Turismo de experiência ganha sabor sergipano com tradição internacional dos frutos do mar
Inspirada no tradicional seafood boil, muito popular no sul dos Estados Unidos, a proposta vai além da gastronomia convencional. A experiência envolve comer com as mãos, uso de luvas, mesa forrada, compartilhamento dos alimentos e uma forte ativação sensorial.
Você sabia que o turismo de experiência é uma tendência crescente no setor mundialmente? Em Aracaju é possível conhecer uma tradição internacional adaptada ao sabor sergipano. Esse é mais do que um prato diferente, o chamado saco de frutos do mar.
Inspirada no tradicional seafood boil, muito popular no sul dos Estados Unidos, a proposta vai além da gastronomia convencional. A experiência envolve comer com as mãos, uso de luvas, mesa forrada, compartilhamento dos alimentos e uma forte ativação sensorial — transformando a refeição em um momento de convivência, descontração e memória afetiva.
A turismóloga Ellen trouxe a experiência dos Estados Unidos A turismóloga Ellen trouxe a experiência dos Estados Unidos
A iniciativa foi trazida para Aracaju pela turismóloga Ellen Carvalho, que apostou na adaptação do ritual ao paladar nordestino e aos frutos do mar locais. “O turismo de experiência acontece quando o visitante não apenas consome um produto, mas vive uma história, participa do processo e cria uma memória. Essa proposta une cultura, gastronomia, convivência e identidade local”, explica Ellen, lembrando que achou interessante trazer essa experiência, pois cresceu ouvindo sua mãe dizer que comia com seus pais e irmãos, bolinhos de feijão com farinha feitos na mão e isso reunia a família que observava a matriarca fazer bolinhos para todos, um momento de união e convivência em família. “Hoje em dia nós vemos muito pouco, esses momentos em família ou amigos”, disse.
A experiência tem atraído tanto turistas quanto moradores locais. O empresário Edy Soares e a médica Emmanoela Andrade, que vieram de Petrolina (PE), conheceram a experiência após indicação nas redes sociais. “Nós ficamos sabendo através de uma afiliada nossa, que gosta muito do TikTok, e resolvemos vir”, contou Emmanuela, acrescentando que gostou muito da experiência. “Achei excelente. Vale muito a pena pegar com a mão e comer, eu gostei muito”, afirmou a médica. “É bem descontraído, relaxante, bem diferente e muito gostoso”, completou o empresário Edy Soares.
Identidade local e adaptação cultural
Mel Nunes: "Quebrar frutos do mar é algo que nós, sergipanos, já tiramos de letra" Mel Nunes: "Quebrar frutos do mar é algo que nós, sergipanos, já tiramos de letra"
Para a publicitária sergipana Mel Nunes, a experiência dialoga diretamente com a cultura local. “Quebrar frutos do mar é algo que nós, sergipanos, já tiramos de letra. Comemos caranguejo desde sempre. Adaptar isso para uma experiência como essa foi uma delícia”, comentou.
O jornalista Erick Ricarte também aprovou a proposta ao escolher o prato para uma confraternização entre amigos. “A diversidade de produtos dentro do saco surpreende. É uma experiência completa, que une comida boa, conversa e descontração”, destacou.
Além da vivência presencial, o saco de frutos do mar ganhou força no ambiente digital. Conteúdos mostrando o ritual, a forma de servir e a interação entre os participantes viralizaram nas redes sociais. Somente no Instagram do @passospelomundo_, os vídeos sobre a experiência já ultrapassam 110 mil visualizações, enquanto no TikTok somam mais de 65 mil visualizações até o momento da publicação desta matéria — números que reforçam o potencial da experiência como produto turístico e de marketing de destino.
Do sul dos Estados Unidos ao mundo: a origem do “saco de frutos do mar”
O prato conhecido como saco de frutos do mar, inspirado no tradicional seafood boil, tem origem no sul dos Estados Unidos e carrega uma forte herança cultural ligada à convivência comunitária, à partilha e à valorização do alimento como experiência coletiva.
O seafood boil surgiu a partir da mistura de diferentes povos e culturas que se encontraram na região sul dos EUA, especialmente nos estados da Louisiana, Carolina do Sul, Geórgia e Texas.
Entre os principais influenciadores dessa tradição estão:
• Povos indígenas norte-americanos, que já realizavam o cozimento coletivo de mariscos, milho e raízes em grandes panelas, como forma de celebração e partilha;
• Comunidades afro-americanas, especialmente descendentes de africanos escravizados, que incorporaram especiarias, pimentas e métodos de preparo intensos em sabor;
• Imigrantes europeus, sobretudo franceses e espanhóis, que contribuíram com técnicas de cozimento e organização das refeições coletivas.
O resultado foi um prato simples na forma, mas rico em significado: frutos do mar, legumes e temperos cozidos juntos e servidos de maneira informal, sem hierarquias à mesa.
Por que a comida é servida direto na mesa?
Um dos elementos mais marcantes da experiência é o fato de a comida ser despejada diretamente sobre a mesa, geralmente forrada com papel ou plástico, e consumida com as mãos.
Essa prática não é aleatória. Ela representa:
• Quebra de formalidades: todos comem juntos, sem pratos individuais;
• Igualdade entre os participantes: não há porções “melhores” ou “piores”;
• Espírito comunitário: o alimento é compartilhado, incentivando conversa e interação;
• Conexão sensorial: tocar, cheirar e quebrar os frutos do mar faz parte da experiência.
Mais do que comer, trata-se de vivenciar o alimento. Nos Estados Unidos, o seafood boil é extremmente popular e está presente em:
• Festas familiares
• Reuniões de amigos
• Datas comemorativas
• Restaurantes especializados
Para vivenciar a experiência, você pode agendar pelo telefone (79)9997-68673