Aracaju (SE), 05 de julho de 2022
POR: Shirley Vidal
Fonte: Asscom Unit
Em: 22/03/2022 às 14h00
Pub.: 22 de março de 2022

Patrimônio cultural: historiadora analisa a declaração do Iphan sobre Forró


O forró contribui para a formação da identidade do povo nordestino.


Patrimônio cultural: historiadora analisa a declaração do Iphan sobre Forró (Foto ilustrativa: Freepik)

Patrimônio cultural: historiadora analisa a declaração do Iphan sobre Forró (Foto ilustrativa: Freepik)


Quem não conhece aquela música de forró que diz: “espero a chuva cair de novo pra mim vortar ai pro meu sertão”? A canção de Luiz Gonzaga mostra a realidade do sertanejo e contribuiu para a formação da identidade dos nordestinos. Por isso, o forró foi declarado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


De acordo com a professora de História da Universidade Tiradentes (Unit) e especialista em História e cultura no Brasil, Eunice Aparecida Borsetto, o forró representa um símbolo da coletividade de uma população e suas ações. “A aprovação das matrizes tradicionais do forró como Patrimônio Cultural do Brasil, incentiva e fortalece o sentimento de pertencimento na população nordestina distribuída em todas as regiões brasileiras, bem como, aumento no turismo, além de todas atividades econômicas que giram em volta dos festejos juninos, como artesanato, vestuário, alimentação, músicos nos festejos juninos”, disse.


“É importante ressaltar a importância da construção histórica e raízes culturais na formação identitária de um povo e sua identidade a fim de que os mesmos possam situar-se na sociedade”, acrescenta.


A certificação do Iphan partiu do pedido realizado pela Associação Cultural Balaio do Nordeste e pelo Fórum Forró de Raiz da Paraíba, em 2011. Com a declaração do Iphan também ficou instituído o Dia Nacional do Forró, em 13 de dezembro, homenageando o nascimento do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. 


História do forró
“O forró é um gênero musical marcado principalmente pelo som da zabumba, triângulo e sanfona, englobando o xote, xaxado, baião, chamego, quadrilha arrasta-pé e o pé-de-serra. O tradicional baile também é conhecido por bate-chinela, bate-coxa, rala-bucho, arrasta-pé, arreia a fivela, entre outros”, explica a professora.


Segundo ela, não há senso comum sobre a origem da palavra forró. Alguns historiadores apontam para o tronco linguístico africano bantu que atracou no Brasil juntamente com os escravos e que significa ‘confusão’, ‘desordem’. Outros alegam que o termo é francês, mas que possui um significado parecido: ‘desentoação’. Para a maioria, o forró é originário da expressão abrasileirada da expressão ‘for all’.


“A princípio, as letras das músicas foram elaboradas a partir do modo de vida do povo nordestino, cantando em versos e prosas os hábitos e costumes das pessoas que moravam no sertão, as lembranças e saudades daqueles que migravam para os centros urbanos como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro”, conta Borsetto.


O gênero musical forró passou por três fases:

  • Tradicional ou pé-de-serra, nos anos 50 com Luiz Gonzaga gravando o ‘Forró de Mané Vito’, Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Sivuca, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Gilberto Gil e Nando Cordel. 
  • O Forró Universitário, nos anos 80, trouxe artistas Alcimar Monteiro, Petrúcio Amorim e Jorge de Altinho.
  • Eletrônico, nos anos 90, com: grupos com mais componentes e bailarinas no palco, a substituição da sanfona por instrumentos eletrônicos, a exemplo do Mastruz com leite, Magníficos, Calcinha Preta, Aviões do Forró e muitas outras.

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