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Aracaju (SE), 07 de março de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 06/03/2026
Pub.: 06 de março de 2026

Infâmia: A Sanha dos Poderosos :: Por José Lima Santana

José Lima Santana*
José Lima Santana - Arquivo Pessoal
Quando o Japão atacou Pearl Harbor, base da Marinha americana em Oahu, Havaí, no dia 7 de dezembro de 1941, matando mais de 2.400 norte-americanos, destruindo ou danificando 20 navios e cerca de 300 aeronaves, no discurso do presidente Roosevelt aquele dia ficou conhecido como o “Dia da Infâmia”, exatamente porque não houve uma declaração formal de guerra anterior. Na verdade, a declaração de guerra foi entregue pelo embaixador japonês horas depois do ataque. Infâmia. 
 
Os Estados Unidos, após o término da Segunda Guerra Mundial, desde o Vietnam e até agora, têm atacado alguns países sem declaração formal de guerra. Infâmia. Todavia, como superpotência militar, os Estados Unidos arvoram-se em colocar uma estrela de lata no peito como se fossem o Xerife do mundo? Pela força das armas, eles se impõem aos mais fracos. Jamais toparam com a antiga União Soviética, nos tempos sombrios da guerra fria. Talvez tenham chegado perto, na crise dos misseis soviéticos instalados em Cuba, em 1962.
 
A União Soviética e, após a sua queda, a Rússia, também agiram do mesmo modo, sem declarações formais de guerra, nos casos do Afeganistão, antes, e da Ucrânia. As agressões se sucedem. Infâmia. 
 
Às vezes, a política internacional contemporânea tem sido movida pelos interesses isolados deste ou daquele país, ao contrário do que deveria ser, considerando-se os interesses multilaterais. Ademais, a prepotência, no caso dos Estados Unidos, tem prevalecido. Mas, nunca como agora, com o tresloucado presidente Trump no seu segundo mandato presidencial, amigo do peito de desprezível Jeffrey Epstein. 
 
Não há justificativa para qualquer país invadir outro, sequestrar dirigentes, como no caso da Venezuela, embora o tal Maduro não deve mesmo ter sido vitorioso na última eleição. Moralmente, sequestrar o presidente de outro país, mesmo espúrio, é absurdo. Matar deliberadamente o líder de outro país, como no caso do Irã, além de matar dezenas de crianças em uma escola, é absurdo. Infâmia. O Irã é um país tenebroso com os aiatolás no comando. Luta para implementar um programa nuclear temerário. Horrível isso. Porém, para que serve a diplomacia? Havia uma discussão em curso. 
 
Se tiver que usar a força das armas, que se faça pelos meios legais, ou seja, com a declaração formal de guerra. Não! Israel comunicou aos EUA que iria atacar o Irã. Outro tresloucado, o primeiro ministro israelense. Segundo notícias da imprensa internacional de segunda-feira para terça-feira, o presidente Trump resolveu também atacar, antes que o Irã, atacado por Israel, retaliasse contra bases americanas no mundo árabe. Puxa vida! 
 
A OTAN, liderada pelos Estados Unidos, Inglaterra e França, derrubou Gaddafi da Líbia, em 2011, e Saddam Hussein do Iraque, em 2003, tudo em nome da “democracia”. Na “Guerra do Peloponeso”, de Tucídides, encontramos os embaixadores da ilha de Melos, aliada de Esparta, e, portanto, derrotada por Atenas, com a seguinte frase: “Que democracia é esta, a de Atenas, que só se sustenta pela força das armas”?  
 
Democracia...! É tão bonito falar em democracia. Difícil é defendê-la, vivê-la. Por que os gringos não derrubam o governo da Arábia Saudita, por exemplo, autoritário e criminoso? Porque é aliado, como o são outros regimes do mesmo feitio, e como foram os regimes militares no Brasil, na Argentina e no Chile, para citar somente esses. Democracia? Nunca. Para os ianques o que importa mesmo é a economia, é explorar as riquezas dos países pobres, que continuarão cada vez mais pobres. O que digo não é ideologia. É fato grotesco. Petróleo, terras raras, tudo isso, sim, importa para eles. 
 
Na Líbia, o regime de 42 anos desmoronou, mas o país mergulhou no caos, com intenso conflito entre milícias, colapso das instituições e crise humanitária. A produção de petróleo, principal riqueza do país, despencou. A quem favoreceu? A intervenção estrangeira, embora tenha derrubado o ditador, não resultou na estabilização democrática da nação. 
 
No Iraque, o regime autoritário de 24 anos acabou com a captura de Hussein e sua execução em 2006, resultando em longa instabilidade político-administrativa. 
 
Sem declaração formal de guerra, a invasão soviética no Afeganistão, de 1979 a 1989, tentou sustentar um governo socialista contra rebeldes mujahidin. A resistência, apoiada por EUA e aliados, causou uma derrota custosa aos soviéticos.
 
A Rússia de mais um tresloucado, o Putin, invadiu por duas vezes o território da Ucrânia. Declaração formal de guerra? Não. Pobres ucranianos, que, lá atrás, entregaram suas armas nucleares ao tzar Putin. 
 
Os Estados Unidos também invadiram o Afeganistão, após os ataques de 11 de setembro de 2001, apoiado por aliados próximos. Os objetivos dos ianques eram desmantelar a Al-Qaeda, e negar-lhes uma base segura de operações no país, removendo o Talibã do poder. Não houve declaração formal de guerra. Os talibãs voltaram ao poder, mas os gringos desmantelaram a precária infraestrutura do país.
 
O Irã patrocina terroristas, está (ou esteve) à beira de ingressar no bloco das potências nucleares, vive debaixo de uma terrível teocracia autoritária. Não poderá resistir por muito tempo à sanha dos poderosos. Ruirá? Veremos. Mas, a infâmia de 1941 continua a dar suas pernadas. Enfim, infames são todos os que fazem as guerras. Mas, a infâmia maior ainda é a causada pela sanha assassina dos poderosos. E o Trump quer arrastar a Europa para a guerra. Oxalá não consiga. 
 
*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.


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