Dia Nacional de Combate à Leishmaniose: mosquito vetor da doença deve ser combatido
Infectologista cooperada Unimed Sergipe, Mariela Cometki (Foto: AG? - Comunicação Estratégica)
“A leishmaniose é um conjunto de doenças causadas por um gênero de protozoário chamado leishmania. Este protozoário pode ter várias famílias e causar alterações tanto sistêmicas, no organismo todo, com a leishmaniose visceral, quanto a alteração que faz lesões de pele, que é chamada leishmaniose cutânea”, explica a infectologista.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a leishmaniose visceral está presente em 12 países das Américas, sendo que 96% dos casos relatados se encontram no Brasil. A transmissão é feita através da picada do mosquito-palha, que ao picar um animal infectado e depois picar o humano, acaba transmitindo a doença.
“Não há transmissão interpessoal, ou seja, de pessoa para pessoa. O combate ao vetor de transmissão, que é o mosquito, deve ser feito não deixando lixos orgânicos, folhas apodrecidas, pois é ali naquele ambiente que esse mosquito se reproduz. Então, uma forma de combater a doença é combater o seu vetor”, esclarece Mariela.
Outra forma de se combater a doença é vacinando os animais de estimação, evitando que eles se infectem com as picadas do mosquito e ofereçam riscos à saúde dos seus tutores.
Sintomas
Na leishmaniose cutânea, feridas na pele são os principais indicativos de que a pessoa pode ter sido picada pelo mosquito-palha e, consequentemente, estar infectada. Na leishmaniose sistêmica, alterações na produção de células são os principais sinais. Em todos os casos, exames laboratoriais são imprescindíveis para o diagnóstico.
“As lesões de pele são feridas que tem as bordas elevadas e podem aparecer no local da picadura do mosquito ou em outros locais. Já a leishmaniose mucosa aparece com lesões em mucosa nasal, na mucosa na boca e também pode ser diagnosticada assim como a cutânea, através de biopsia. O exame clinico da lesão é um grande indicativo da suspeita, mas a confirmação do diagnóstico é feita através da biópsia: tira-se um pedacinho de pele e leva-se para o laboratório para fazer a análise”, afirma a infectologista.
No entanto, nem sempre os sintomas são tão aparentes, como no caso da leishmaniose sistêmica. “Pacientes com leishmaniose visceral, ou seja, a sistêmica, têm queixas de fraqueza, aumento do volume abdominal, dor abdominal e podem apresentar algumas alterações num simples exame laboratorial de hemograma”, pontua a infectologista. “A leishmania, quando ataca a medula óssea, ou seja, o local onde a gente produz as células vermelhas, brancas e as plaquetas, elas podem serem tomadas e a produção dessas células ficarem prejudicadas”, completa a médica].
Diante do aparecimento de qualquer sintoma ou alteração, procurar o atendimento médico é muito importante. Além disso, a prevenção é uma aliada, protegendo os animais domésticos com a vacina evitando o lixo orgânico e em decomposição, diminuindo assim a chance de reprodução do mosquito-palha, vetor da doença.