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Aracaju (SE), 30 de janeiro de 2026
POR: José Lima Santana - jlsantana@bol.com.br
Fonte: José Lima Santana
Em: 20/11/2016 às 01:54
Pub.: 21 de novembro de 2016

FRANCISCO: UM PAPA NÃO BEM ACEITO? :: Por José Lima Santana

José Lima Santana(*)  jlsantana@bol.com.br

José Lima Santana (Foto: arquivo pessoal)

José Lima Santana (Foto: arquivo pessoal)

A Igreja Católica, como qualquer outra instituição formada por homens e mulheres, é complexa, não tendo, por conseguinte, uma composição unívoca. Ao longo dos séculos a Igreja foi se firmando e se afirmando como uma entidade poderosa, que regrou a vida ocidental e influenciou as mais diversas áreas da vida social. Apesar dos cismas (dos ortodoxos, dos protestantes etc.), a Igreja Católica ainda conseguiu e consegue ter uma voz muito ativa no contexto mundial. Não seria para menos, dada à numerosidade de seus fieis e ao poder de persuasão que ela ainda mantém pelo mundo afora.

Nos últimos tempos, após ter perdido o poder temporal, com a tomada dos estados pontifícios, reduzindo-se o território da Igreja ao diminuto Estado do Vaticano, através do Tratado de Latrão, celebrado em 1929, a Igreja ainda tentou mostrar-se sob uma forma imperial, majestática. Ainda há quem aspire ver no Sumo Pontífice o rei de uma Igreja esplendorosa, uma espécie de semideus, o que, para o contexto do Evangelho de Jesus Cristo é, deveras, um contrassenso. Afinal, o próprio Jesus disse: “O Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. E mais: “Eu não vim para ser servido, mas para servir”. Dentre outros ensinamentos que nem todos os cristãos até hoje conseguem assimilar, proclamar e viver.

Eis que o conclave, em 13 de março de 2013, foi buscar o sucessor de Pedro no “fim do mundo”, como disse o próprio cardeal Jorge Mario Bergoglio, que escolheu ser Francisco em homenagem ao Santo de Assis, outro que, mesmo tendo riquezas paternas, optou por não ter onde repousar a cabeça. O Papa Francisco demonstra claramente ser adepto do Evangelho de Cristo. É aí, então, que os seus detratores, muitos dos quais situados dentro da própria Igreja Católica, e alguns com postos de destaque, não o têm em grande consideração, ou em nenhuma consideração. Infelizmente.

Ora, os católicos, clérigos, nos diversos graus, e leigos que não aceitam Francisco, ou o seu modo de ser, contraditam a Doutrina da Igreja, a Tradição Apostólica e as Sagradas Escrituras. Entendem os católicos que a eleição do Papa é inspirada pelo Espírito Santo. Se o Papa eleito não é aceito, das duas uma: não se aceita a decisão dos cardeais inspirada pelo Espírito de Deus, ou o Espírito não inspirou a decisão dos cardeais. Tem mais uma opção: o Papa desvirtuou-se do seu múnus. Porém, nesta terceira opção eu não creio. Sob nenhuma hipótese. A vida simples de Francisco choca aqueles católicos que preferem ver no Papa o rei de uma Igreja terrena triunfante, esplendorosa. E a Igreja é triunfante, sim. É esplendorosa, sim. Todavia ela o é como mensageira do amor de Jesus, depositária e anunciadora da Palavra de Deus. Não há outro triunfo. Não há outro esplendor. O triunfo e o esplendor a Deus pertencem. O Papa Francisco é desta Igreja. Da Igreja cujos membros não devem ter onde repousar a cabeça. Que deve estar sempre “em saída”, para levar o Cristo Vivo a cada irmão e a cada irmã, nas periferias geográficas e nas periferias existenciais. Irmãos e irmãs por vezes tão carentes de tudo: de Deus e dos bens materiais indispensáveis para ter-se uma vida digna. “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”, disse o Verbo que se fez carne e habitou entre nós.

Argumentam que Francisco não é teólogo. Quantos Papas não foram teólogos, na essência da palavra? O Papa deve ser isto, sim, pastor. Pastor universal. Como Pedro, que não tinha instrução, mas a ele coube comandar os discípulos após a ascensão de Jesus Cristo à glória dos céus. É nisto que os católicos acreditam. Francisco é simples. Vive simplesmente. Fala com simplicidade, tão perto do povo, para a melhor compreensão do povo. As suas encíclicas e mensagens não têm profundidade teológica? Quantas besteiras são ditas por aí, tentando macular Francisco! Os seus escritos e as suas falas têm, sim, cunho teológico, mas numa linguagem a todos compreensível. Ele fala para o povo de Deus, e não para uma elite farisaica. Os fariseus ainda estão por aí. Na Igreja, inclusive.

Os que estão contrariados com o jeito de Francisco deveriam dobrar os joelhos e rogar a Deus para que dê a ele, o Papa, vida longa e saudável, firmeza, sabedoria e discernimento. Que lhe inspire a continuar assim: sendo, antes de tudo, o servo dos servos de Deus. Este, sim, o mais belo título que o sucessor de Pedro ostenta. O servo maior foi o próprio Jesus Cristo, que já nasceu servo, posto numa manjedoura como para anunciar ao mundo o seu modo de vida e o modo de vida dos seus seguidores: o despojamento, a simplicidade, a luta pela igualdade, a denúncia contra toda injustiça e toda opressão. Enfim, a luta contra o pecado. O zelo pela casa do Pai.  

Os católicos contrariados com Francisco deveriam colocar-se no lugar do bom samaritano ou daquela samaritana que deu de beber a Jesus no poço de Jacó, naquele dia em que Ele se sentia tão fatigado e, por isso mesmo, sedento. Porém, era Ele quem tinha a água que quem a bebesse nunca mais teria sede. Até cardeais, agora, interpelam o Papa publicamente, quando o deveriam fazer internamente e de forma digna! Os católicos que não aceitam o modo de Francisco conduzir o seu pastoreio parece que ainda não beberam dessa água. Que Deus me perdoe. E que eu esteja absolutamente errado nisto que afirmo.

Por outro lado, parte considerável da imprensa, tangida sabe-se lá por quais interesses (servir, por exemplo, para atiçar a contrariedade de católicos para com Francisco, ou de grupos poderosos, política e economicamente, que contestam as palavras do Papa em defesa dos mais pobres, como Jesus o fez?), têm interpretado as palavras de Francisco como bem querem, não raramente fugindo à realidade do que ele tem dito. Isto já se tornou recorrente. Há certos grupos com vozes na imprensa mundial, que querem que a Igreja mude de posição em face de certos comportamentos sociais. A Igreja defende e anuncia um modo de vida lastreado na Palavra de Deus. Se isto já não serve para algumas pessoas, não há muito que fazer. A Palavra não se ajusta aos comportamentos. Os comportamentos devem se ajustar à Palavra. Ou não. Cada um é livre para fazer suas escolhas. Contudo, nem toda escolha deve ser acolhida. Deve, sim, ser respeitada. O respeito é cabível em todo tempo e lugar. Inclusive, quanto ao pensamento de quem pensa o contrário disto ou daquilo. Quem respeita, acolhe. Acolher a todos, como Jesus acolheu os pecadores, embora Ele abominasse o pecado: “Vai, e não tornes a pecar”, foi o que ele disse à mulher adúltera, após perdoar-lhe os pecados.

Francisco foi o escolhido no conclave de 2013. Ele é o líder espiritual de todos os católicos. O Espírito Santo não errou, até porque Ele não erra, ao conduzir os cardeais a escolher o cardeal de Buenos Aires, para suceder ao cardeal Ratzinger, o Papa emérito Bento XVI. Salve Francisco, o homem que foram buscar no fim do mundo, para anunciar ao mundo inteiro de modo simples o que Jesus ensinou e viveu de modo muito mais simples ainda!

(*) DIÁCONO. ADVOGADO. PROFESSOR DA UFS. MEMBRO DA ASL DA ASLJ E DO IHGSE.
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