Curso de atualização sobre atendimento ao paciente queimado faz parte da programação do Junho Laranja no Huse
Curso de atualização sobre atendimento ao paciente queimado faz parte da programação do Junho Laranja no Huse (Foto: SES/SE)
“Vamos fazer um organograma do atendimento ao queimado, como ele se queima, como vai ser atendido, como vai ser tratado até chegar no nosso hospital. Esse vai ser um curso menor que nos outros anos por causa da estrutura que a gente tem por conta da pandemia, algumas pessoas vão poder fazer de forma presencial no auditório e a novidade é que vai ser transmitido online. A ideia é boa para os próximos anos para que a gente consiga atingir cada vez mais o pessoal do interior que não tem a oportunidade de vir presencial, eles vão poder treinar online”, pontuou o coordenador da UTQ do Huse, Bruno Cintra.
O curso também faz parte da Campanha ‘Junho Laranja’, promovida pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) e que visa a conscientização das pessoas quanto à prevenção. O tema deste ano é: “Álcool e fogo: mantenha distanciamento”. Contra queimaduras, prevenção é fundamental, isso porque com a chegada do mês junino é comum observar o aumento no número de casos de pessoas acidentadas por queimaduras, principalmente, envolvendo álcool líquido ou em gel (item muito utilizado durante a pandemia do coronavírus) e que foram assistidas na UTQ do Huse
“As queimaduras por álcool líquido e álcool gel aumentaram muito de 2020 para cá, foram registrados 20 atendimentos a vítimas dessa substância inflamável que é muito utilizada por conta da pandemia do coronavírus e de forma incorreta em casa. Já as queimaduras de uma maneira geral tiveram um decréscimo por conta do distanciamento, isolamento, toque de recolher, por mais que as pessoas não respeitem muito, mas diminui o nível de aglomeração e das pessoas se acidentarem”, explicou o coordenador da UTQ.
Sobre as queimaduras por fogos de artifício, o coordenador explica que no ano passado, o número de vítimas por queimaduras foi menor que os anos anteriores porque não houve festa junina no Estado e a venda de fogos foi proibida. Mesmo assim, Bruno Cintra ressalta que as queimaduras não deixaram de acontecer e por outros motivos. “As pessoas se queimam por aquecimento em casa, principalmente, os de baixa renda que fazem aquecimento com fogareiro, balde com álcool dentro de casa para cozinhar, o ambiente pequeno e com criança, tudo isso propicia o aumento de queimadura, com a facilidade do acesso ao álcool 70% isso se agravou”, enfatizou.
Estrutura da UTQ
A Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Huse, dispõe de 14 leitos, destes 10 são destinados ao paciente adulto e 4 para o paciente infantil. São leitos de cuidados intensivos, equipados com monitores multiparâmetros, bombas de infusão e ventilador mecânico. A UTQ conta com uma equipe multidisciplinar, técnicos de enfermagem, enfermeiros, fonoaudiólogo, fisioterapia, psicólogo, nutricionista, assistente social, anestesista, cirurgião plástico, plantonistas, pediatras e secretário clínico.
A UTQ dispõe de uma sala cirúrgica para atendimento aos queimados pois, devido a proporção da queimadura, muitos necessitam ser anestesiados para troca de curativos. No local também acontecem cirurgias de enxertos, retalhos e reparos para pacientes sequelados das queimaduras. Quando um paciente é admitido na unidade ele é tratado até a alta hospitalar e após alta é encaminhado ao retorno ambulatorial para acompanhamento com cirurgião plástico.
“Durante todo ano recebemos pacientes queimados, mas notamos um baixo atendimento desde o início da pandemia, acreditamos ser devido às medidas de restrição, assim como houve redução do número de traumas em geral. Junho é um mês que nos preocupa, pois nossa cultura de festejos juninos é forte e intensa, fogos de artifício e fogueira, então, o Huse intensifica os preparos nesse período montando uma sala de atendimentos ao paciente queimado, com equipe, equipamentos e materiais para atender essa demanda quando houver”, esclareceu a gerente da UTQ do Huse, Wandressa Nascimento.
Estatísticas
As estatísticas em 2020 correspondem a 424 atendimentos a vítimas de queimaduras. Este ano, o número chega a 118 atendimentos até o momento. São vítimas de queimaduras por líquido aquecido, chama direta, moto, gasolina, colchão térmico, eletricidade, explosão de botijão, automobilístico, óleo, fogo, álcool, água fervente, café e chá quente, explosão de lixo, ácido muriático, explosão túnel, necrólisis epidérmica tóxica, leite quente, parafina e fogos.