Seis pesquisadores de Sergipe conquistam bolsas de produtividade do CNPq
Os professores foram aprovados em seleção nacional que reconhece a excelência acadêmica e amplia oportunidades para novos projetos científicos; lista reúne novos talentos e pesquisadores experientes
Seis professores dos programas de mestrado e doutorado da Universidade Tiradentes (Unit) tiveram seus nomes aprovados para a concessão da Bolsa de Produtividade, concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Eles foram classificados e aprovados na Chamada CNPq Nº 23/2025, cujo edital concedeu um total de 5.700 bolsas em todo o Brasil.
O programa, considerado um dos principais méritos de reconhecimento acadêmico e científico do país, concede um benefício financeiro mensal a pesquisadores que se destacam com uma trajetória qualificada de produção científica, desenvolvimento tecnológico, inovação, formação de recursos humanos e impacto em suas áreas de conhecimento e de atuação.
Na categoria Produtividade em Pesquisa (PQ), que reconhece a produção científica consolidada, os contemplados foram Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento e Ronaldo Nunes Linhares, ambos do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED); e Juliana Faccin de Conto Borges, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP).
Já na categoria Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT), para os que se destacam em inovação tecnológica e extensão, além da produção científica clássica, os aprovados foram Sílvia Maria Egues Dariva e Adriana de Jesus Santos, ambas do PEP; e Estélio Henrique Martin Dantas, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS). Todos foram classificados como Nível C e receberão bolsas com adicional de bancada e duração de três anos, a partir deste mês de agosto.
Os pesquisadores concorrem a essas bolsas através de editais de seleção publicados anualmente, nos quais eles apresentam seus projetos e passam por um processo de avaliação rigoroso, baseado em sua produção científica, formação de recursos humanos e contribuição para projetos de pesquisa e inovação.
A aprovação é baseada em critérios de qualidade e efetividade do trabalho científico de cada bolsista, estabelecidos pelo próprio CNPq e por seus Comitês de Assessoramento (CAs).
“A presença de bolsistas de produtividade (PQ/DT) representa um selo de qualidade da pesquisa validado externamente pelos pares do CNPq. Cada bolsista é uma liderança científica cuja trajetória foi chancelada por um crivo nacional e competitivo, o que sinaliza maturidade e consolidação do corpo docente.
Esse reconhecimento tem peso na avaliação da Capes, fortalece a competitividade em editais e a captação de recursos”, ressaltou a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, Patrícia Severino.
Para o diretor acadêmico da Unit, Marcos Wandir Nery Lobão, a concessão das bolsas é uma importante política de incentivo à permanência de talentos no cenário científico brasileiro, estimulando a realização de pesquisas e a formação de novos cientistas.
Ele afirma que os bolsistas de produtividade terão mais oportunidades e chances de notas maiores ao buscar projetos e bolsas de pesquisa para os alunos que irão acompanhá-los nas pesquisas, tanto os de graduação quanto os de mestrado e doutorado.
“Quando o professor coloca seu nome e seus projetos, ele está sendo avaliado por uma comunidade científica brasileira. E conseguem uma consequente visibilidade no cenário nacional e internacional de pesquisas.
Isso melhora a sua infraestrutura de pesquisa, melhora a conexão com os pesquisadores nacionais e internacionais, e isso dá uma visibilidade maior para a instituição. Todos eles estão de parabéns, porque isso representa uma visibilidade enorme do trabalho executado, que é fruto do mérito deles”, definiu.
Renovação e experiência
Segundo o próprio CNPq, mais de 1,6 mil bolsistas contemplados no edital vão receber o benefício pela primeira vez, indicando uma renovação da ordem de 30% dos selecionados. Desses novos bolsistas, 43% são mulheres, percentual acima do global da chamada (37%).
Uma delas é Juliana De Conto, egressa de mestrado e doutorado do PEP/Unit, que leciona no próprio programa há três anos e acabou de concluir o seu pós-doutorado na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde conduziu uma pesquisa sobre o uso de aerogeis para a conversão de gás carbônico (CO2).
“Saber que faço parte de uma nova geração de pesquisadoras reconhecidas pelo CNPq é motivo de muito orgulho e reforça a importância de ampliar a presença das mulheres na ciência brasileira. Embora ainda exista um caminho a percorrer para alcançarmos maior equidade, ver esse crescimento é muito inspirador.
Mais do que uma conquista pessoal, essa bolsa fortalece minha atuação acadêmica e profissional, ampliando as oportunidades para desenvolver projetos de maior impacto, estabelecer novas colaborações nacionais e internacionais e contribuir ainda mais para o avanço da ciência”, comemorou Juliana.
Outros contemplados como bolsistas no edital do CNPq são profissionais experientes, com largo tempo de carreira e conhecimentos no meio acadêmico, e que têm seus nomes marcados na história dos programas de pós-graduação da Unit.
Um deles é Estélio Dantas, que é livre-docente em Educação Física pela Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ), com pós-doutorados no Brasil e na Espanha, e está há 12 anos na Unit. Ao longo da carreira, ele foi bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) nível 1A, na área de Educação Física, uma das mais altas distinções concedidas pelo conselho.
Estélio, que estava dedicado a outros projetos na área acadêmica, como o Masterfitts, conseguiu aprovar uma pesquisa do Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (Labimh) sobre o desenvolvimento de um aplicativo móvel com Inteligência Artificial para a promoção de hábitos saudáveis de vida.
“Diante da importância estratégica dessa bolsa para o fortalecimento institucional do PBS da Unit, decidi retomar a participação nas chamadas do CNPq. Essa aprovação representa, portanto, não apenas um reconhecimento da minha produção científica e tecnológica, mas sobretudo um compromisso com o desenvolvimento e a consolidação da pesquisa de excelência na instituição, beneficiando diretamente os estudantes e pesquisadores em formação no programa”, afirmou.
Outra pesquisadora com largo tempo de experiência acadêmica é Ester Villas-Boas, que está na Unit desde 2005 e no PPED desde a sua criação como Núcleo, em 2006.
Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com pós-doutorado na Universidade de Aveiro, em Portugal, ela é bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq desde 2012 e desenvolveu trabalhos nas áreas de História da Educação, da História do Livro e da Leitura, a partir da circulação de impressos e ações educacionais de missões evangélicas na América Latina ao longo dos séculos 19 e 20.
“A conquista de uma Bolsa de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq representa um verdadeiro divisor de águas e um dos marcos mais significativos que um pesquisador pode alcançar no Brasil.
Muito além do fomento financeiro, essa bolsa simboliza o reconhecimento máximo pelos nossos pares. Ela atesta que a comunidade científica nacional avaliou nossa trajetória e validou a consistência, a originalidade e, principalmente, o impacto de nossa produção intelectual ao longo dos anos. É um "selo de excelência" que comprova o rigor metodológico e a maturidade do nosso trabalho”, define Ester.