Jesus. 

Aqui ou ali, há, igualmente, clérigos desvairados, que têm perdido a cabeça numa agitada atividade política, nos púlpitos, defendendo ou combatendo líderes ou mitos políticos. O Presbitério pertence a Jesus. E o púlpito está no Presbitério. Evidentemente, anunciar o Evangelho, em toda a sua dimensão teológica, implica dar vasão ao respeito que se deve ter à dignidade da pessoa humana. Lutar por uma vida digna para todos é, sim, dever dos seguidores de Jesus. Isso é atender ao que está escrito nos Evangelhos, ao que dispõe a DSI. Fora disso, à direita ou à esquerda, é falácia. 

E sem falar nos desmantelos que vêm ocorrendo, com clérigos não suportando o peso de sua missão e, por isso, ceifando suas vidas. Já se contam dezenas de suicídios de padres no Brasil, nos últimos tempos.  Há uma imposição de carga administrativa que suga os clérigos. Padres são, por vezes, funcionários de escrivaninha. Não há quem aguente. Cobranças, cobranças, cobranças. Muitos estão adoecendo. Porém, alguns adoecem, mas se negam a receber ajuda. Vêm os subterfúgios. É complicado. Outros erram, na gestão paroquial, e não querem ser cobrados. Por outro lado, bispos afastam-se dos padres e estes também se afastam dos bispos. Terrível tudo isso. 

Tem mais: o que dizer dos deslizes gravíssimos em que alguns clérigos têm caído, manchando suas vidas e deformando outras vidas? Há situações acobertadas em nome de uma “caridade amorfa”. Ajudar a reerguer-se, quando for o caso, sim. Colocar sujeira debaixo do tapete, não. 

Um padre famoso, artista, disse, recentemente, que há pessoas diabólicas na Igreja, inclusive vestindo paramentos, para esconder suas neuroses. Santo Deus!

Há dois mil e alguns anos, situações graves têm acontecido. Há dois mil e alguns anos, a Igreja resiste. Há dois mil e alguns anos, a Luz do Espírito Santo ilumina a Igreja que sofre, mas que anuncia o Evangelho com a firmeza que deve vir de Jesus através do Primado de Pedro. Aleluia!

*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.

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