Mais de 700 estudantes participam de sessões de cinema em escolas públicas de Sergipe
Estudantes sergipanos passaram a assistir e discutir filmes produzidos por outros estudantes, dentro do próprio ambiente escolar. A atividade integrou a II Mostra Travessias – Cinema e Educação e alcançou mais de 700 alunos em seis cidades do estado, evidenciando uma prática ainda pouco comum no cotidiano educativo: o contato direto com o cinema como parte do processo de aprendizagem. Ao todo, o projeto mobilizou quase 1.000 pessoas.
A etapa itinerante levou exibições para sete espaços, com sessões realizadas em escolas públicas de Aracaju, São Cristóvão, Laranjeiras, Salgado, Feira Nova e Nossa Senhora do Socorro, além de atividade no Barracão Cultural Mãe Maria, do MST.
A programação reuniu produções sergipanas realizadas em ambiente escolar e universitário, e as sessões, seguidas de debates, aproximaram o audiovisual do cotidiano das salas de aula e abriram espaço para conversas sobre educação, identidade e realidade social.
Em algumas unidades, a atividade reuniu centenas de jovens. No Centro de Excelência Professor Hamilton Alves Rocha, em São Cristóvão, foram 322 participantes em dois dias.
No Atheneu Sergipense, em Aracaju, 160 alunos acompanharam a programação, o que mostra a adesão das comunidades escolares e interesse por esse tipo de ação.
A participação dos estudantes seguiu para além da sala. “Os curtas continuaram sendo assunto mesmo depois das exibições, nos corredores e entre os próprios alunos”, diz Lyvia Maria de Souza Silva, que acompanhou as sessões em São Cristóvão.
Em Feira Nova, a experiência também gerou participação ativa. “A roda de conversa foi um dos momentos mais fortes, com troca de opiniões e diferentes interpretações sobre os temas”, afirma a monitora Isabelly Mayne Melo Oliveira.
Ao colocar em circulação produções feitas no próprio contexto educacional, a mostra cria identificação imediata com quem assiste e reforça um movimento ainda pouco consolidado: estudantes se reconhecendo nas imagens que veem na escola.
A experiência indica demanda por iniciativas desse tipo e sinaliza um interesse crescente dos estudantes por propostas que conectem cinema e educação.
No Atheneu Sergipense, em Aracaju, a professora Rafaella Clarice Rodrigues Santos destaca o impacto da atividade no ambiente escolar. “O objetivo da mostra foi ampliar o acesso ao cinema produzido em contextos educacionais e reforçar a escola como um espaço de produção cultural”, afirma.
A iniciativa é do Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação da Universidade Federal de Sergipe (NICE/UFS), grupo que desenvolve ações de formação, produção e exibição audiovisual com estudantes e professores da rede pública no estado.
Para o coordenador geral do projeto, Raul Marx Rabelo Araújo, a experiência também evidencia um desafio recorrente na educação básica. “A Lei 13.006/2014, que prevê a exibição de filmes nas escolas existe, mas ainda não chega de forma contínua ao cotidiano dos estudantes. Quando a gente leva essas sessões para dentro da escola, mostra que isso é possível na prática”, afirma.
Estruturada em três etapas, formação, mostra e itinerância, a II Mostra Travessias começou com oficinas de cinema voltadas a estudantes e professores, seguiu com a exibição dos filmes na Mostra Principal, na Universidade Federal de Sergipe, e chegou às escolas em diferentes cidades.
Ao reunir produções feitas por estudantes em ambientes escolares e universitários e levá-las de volta a esses territórios, o projeto busca ampliar o acesso ao cinema e fortalecer o audiovisual como parte do cotidiano da educação pública.
A II Mostra Travessias – Cinema e Educação em Sergipe é um projeto contemplado pelo edital PNAB n.º 06/2025, da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Lei n.º 14.399/2022).