"Uso da inteligência artificial nas campanhas pode representar risco para a legitimidade das próximas eleições", afirma advogado Acácio Souto
As eleições 2026 estão se aproximando e, com elas, a crescente influência da inteligência artificial, a famosa IA, nas campanhas políticas. A tecnologia, que já desempenha um papel crucial em diversas áreas, está moldando a forma como candidatos e partidos se comunicam com os eleitores, facilitando a personalização das mensagens, a análise de dados, mas também a criação de deep fakes, ou conteúdos falsos.
Presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SE, o advogado eleitoralista Acácio Souto chama atenção para a necessidade urgente de preparo jurídico da advocacia eleitoral atuante. “O que a advocacia precisa saber é que a IA também apresenta estruturas defensivas. O uso de hashes criptográficos e tecnologias que conseguem rastrear a origem e o histórico surge como medida vital para a autenticação. A advocacia eleitoralista atual, há algum tempo, passou a ser também um exercício de vigilância tecnológica em tempo real, onde o domínio da técnica processual deve estar aliado à compreensão da arquitetura das redes. A estabilidade das próximas eleições dependerá da junção da inovação e a preservação da "paridade de armas"”.
Com suas capacidades de análise e automação, a inteligência artificial pode tanto melhorar a eficiência das campanhas quanto representar riscos significativos, especialmente em termos de desinformação.
Nesse cenário, é crucial que tanto os legisladores quanto os cidadãos estejam cientes dessas dinâmicas para garantir que o uso da IA nas eleições promova a democracia e a transparência.
“O abuso do poder, materializado por fazendas de cliques e contas automatizadas, representa a maior ameaça à legitimidade das próximas eleições gerais. Dessa forma, o enfrentamento aos deep fakes requer celeridade na identificação desses conteúdos, porque o poder da manipulação de dados tanto nessa fase quanto na campanha se mostra de baixo custo e de alta influência na opinião pública”, enfatiza o dr. Acácio Souto.