FLUTUANTE Clube de Aventureiros - 900 x 450
Aracaju (SE), 05 de fevereiro de 2026
POR: Laís Marques
Fonte: Ascom Unit
Em: 05/02/2026 às 09:04
Pub.: 05 de fevereiro de 2026

Livro analisa assédio sexual na Polícia Militar e propõe mudanças institucionais

Publicação nasce de pesquisa em Direitos Humanos desenvolvida na Universidade Tiradentes

Livro analisa assédio sexual na Polícia Militar e propõe mudanças institucionais - Foto: Ascom Unit

Permeado por relações de poder, silêncio institucional e temor de retaliações, o assédio sexual em ambientes profissionais hierarquizados continua sendo uma das violações de direitos humanos mais subnotificadas no Brasil. No contexto das forças de segurança, onde a disciplina e a cadeia de comando estruturam a rotina de trabalho, essa realidade se mostra ainda mais complexa, exigindo respostas que vão além do campo punitivo e contemplem prevenção, educação e transformação cultural.

É nesse cenário que se insere o livro “Desvendando o silêncio: estratégias e normas para o combate ao assédio sexual na Polícia Militar”, baseado na dissertação de mestrado de Iris Lessy Santos Gomes, egressa do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes (Unit) e Tenente-Coronel da Polícia Militar de Sergipe (PMSE). Ao converter sua pesquisa acadêmica em obra voltada a um público mais amplo, Iris propõe não apenas analisar o problema, mas apresentar caminhos institucionais concretos para enfrentá-lo.

Silêncio estruturado

No livro, o assédio sexual é tratado como um fenômeno que ultrapassa comportamentos individuais, sendo sustentado por uma engrenagem institucional e cultural que o mantém invisível. “O objetivo central da obra foi construir uma abordagem ampla, capaz de integrar aspectos jurídicos às políticas de prevenção e fortalecimento do combate à prática. A escolha pelo recorte militar ocorreu porque a hierarquia, elemento essencial do militarismo, também se faz presente em outros contextos em que o assédio se manifesta com maior frequência, seja no setor público ou privado”, explica.

A motivação para estudar especificamente a Polícia Militar decorreu da experiência profissional da autora. Durante o período em que atuou na Corregedoria Geral, Iris identificou lacunas no atendimento a mulheres policiais militares envolvidas em procedimentos administrativos disciplinares. “A ausência de protocolos sensíveis às questões de gênero e a falta de direcionamento específico para os responsáveis por esses processos evidenciaram a necessidade de um material que orientasse a atuação institucional diante de casos de assédio”, recorda.

O “silêncio” a que o título do livro se refere, segundo a autora, funciona de forma sistêmica. “De um lado, há a percepção do agressor, que tende a naturalizar o assédio e negar a violência de gênero. De outro, vítimas e testemunhas lidam com o medo de retaliações, isolamento profissional e descrédito institucional. Essa combinação gera um ambiente em que a violência se mantém sem registros formais, reforçando a subnotificação”, compartilha.

Nesse contexto, a estrutura hierárquica atua como um fator agravante. Iris aponta que sentimentos de culpa e vergonha, aliados à dificuldade de reunir provas e à falta de informação, já representam barreiras consideráveis à denúncia. “Quando somados à possibilidade de intimidações futuras dentro da cadeia de comando, esses elementos fazem com que muitas vítimas optem pelo silêncio como estratégia de sobrevivência profissional”, acrescenta.

Assédio e cultura

A pesquisa mapeia as formas mais recorrentes de assédio sexual na Polícia Militar, categorizando-as em verbal, visual, física e virtual. Conforme Iris, o assédio virtual surge como o mais frequente, justamente por ocorrer em espaços que, à primeira vista, parecem distantes do ambiente formal de trabalho, mas que reproduzem as mesmas relações de poder e controle.

A autora contextualiza essas práticas como manifestações de uma violência de gênero inserida em um tecido sociocultural mais amplo, que extrapola os limites da instituição militar. “Portanto, o enfrentamento do assédio não pode se restringir à punição de casos isolados, mas demanda um trabalho educativo contínuo, capaz de questionar comportamentos naturalizados e redefinir limites nas relações profissionais”, orienta.

Entre os achados mais relevantes da pesquisa, Iris destacou a possibilidade de aprimorar o atendimento às vítimas por meio da escuta ativa com perspectiva de gênero. “Essa abordagem permite superar a rigidez dos procedimentos técnicos tradicionais, garantindo um cuidado mais humanizado e compatível com a complexidade das situações enfrentadas pelas mulheres que denunciam o assédio”, elenca.

Nesse sentido, o livro defende que humanizar o atendimento não compromete a disciplina institucional, mas reforça a credibilidade da corporação ao demonstrar compromisso com a proteção dos direitos humanos de seus integrantes. “A escuta qualificada passa a ser entendida como uma ferramenta estratégica para romper o ciclo do silenciamento e estimular a confiança nos canais institucionais”, acrescenta.

Caminhos institucionais

Além do diagnóstico, a obra dedica atenção significativa à proposição de normas e estratégias de enfrentamento. Iris afirma que, entre as medidas prioritárias, está a criação de uma Comissão Permanente na instituição, com atribuições que vão desde o acolhimento das vítimas até o monitoramento das ocorrências e a elaboração de diagnósticos sobre o assédio sexual na corporação.

“A proposta inclui ainda a recomendação de treinamentos contínuos, tanto para prevenção quanto para a qualificação dos profissionais responsáveis pela apuração dos casos. A ideia é institucionalizar práticas que atualmente dependem de iniciativas pontuais, garantindo continuidade e coerência às ações de enfrentamento”, ressalta.

Para a autora, o alcance do livro vai além do contexto militar. Ao oferecer diretrizes de atuação diante de uma violação considerada inaceitável, a obra contribui para o debate público sobre assédio sexual, promovendo conscientização, educação e desnaturalização de uma cultura que historicamente relativiza esse tipo de violência.

O percurso acadêmico no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da Unit foi determinante para aprofundar o estudo. Iris destacou o suporte da orientadora, professora Dra. Patrícia Verônica, como fundamental para consolidar a pesquisa e incentivar a publicação do livro. “A experiência reforçou o papel da produção acadêmica como instrumento capaz de gerar mudanças concretas na realidade social, especialmente na educação em gênero”, enfatiza.

Convicta da relevância do tema, a autora afirma que pretende dar continuidade às investigações, defendendo que construir ambientes de trabalho mais seguros e livres de discriminação exige pesquisa e reflexão constantes.

Para ter acesso ao ao livro basta comprar no site da editora ou por meio do número 79 9852-7327.


Notícias Indicadas

Iguá Sergipe prevê abertura de mais de 400 vagas de emprego em 2026 e lança canal oficial de empregos no estado

Ferreira Costa abre mais de 10 vagas de emprego em Aracaju

Prefeitura anuncia vasta programação para o Carnaval da Barra 2026

The Beatles Reimagined retorna aos palcos com espetáculo imersivo no Teatro Tobias Barreto

Clube de Aventureiros Estrelas Brilhantes: Mais de duas décadas de dedicação ao desenvolvimento infantil

Veja faixas e alíquotas das novas tabelas do Imposto de Renda 2026

Ana Carolina apresenta turnê "25 Anas” em abril, no Salles Multieventos

'Abba Experience In Concert' chega a Aracaju com novo show no Teatro Tobias Barreto

Fazer comunicação em um mundo em mutação :: Por Shirley Vidal

"Aracaju Tropical Run 2026” agita capital em corrida na praia

CONVITE: Lançamento do livro "Command Center, IA e outros Avanços Tecnológicos na Radiologia Médica"

Benito Di Paula em Aracaju com a turnê "Do Jeito que a Vida Quer"

Governo de Sergipe anuncia redução no preço da tarifa do gás natural canalizado

OAB/SE prorroga prazo de regularização para garantir descontos na anuidade 2026

Madereta de Lagarto apresenta programação da 12ª edição

Propriá realizará a maior Romaria e Festa de Bom Jesus dos Navegantes do estado

Boleto do IPTU pode ser impresso no Portal do Contribuinte

Prefeitura de Aracaju prorroga prazo da cota única do IPTU com desconto de 7,5% até 6 de fevereiro

Nona, Bruninho Top7, cortejos do Rasgadinho e Maysa Reis agitam o Jardins Folia 2026

5 alertas de que o sistema contábil da sua empresa ficou para trás

Falta de lei não impede redução de jornada de servidor com filha autista

Detran Sergipe moderniza CNH e exame prático passa a ser realizado sem baliza

Petrobras garante três décadas de produção em Sergipe Águas Profundas

Maior exposição de tubarões do Brasil chega a Aracaju

Entenda mudanças na aposentadoria em 2026

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação