Brasileiro troca avião por ônibus: buscas por passagens rodoviárias crescem 48% em seis meses
Alta nas pesquisas indica mudança no comportamento de quem viaja pelo país, influenciada por custos, praticidade e novas rotinas de deslocamento
Viajar pelo Brasil tem exigido mais planejamento e escolhas cuidadosas. Nos últimos meses, um movimento silencioso ganhou força entre os brasileiros: a troca do avião pelo ônibus. Dados do Google Brasil mostram que a procura por passagens rodoviárias cresceu cerca de 46% em 2025, refletindo uma mudança clara no comportamento do viajante, diante de um cenário econômico ainda desafiador.
O crescimento chama a atenção, porque ocorre em paralelo a uma desaceleração no interesse por passagens aéreas. Embora o avião siga como um dos principais meios de transporte em longas distâncias, relatórios setoriais e dados de tendências indicam uma queda no ritmo das buscas, especialmente em trechos nacionais. O principal motivo pode ser o custo elevado das tarifas, que continuam pesando no orçamento de quem pretende viajar com frequência.
Ônibus como alternativa para viajar
Nesse contexto, o ônibus reaparece como uma alternativa viável e estratégica. Para muitos brasileiros, ele deixou de ser apenas uma opção de última hora e passou a integrar o planejamento da viagem desde o início. A previsibilidade dos preços, a possibilidade de parcelamento e a menor incidência de taxas extras tornam o transporte rodoviário mais atraente, sobretudo para quem viaja em família ou em grupo.
A infraestrutura também ajuda a explicar o avanço. Nos últimos anos, o setor rodoviário investiu na modernização da frota e na ampliação de rotas entre capitais, cidades do interior e polos turísticos. Poltronas mais confortáveis, ar-condicionado, Wi-Fi e serviços diferenciados transformaram a experiência de viagem, aproximando o ônibus de padrões antes associados apenas ao transporte aéreo.
Outro fator relevante é a logística. Diferentemente dos aeroportos, que costumam ficar afastados dos centros urbanos, os terminais rodoviários estão, em geral, melhor integrados às cidades. Isso reduz gastos com deslocamento e tempo de espera, além de facilitar o embarque para quem mora longe das regiões metropolitanas. Em viagens de curta e média distância, essa diferença se torna ainda mais perceptível.
Perfil de viajante
O perfil de quem escolhe o ônibus também se diversificou. Jovens em viagens rápidas, estudantes, trabalhadores que se deslocam entre cidades próximas e turistas interessados em explorar destinos regionais compõem um público cada vez mais presente nas estradas. O turismo doméstico, impulsionado por feriados prolongados e viagens de fim de semana, também contribui para esse cenário.
É nesse ambiente que cresce o interesse por passagens de ônibus, especialmente entre consumidores atentos ao custo-benefício. A escolha não representa o abandono do avião, mas uma adaptação às condições atuais do mercado. Para muitos, trocar algumas horas a mais de estrada por uma economia significativa passou a fazer sentido.
A tendência observada ao longo de 2025 indica que o brasileiro segue disposto a viajar, mas com estratégias mais realistas. Em vez de priorizar apenas a velocidade, fatores como preço, conforto e praticidade ganharam espaço na decisão. E, nesse novo mapa da mobilidade nacional, o ônibus volta a ocupar um papel central na forma como o país se desloca e se redescobre.