EGBÉ LAB encerra ciclo de desenvolvimento de obras de cineastas sergipanas
O EGBÉ LAB encerrou, no último domingo (10), em Aracaju, o ciclo de desenvolvimento do telefilme Samba de Celebração, de Luciana Oliveira, e do longa-metragem Abya Yala: Raízes do Futuro, de Carolen Meneses. Durante uma partilha aberta ao público, as cineastas apresentaram os caminhos percorridos na criação das obras, as transformações realizadas ao longo do laboratório e os desafios que permanecem para as próximas etapas de produção.
Realizado no Espaço Vem de Sergipe, o encontro reuniu realizadores e profissionais do audiovisual e abordou questões relacionadas a roteiro, direção, orçamento, locações e escolhas estéticas. Ao longo do EGBÉ LAB, Luciana e Carolen participaram de consultorias de roteiro com Xenia Rivery e de direção com Everlane Moraes, além do acompanhamento do mentor Victor de Rosa.
Em Samba de Celebração, Alice precisa decidir se realizará a Meladinha, celebração tradicional de sua comunidade quilombola, quinze dias após o nascimento de seu bebê. O telefilme estabelece uma relação direta com a Mussuca, em Laranjeiras, e encerrou sua participação no EGBÉ LAB em pré-produção, com o roteiro finalizado. A previsão é que as filmagens sejam realizadas ainda neste semestre.
Durante o laboratório, Luciana Oliveira foi provocada a observar a proposta também a partir de suas condições concretas de realização. “A consultoria me provocou um olhar pragmático sobre a proposta do filme”, afirmou. As discussões também fortaleceram uma abordagem aberta à participação da comunidade e aos acontecimentos do próprio território, que deverão orientar a construção das imagens durante as filmagens.
Primeiro longa-metragem de Carolen Meneses, Abya Yala: Raízes do Futuro acompanha uma cidadã do ano 3000 que viaja até 2028 para resgatar a semente da única árvore luminosa capaz de regenerar a flora de seu tempo. Para cumprir a missão, ela precisa convencer uma de suas ancestrais de que o futuro da humanidade depende dessa semente.
Carolen trabalha na história desde o final de 2022. Durante as consultorias, avançou na estrutura do roteiro e no aprofundamento da trajetória das personagens. “O EGBÉ LAB nos coloca em um lugar seguro para falar sobre as nossas narrativas”, afirmou a cineasta. Atualmente, ela se dedica ao estudo da linguagem cinematográfica e à busca por soluções de produção, considerando orçamento, profissionalização da equipe, condições de trabalho e realização das cenas previstas no roteiro. A diretora também pretende preparar o longa para circular em festivais nacionais e internacionais.
A Partilha levou as discussões desenvolvidas no laboratório a outros profissionais do audiovisual. Entre os participantes, o encontro provocou reflexões sobre o tempo necessário para desenvolver uma obra, a relação entre criação e viabilidade e a importância de receber diferentes leituras durante a elaboração de um projeto. O cineasta Andrei Ferreira, que também desenvolve um roteiro de longa-metragem, afirmou que as conversas sobre locações, orçamento e direção de arte levantaram questões que pretende incorporar à reescrita de seu trabalho.
Para João Brazil, produtor executivo do EGBÉ LAB e diretor institucional do Instituto EGBÉ, a atividade ampliou a dimensão coletiva da formação. “A Partilha é um espaço de compartilhar processos, dúvidas, descobertas e caminhos de criação”, definiu. Segundo ele, o contato com as experiências das cineastas permite que outros profissionais reconheçam possibilidades para suas obras e reflitam sobre escolhas técnicas e modos de fazer cinema.
O EGBÉ LAB foi criado a partir da observação do crescimento e da diversidade do cinema negro sergipano, impulsionados, segundo João Brazil, pelas políticas públicas federais. A iniciativa buscou contribuir para o amadurecimento artístico e técnico das duas obras e para sua inserção no mercado audiovisual. Com o encerramento do ciclo, o Instituto EGBÉ pretende utilizar a experiência também para aprimorar futuras iniciativas de formação e ampliar as ações voltadas ao desenvolvimento do audiovisual negro em Sergipe.