Aracaju (SE), 21 de julho de 2026
POR: Gabriella Salmeron
Fonte: Gabriella Salmeron
Em: 20/07/2026
Pub.: 20 de julho de 2026

Produtora sergipana completa dez anos e prepara primeiro longa após trajetória em festivais nacionais e internacionais

Ao longo de uma década, a Floriô de Cinema transformou um coletivo universitário em uma produtora reconhecida por obras que dialogam com temas como território, identidade, negritude e diversidade

Equipe Floriô de Cinema - Foto: Gabriella Salmeron

Depois de uma década marcada pela circulação de filmes em importantes festivais brasileiros e internacionais, a produtora sergipana Floriô de Cinema vive um novo momento de sua trajetória. Ao completar dez anos de atuação, a empresa prepara a produção de Abya Yala, seu primeiro longa-metragem, enquanto amplia seu catálogo de obras e consolida projetos voltados à formação de profissionais e ao fortalecimento do audiovisual no Nordeste.

Fundada em 2016 por estudantes do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Floriô surgiu em um cenário de pouca estrutura para a produção cinematográfica no estado. Ao longo dos anos, transformou-se em uma produtora reconhecida por obras que passaram por festivais como a Mostra de Cinema de Tiradentes, Festival de Gramado, Chicago Latino Film Festival, Seattle Black Film Festival, Melbourne Queer Film Festival, Festival Guarnicê e Curta-SE. Seus filmes também chegaram ao Canal Brasil, Itaú Cultural Play, SPCine Play e Embaúba Play.

"A Floriô nasceu como Floriô Filmes, formada por jovens estudantes que compartilhavam o sonho de fazer florescer o cinema em um território marcado pela escassez de recursos, mas abundante em identidade e histórias pulsantes. Em 2020 retomamos as atividades com uma nova formação, muito mais madura, ampliando nossas conexões no Brasil e no exterior para fortalecer e impactar a produção local", afirma a diretora e roteirista Carolen Meneses, uma das fundadoras.

Entre os principais trabalhos da produtora estão Ímã de Geladeira, exibido na Mostra de Tiradentes e premiado no Festival de Gramado; ANARRIÊ, que percorreu mais de 40 festivais e conquistou prêmios de direção, fotografia e melhor filme; Abjetas 288, vencedor da Mostra Foco da Mostra de Tiradentes; onde a fé tem nos levado, Porto das Almas e Mergulho.

O próximo passo é a realização de Abya Yala, primeiro longa-metragem da Floriô, aprovado para produção pela Lei Paulo Gustavo. Paralelamente, a produtora desenvolve outros três longas, duas séries e novos curtas com lançamento previsto para 2027. Entre eles está Corpus-Água, dirigido por Sidjonathas Araújo e premiado em 2026 no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, além da série Onilé, também de Araújo, selecionada para o Campus Málaga Talent, na Espanha, e vencedora de premiação no Mercado EGBÉ.

"Esses dez anos marcam um projeto de vida que segue de pé. Escolhemos continuar produzindo em Sergipe porque entendemos que nossos projetos só podem ser realizados neste lugar, por estarem conectados ao território e às pessoas que o constroem", destaca o diretor e produtor Neto Astério.

Além da produção de filmes, a Floriô atua na formação de novos profissionais por meio do Pólen das Artes, iniciativa que reúne cursos, oficinas e masterclasses de cinema e já alcançou mais de 150 participantes, e do CRIAS – Cine de Rua Infantil de Sergipe, projeto itinerante de exibição gratuita de cinema brasileiro que caminha para sua quarta edição.

Para o diretor Sidjonathas Araújo, o objetivo da próxima década é ampliar a presença da produtora no mercado audiovisual sem perder sua identidade. "Queremos expandir nossa atuação no audiovisual brasileiro, fortalecendo as conexões artísticas construídas em Sergipe e contribuindo para um cinema comprometido com a transformação social, a inovação artística e a circulação de histórias que ainda encontram poucos espaços de visibilidade."

A diversidade de narrativas segue como eixo central do trabalho da produtora. "Acreditamos que fazer cinema em Sergipe, a partir de quem somos e de onde viemos, é também garantir que histórias historicamente silenciadas encontrem espaço nas telas e no imaginário coletivo. Cada filme movimenta nossa cadeia produtiva e abre caminho para novos profissionais que escolhem fazer cinema aqui", afirma a roteirista e produtora Thaís Galindo Ramos.

Ao completar dez anos, a Floriô de Cinema reúne mais de quinze curtas-metragens produzidos, três longas e duas séries em desenvolvimento, além de uma atuação que articula produção, distribuição, formação e difusão cultural. A produtora aposta em um modelo de cinema descentralizado, conectando Sergipe ao circuito audiovisual brasileiro e internacional sem abrir mão das histórias e dos territórios que deram origem à sua trajetória.

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