20 de março de 2016
POR: José Lima Santana - jlsantana@bol.com.br
Fonte: José Lima Santana

Uma carta indicando Almeida Lima para a saúde ? :: Por José Lima Santana


José Lima Santana(*) - jlsantana@bol.com.br


A SOMESE – Sociedade Médica de Sergipe –, e outras oito entidades que agregam profissionais da área da saúde, publicaram, neste domingo, dia 20, uma carta aberta ao governador Jackson Barreto sobre a sucessão de Zezinho Sobral na Secretaria de Estado da Saúde. A carta só faltou dizer uma coisa: quem é a pessoa que tais entidades defendem para ocupar a referida Secretaria. Porém, não é difícil deduzir quem é essa pessoa. Basta ler a carta devagar, devagarzinho, como diz o samba de Martinho da Vila. Se bem que a letra do samba diz, como se fala no popular, “devagarinho”.
Bem. Ao ler a carta, liguei para um profissional ligado a uma das entidades signatárias, para tirar uma dúvida: exatamente quem é a pessoa que as entidades defendem para assumir a Saúde. Para mim, salvo melhor juízo, estava claro quem seria a tal pessoa. Afinal, diz a carta com todas as letras que deve ser “um gestor com capacidade de gerenciamento”. Noutro trecho diz: “um gestor com ampla e bem sucedida experiência na administração pública e que goze, em Brasília, de bom relacionamento institucional que possa otimizar a liberação de recursos para o setor”. E diz mais: “Uma pessoa cujo trato com a coisa pública tenha sido aferido e não maculado pelo Ministério Público, Tribunal de Contas e Poder Judiciário. Alguém que inspire autoridade para tomar decisões sensatas e corajosas tão necessárias para qualificar a saúde pública de Sergipe”. Repito: para mim, a carta tem endereço certo. Mas, preferi ouvir o meu interlocutor. E ele confirmou a minha suspeita. As entidades signatárias, disse ele, e eu vendo o peixe pelo preço que paguei, pretendem indicar o ex-senador Almeida Lima. Eu ri e disse: “Isso vai render”. Por quê? Ora, quando os conselheiros do governador, que querem ver Almeida Lima, no máximo, lá onde ele está, vão bufar de raiva. Vão acender toco de vela. Ou como se dizia, ao pé do balcão da bodega de “seu” Américo, em Dores, pai de Almeida, “vão assar toucinho sem acender o fogo”.
Disse-me o meu interlocutor que as entidades procuraram o ex-senador para comunicar-lhe sobre a carta e sobre a disposição em declinar logo o seu nome, mas ele recusou que o seu nome fosse explicitado na referida carta. As razões da recusa? O meu interlocutor não soube precisar. Todavia, eu quero entender que Almeida recusou que o seu nome aparecesse na carta por motivos óbvios. Possivelmente, para não chamar a atenção de quem lhe quer ver longe do primo governador.
Algo merece reflexão: então essas nove entidades da área da saúde não compactuam com o pensamento do secretário Zezinho Sobral, que prefere para ocupar o seu lugar um profissional da própria Secretaria? Ao anunciar tal pretensão, Zezinho teria dado um tiro no próprio pé? Ou não? Sabe-se lá!
Se eu estivesse papeando com Almeida, com quem não troco palavras, desde agosto de 2012, eu lhe diria (mas, faço-o agora, e ele leia de bom grado se quiser, pouco se me dá): “Deixe que as entidades defendam abertamente o seu nome, se é que você aceita, se convidado for, ir para a Saúde, defrontar-se com mil e um problemas”. Disso eu sei o que estou falando. Eu já passei por lá. E sei muito bem o que passei.
Almeida passou pela Prefeitura de Aracaju sem nada ter respondido ao MP, ao TCE, ao TCU, à Justiça. O mesmo, por dever de justiça, se diga em relação a Jackson, no seu segundo mandato. Saíram os dois sem manchas diante dos órgãos de controle externo. Almeida passou doze anos no Congresso Nacional, oito no Senado e quatro na Câmara dos Deputados. Ainda deve ter bom trânsito por lá. Presidiu a Comissão Mista do Orçamento Geral da União – OGU – e sabe muito bem como se mover nesse assunto. Digam o que quiseram sobre Almeida Lima, e, claro, pode-se dizer isto ou aquilo, pois cada um é livre para dizer e responder pelo que diz, mas não se pode negar que ele tem coragem para fazer o que deve ser feito. Deve, no entender das nove entidades, preencher os requisitos na carta citados.
E se eu tivesse a oportunidade de conversar com o governador Jackson Barreto, eu lhe diria: “Faça o teste, bote Almeida na Saúde, se o senhor assim o entender. Se não der certo, tire. Contudo, não custa tentar”. Não sei qual é a pretensão de Jackson. Ele teria a pretensão de nomear Almeida? Teria a pretensão de atender ao anseio de Zezinho Sobral, nomeando alguém da própria Secretaria, indicado pelo secretário que está para sair? Teria, ou terá outra opção em mente? Como bem o disse o secretário Benedito Figueiredo, respondendo a uma pergunta do radialista Gilmar Carvalho, dias atrás, “quem nomeia é o governador”. Ouvindo ou não os seus conselheiros, quem nomeia é, sim, Jackson Barreto. Está em suas mãos. Em sua cabeça. Em seu coração. Em sua caneta.


 


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(*) Advogado. Mestre em Direito. Professor do Curso de Direito da UFS. Membro da Academia Sergipana de Letras e do IHGSE.


jlsantana@bol.com.br


 


 


Abaixo, Carta Aberta ao Governador Jackson Barreto, publicada no Jornal da Cidade em 20 de março de 2016


 


Carta Aberta ao Governador Jackson Barreto (Imagem: Reprodução/Jornal da Cidade)

Carta Aberta ao Governador Jackson Barreto (Imagem: Reprodução/Jornal da Cidade)

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