03 de julho de 2017
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 30/06/2017 às 00h00

Dom João José Costa e o Pálio :: Por José Lima Santana


José Lima Santana* - jlsantana@bol.com.br


Dom João José Costa e o Pálio (Imagem: Reprodução/CTV)

Dom João José Costa e o Pálio (Imagem: Reprodução/CTV)

É tradição antiga na Igreja Católica que os Arcebispos recebam do Papa o pálio. Mas, o que é o pálio, e qual o seu significado? O pálio é uma espécie de colarinho de lã branca, com cerca de 5 cm de largura e dois apêndices, sendo um na frente e outro nas costas. Possui seis cruzes bordadas em lã preta: quatro no colarinho e uma em cada um dos apêndices. É confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma. Para fazer os pálios, elas utilizam a lã de dois cordeiros que são ofertados ao Papa anualmente, no dia 21 de janeiro, pois neste dia, celebra-se a Solenidade de Santa Inês, jovem mártir cristã do século IV (ela nasceu em 304).


“Uma vez confeccionados, os pálios são abençoados pelo Santo Padre, guardados numa arca junto ao túmulo do Apóstolo São Pedro, o primeiro Pontífice, e entregues pelo próprio Papa, no dia 29 de junho de cada ano, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, aos Arcebispos nomeados após a celebração do ano anterior. O uso do pálio, que nos primeiros séculos do Cristianismo era exclusivo dos Papas, passou a ser usado pelos Metropolitas a partir do século VI, tradição que vigora até os nossos dias. Qual o significado do pálio usado pelo Arcebispo? Para entendê-lo, é importante ter presente que a Igreja Católica está organizada pelo mundo afora em províncias eclesiásticas. Cada uma é formada por algumas dioceses (não há número determinado) e uma arquidiocese. À frente dela esta o Metropolita, que é o Arcebispo da diocese-sede. As palavras “arqui” e “arce”, colocadas junto às palavras diocese e bispo, vêm da língua grega, e significam “a primeira”, “o primeiro”. Assim, a Arquidiocese e o Arcebispo são “a primeira” e “o primeiro”, não em linha de importância, mas para serem aquela e aquele que devem estar a serviço e promoção da comunhão.” (Dom Jacinto). 


Após a sua nomeação de Arcebispo, deve o Metropolita pedir ao Bispo de Roma, o Papa, o pálio, símbolo de seu “poder” (o serviço e promoção da comunhão) na própria Província Eclesiástica e de sua comunhão com a Sé Apostólica. Uma vez recebido o pálio, o Arcebispo usa-o unicamente dentro das funções litúrgicas, sobre os paramentos pontificais, dentro da Província a que preside, e unicamente nela, como diz Dom Jacinto. Como todos o sabem, a Província Eclesiástica de Sergipe é composta pela Arquidiocese de Aracaju e pelas Dioceses de Propriá e Estância. 


Vejamos o que disse o Papa Bento XVI sobre o pálio na homilia que ele fez, no dia 29 de junho de 2005, ao entregá-los aos Arcebispos daquele ano: “Estais para receber o palio das mãos do Sucessor de Pedro. Fizemo-lo abençoar, como pelo próprio Pedro, pondo-o ao lado do seu túmulo. Agora ele é expressão de nossa responsabilidade comum diante do ‘supremo pastor’, Jesus Cristo, da qual fala Pedro na sua Primeira Carta. O pálio é a expressão da nossa missão apostólica. É expressão da nossa comunhão, que no ministério petrino tem a sua garantia visível”. Citação feita em artigo publicado na internet por Dom Jacinto Bergmann, Arcebispo de Pelotas, no Rio Grande do Sul. (https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/palio-a-expressao-da-missao-apostolica/ Acesso em 25 de junho de 2017). 


Que todos nós católicos na Arquidiocese de Aracaju possamos, ao nosso modo e como pudermos, ajudar Dom João a ser sempre digno do pálio que ele está recebendo das mãos do Papa Francisco, nesta quinta-feira, 29 de junho de 2017, dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo – e a usá-lo com toda a consciência do seu significado. Certamente, ele o fará com prudência, firmeza e determinação. Em Roma, Dom João optou por receber o pálio sem comitiva. Possivelmente, por dois motivos: primeiro, a impossibilidade de convidar membros do clero que pudessem viajar às expensas da Cúria Metropolitana, por absoluta impossibilidade financeira momentânea para tal; e, segundo, dada a sua simplicidade, que não se coaduna com as pompas. Para Dom João, receber o pálio não se trata de uma festa, mas da confirmação de sua missão, que é o amor, a caridade pastoral em relação ao rebanho que lhe foi confiado. E, obviamente, a sua ligação fraterna com os bispos da Província Eclesiástica da qual ele é o Metropolita. Mas, acima de tudo, a sua estreita relação com o Papa, o sucessor de São Pedro. 


Que o clero aracajuano possa se unir em torno do seu pastor. Precisamos de unidade. Que o laicato também se integre cada vez mais ao seu pastor. Com cinco meses e dez dias, à frente da Arquidiocese de Aracaju, Dom João procura dar sequência ao profícuo trabalho desenvolvido por Dom Lessa, em duas décadas à frente da mesma Arquidiocese. Cada pessoa, em qualquer atividade, tem o seu ritmo e o seu estilo de trabalho. E não seria diferente entre Bispos e Arcebispos que vão se sucedendo. Ademais, assim é a vida. Embora nem todos o queiram compreender. Infelizmente.


No dia 15 de setembro vindouro, o Núncio Apostólico virá a Aracaju para fazer a entrega definitiva do pálio a Dom João José Costa, como manda a tradição. Aguardemos. 


*PADRE. ADVOGADO. PROFESSOR DA UFS. MEMBRO DA ASL DA ASLJ E DO IHGSE
Confira AQUI mais artigos do José Lima Santana
Confira AQUI mais artigos da autoria de José Lima Santana publicados no ClicSergipe antigo

Matérias em destaque

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação