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Aracaju (SE), 14 de abril de 2026
POR: Rodrigo Alves
Fonte: Rodrigo Alves Assessoria de Imprensa
Em: 13/04/2026 às 22:47
Pub.: 13 de abril de 2026

Agonorexia: psiquiatra Dra. Ana Raquel Santiago explica termo que alerta para riscos do uso indiscriminado de canetas emagrecedoras

Dra. Ana Raquel psiquiatra de transtornos - Foto: Divulgação

O avanço e a popularização dos medicamentos utilizados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 — conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” — têm levantado um novo alerta no campo da saúde mental e dos transtornos alimentares. Um termo recente, ainda não oficialmente reconhecido pelos manuais diagnósticos internacionais, começa a ganhar espaço no debate médico: agonorexia.

A expressão tem sido utilizada para descrever um quadro caracterizado pela perda de apetite induzida por medicamentos, especialmente aqueles que atuam nos mecanismos de saciedade do cérebro, como os agonistas do receptor de GLP-1. 

Embora esses fármacos tenham eficácia comprovada quando utilizados com indicação médica adequada, especialistas alertam para os riscos do uso indiscriminado, muitas vezes motivado apenas por pressões estéticas.

De acordo com a psiquiatra Dra. Ana Raquel Santiago, especialista em transtornos alimentares, CEO do Instituto Nova Essentia, o termo surge para descrever um fenômeno clínico que começa a ser observado com maior frequência na prática médica.

“A agonorexia tem sido usada para descrever situações em que a perda de apetite provocada por medicamentos leva a padrões alimentares extremamente restritivos, semelhantes aos observados em transtornos alimentares clássicos. 

Embora ainda não seja um diagnóstico formal, o conceito chama atenção para um comportamento que merece cuidado e acompanhamento médico”, explica.

Nos últimos anos, medicamentos como semaglutida e tirzepatida passaram a ganhar notoriedade nas redes sociais e em ambientes fora do contexto clínico, impulsionando uma busca crescente por soluções rápidas para emagrecimento. 

O problema é que o uso sem avaliação médica pode trazer consequências físicas e psicológicas importantes.

A Dra. Ana Raquel ressalta que, quando utilizados sem indicação adequada ou acompanhamento multiprofissional, esses medicamentos podem favorecer uma relação disfuncional com a alimentação.

“Quando o apetite é drasticamente reduzido por medicamentos e a pessoa passa a comer muito pouco, existe o risco de desenvolver um padrão de comportamento alimentar semelhante ao observado na anorexia. 

Isso pode gerar déficits nutricionais, perda excessiva de massa muscular e até agravamento de questões emocionais relacionadas à imagem corporal”, afirma.

Além das alterações alimentares, também há alertas para possíveis efeitos colaterais associados ao uso indiscriminado desses fármacos, como náuseas intensas, distúrbios gastrointestinais, fadiga, além de potenciais impactos metabólicos quando não há monitoramento adequado. 

Outro ponto de preocupação é o efeito psicológico que pode surgir quando o medicamento passa a ser visto como solução única para questões complexas envolvendo alimentação, autoestima e saúde mental.

“O tratamento do peso corporal não pode ser reduzido apenas ao uso de medicamentos. A obesidade e os transtornos alimentares envolvem fatores biológicos, emocionais e sociais. 

Quando se utiliza essas medicações sem acompanhamento, existe o risco de mascarar problemas mais profundos relacionados à relação da pessoa com a comida e com o próprio corpo”, destaca a psiquiatra.

Embora o termo agonorexia ainda esteja em discussão na literatura científica, pesquisadores defendem que ele pode ajudar a chamar atenção para um fenômeno emergente no cenário da saúde contemporânea: o impacto dos medicamentos de emagrecimento na dinâmica dos transtornos alimentares.

Diante desse cenário, médicos reforçam que o uso de medicamentos para emagrecimento deve sempre ser feito com indicação e acompanhamento profissional, dentro de um plano terapêutico que inclua orientação nutricional, avaliação psicológica e monitoramento clínico.

Para Dra. Ana Raquel Santiago, o principal alerta é que saúde e estética não podem ser confundidas.

“O emagrecimento saudável precisa acontecer com equilíbrio e acompanhamento médico. Quando o medicamento passa a substituir completamente a alimentação ou gera medo de comer, estamos diante de um sinal de alerta que precisa ser avaliado com cuidado”, finaliza. 

A psiquiatra também reforça que qualquer mudança significativa no apetite, no comportamento alimentar ou no peso corporal deve ser discutida com profissionais de saúde, evitando automedicação e modismos que podem comprometer a saúde a longo prazo.

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