Falando com a Especialista - Escuta terapêutica para questões da vida real
Vivemos em um tempo em que muitas pessoas sofrem em silêncio.
Pensamentos que insistem, medos que se repetem, rituais que parecem aliviar por instantes, mas aprisionam no longo prazo.
A coluna Falando com a Especialista nasce para isso:
transformar perguntas reais em espaços de escuta, cuidado e consciência emocional.
Aqui, cada pergunta é tratada como no consultório:
com respeito, profundidade e humanidade — sem julgamentos e sem respostas prontas.
Pergunta do leitor
“Suspeito que tenho TOC. Apresento praticamente todos os sintomas: manias, pensamentos obsessivos e intrusivos, medo constante de que algo ruim aconteça se eu não fizer determinadas coisas de um jeito específico e muita ansiedade. Fico confuso sobre por onde começar: devo procurar primeiro um psiquiatra, um psicólogo ou um psicanalista? E como posso melhorar esses sintomas?”
Resposta da especialista
Vou te responder com cuidado, como faria se você estivesse aqui comigo, no consultório.
Antes de tudo, quero te dizer algo importante: suspeitar, observar e buscar ajuda já é um movimento de saúde.
O que você descreve — pensamentos intrusivos, rituais, medo constante e ansiedade — gera sofrimento real. E sofrimento merece escuta, não rótulos apressados nem autocobrança.
Na prática clínica, não pensamos em “quem procurar primeiro” como uma regra fixa, mas em como cuidar melhor de você neste momento da sua vida.
- O psiquiatra avalia se existe necessidade de medicação para reduzir a intensidade da ansiedade e dos pensamentos obsessivos, especialmente quando eles estão muito invasivos, exaustivos ou interferindo na rotina.
- A psicanálise trabalha o sentido desses sintomas:
porque esses pensamentos surgem,
o que eles tentam controlar,
o que está em jogo no medo, na culpa ou na necessidade de certeza absoluta.
Muitas vezes, esses dois cuidados caminham juntos — e isso não significa gravidade. Significa responsabilidade com o seu bem-estar.
Sobre “como melhorar”, é importante compreender algo fundamental:
na psicanálise, não lutamos contra o pensamento.
Nós escutamos o que ele está tentando proteger.
O sintoma não surge do nada. Ele costuma ser uma tentativa inconsciente de lidar com angústias profundas, excesso de responsabilidade emocional, medo de errar, de perder o controle ou de causar algum dano.
Ao longo do processo terapêutico, de forma gradual e respeitosa:
· a ansiedade começa a diminuir,
· os pensamentos perdem força e urgência,
· e você passa a construir uma sensação de segurança interna, sem depender tanto dos rituais para se acalmar.
O mais importante agora é você não enfrentar isso sozinho e não se autodiagnosticar com dureza.
Existe tratamento. Existe caminho.
E esse caminho começa pela escuta.
Se sentir que é o momento, podemos conversar com calma e avaliar juntos qual é o melhor cuidado para você nesta fase da sua vida.
Encerramento da coluna
Se você se reconheceu nesta resposta, saiba:
isso não é fraqueza — é um sinal de que algo dentro de você pede cuidado.
Buscar ajuda é um gesto de maturidade emocional e responsabilidade consigo mesmo.
Quando a dor encontra escuta, o caminho começa a se abrir.
Sobre a especialista
Erenita Sousa
Psicanalista | Mentora Sistêmica | Terapeuta Integrativa
Atua com psicanálise, escuta terapêutica e abordagem sistêmica, auxiliando pessoas em processos de ansiedade, sofrimento emocional, conflitos internos e transições de vida. Seu trabalho integra consciência emocional, cuidado profundo e respeito ao tempo de cada pessoa.
Atendimentos presenciais em Aracaju e online
WhatsApp: (79) 9 9961-5636
Agendamento online: https://www.doctoralia.com.br/z/fTDKFh
Instagram: @erenita_sousa
Coluna: Falando com a Especialista
Publicação especial para o portal Click Sergipe
Categoria: Saúde Emocional | Comportamento | Bem-estar