Crianças que adoecem com frequência precisam de avaliação especializada, alerta a pediatra imunologista e alergista Dra. Camila Budin
Crianças que adoecem com frequência fazem parte da rotina de muitas famílias, especialmente nos primeiros anos de vida. Mas até que ponto essas infecções repetidas são esperadas? Quando é hora de investigar mais profundamente o sistema de defesa do organismo infantil? Para esclarecer essas e outras dúvidas, Dra. Camila Budin, pediatra imunologista e alergista, explica o papel da especialidade, os sinais de alerta e como o acompanhamento adequado pode transformar a qualidade de vida da criança e de toda a família.
Segundo a especialista, a Imunologia Pediátrica é a área da pediatria dedicada ao estudo, diagnóstico e acompanhamento do sistema imunológico da criança. “Nosso papel é avaliar se as defesas do organismo estão funcionando de forma adequada e identificar precocemente possíveis alterações, como imunodeficiências primárias ou secundárias, alergias imunomediadas, bem como doenças auto inflamatórias", explica Dra. Camila.
Quando as infecções deixam de ser normais
É comum que crianças pequenas apresentem infecções respiratórias frequentes, especialmente ao iniciar a vida escolar. No entanto, isso deixa de ser considerado normal quando as infecções são muito repetitivas, graves, prolongadas, exigem internações frequentes ou uso recorrente de antibióticos, ou ainda quando não evoluem como o esperado para a idade.
Entre os principais sinais que merecem atenção estão: infecções de repetição (otites, sinusites, pneumonias), dificuldade de ganho de peso, infecções por germes incomuns, atraso no crescimento, histórico familiar de outros integrantes também com adoecimentos recorrentes ou histórico de óbito abaixo de 2 anos de idade por causa infecciosa ,necessidade frequente de antibióticos intravenosos e internações.
Exposição escolar x imunodeficiência
A médica ressalta que há diferença entre adoecer por exposição escolar e ter uma imunodeficiência. “A criança exposta ao ambiente escolar geralmente apresenta infecções leves, autolimitadas e com boa recuperação. Já na imunodeficiência, as infecções tendem a ser mais graves, recorrentes e com resposta inadequada ao tratamento”, pontua.
Doenças associadas a alterações imunológicas
Infecções respiratórias de repetição, infecções de pele recorrentes, diarreias persistentes, candidíase oral frequente e algumas infecções bacterianas mais graves podem estar relacionadas a alterações do sistema imunológico na infância.
O diagnóstico precoce faz toda a diferença. “Identificar cedo permite iniciar o acompanhamento e o tratamento adequados, prevenindo complicações, sequelas e melhorando significativamente o prognóstico e a qualidade de vida da criança”, afirma a imunologista.
A investigação pode ser feita em qualquer idade, inclusive nos primeiros dias de vida, especialmente quando há sinais de alerta ou histórico familiar sugestivo.
Exames para avaliação imunológica
Os exames variam conforme o quadro clínico, mas podem incluir hemograma, dosagem de imunoglobulinas, avaliação da resposta vacinal, exames específicos de função imunológica e testes genéticos, quando indicados.
Um dos principais equívocos, segundo Dra. Camila, é acreditar que toda criança que adoece com frequência tem “imunidade baixa” ou que suplementos isolados resolvem o problema. “Imunidade é complexa e precisa ser avaliada de forma individualizada”, destaca.
O acompanhamento imunológico adequado reduz infecções, internações, faltas escolares e o estresse familiar. “Quando a criança melhora, toda a família melhora junto”, resume a médica.
Tratamento: medicamentos e estilo de vida
O tratamento nem sempre é apenas medicamentoso. Pode envolver imunizações específicas, uso criterioso de medicamentos, além de orientações sobre alimentação equilibrada, sono adequado, prática de atividades físicas e controle do estresse.
Como os pais podem ajudar no dia a dia
Manter a vacinação em dia, oferecer uma alimentação saudável, garantir boas noites de sono, estimular hábitos de higiene e buscar avaliação médica diante de sinais persistentes são atitudes fundamentais para fortalecer a imunidade infantil.
Para Dra. Camila Budin, o mais importante é a informação de qualidade. “Pais atentos e bem orientados fazem toda a diferença. A Imunologia Pediátrica existe para investigar, orientar e cuidar, garantindo que cada criança tenha a chance de crescer com saúde e segurança sem restrições desnecessárias “
A entrevista reforça a importância de olhar além do “normal da infância” e buscar avaliação especializada sempre que algo foge do esperado. Informação e acompanhamento adequado são aliados essenciais na promoção da saúde infantil.
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