Gripe K: Dra. Mariela Cometki reforça alerta com a aproximação do Carnaval
A poucas semanas do Carnaval, os bloquinhos já começam a movimentar multidões em Sergipe e em todo o Brasil. O período marcado por viagens, blocos lotados e longas horas de convivência em aglomerações, fazem autoridades de saúde e especialistas reforçarem o alerta para a influenza e para a chamada “gripe K”, termo popularizado para se referir a um subclado do vírus Influenza A (H3N2) que vem sendo monitorado em diferentes regiões do mundo e já teve identificação laboratorial no Brasil.
Em Sergipe, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirma que não há confirmação de circulação do subclado no estado até o momento, mas destaca que a vigilância segue intensificada com apoio do Lacen/SE.
O que é a “gripe K” e por que ela entrou no radar
Segundo o Ministério da Saúde e a rede de vigilância, a “gripe K” não é um novo vírus, mas uma variação genética do Influenza A (H3N2), identificada em análises de vigilância laboratorial e genômica. Em informe nacional, o Ministério registrou que amostras do estado do Pará apresentaram os subclados K e J.2.4 do H3N2, em um contexto de circulação internacional dessas variantes.
Em Sergipe, a SES informou que o Lacen/SE realiza monitoramento diário, com sequenciamento genético de amostras com alta carga viral para influenza e Sars-CoV-2, e que não houve detecção do subclado K no estado até novembro, na data da publicação do comunicado.
Carnaval e gripe: por que a folia pode impulsionar a transmissão
Especialistas e órgãos de saúde são categóricos: aglomeração, contato próximo, viagens e ambientes pouco ventilados criam condições ideais para a disseminação de vírus respiratórios, inclusive a influenza. As recomendações de saúde pública indicam que pessoas com sintomas respiratórios evitem eventos e adotem etiqueta respiratória para reduzir a transmissão após a folia.
Na prática, o Carnaval pode funcionar como um “acelerador” de surtos: um folião com sintomas leves pode transmitir para várias pessoas em poucas horas, e parte dos infectados pode evoluir com complicações — especialmente idosos, gestantes, crianças pequenas e imunossuprimidos.
Para Dra. Mariela Cometki, infectologista, referência em imunidade, não há sinais clínicos específicos que permitam diferenciar a chamada “gripe K” de outras gripes, isso é possível apenas pelo exame clínico.
“A confirmação depende de testagem e vigilância laboratorial. Os sintomas se confundem com os da gripe comum, o foco deve estar em prevenção, vacinação e responsabilidade ao circular quando sintomático, sobretudo em períodos de grandes eventos. Atenção para febre, tosse, dores no corpo, mal-estar e cansaço. A orientação é procurar assistência imediata diante de piora rápida ou dificuldade para respirar”, explica a médica.
Como reduzir o risco no pré-Carnaval e durante a folia
• Vacina em dia: a vacinação contra influenza é a principal medida para reduzir formas graves e internações.
• Evite ir doente: se estiver com sintomas, prefira repouso e evite blocos e festas.
• Etiqueta respiratória: tossir/espirrar no antebraço, higienizar as mãos com frequência e evitar contato próximo quando sintomático.
• Máscara em locais lotados: especialmente para grupos de risco, pode reduzir a exposição, sobretudo em ambientes fechados.
Retrato nacional: influenza lidera mortes virais por SRAG em 2025
Dados oficiais do Ministério da Saúde evidenciam o impacto das infecções respiratórias graves no país. Em 2025, até a Semana Epidemiológica 49, foram 115.229 casos hospitalizados de SRAG com identificação de vírus respiratórios. Nas semanas recentes analisadas (SE 46 a 49), houve predomínio de rinovírus (36%) e influenza (22%) entre os casos com vírus identificado.
No recorte de óbitos com diagnóstico viral no mesmo período, o informe aponta 6.383 mortes, com destaque para Influenza A (37%) e Sars-CoV-2 (32%), reforçando que, mesmo fora dos “picos clássicos” do inverno, a influenza segue relevante para hospitalizações e mortes.
Sergipe: sem confirmação do subclado K, mas com atenção redobrada
A preocupação local se soma ao histórico recente de impacto das síndromes respiratórias. Em 2025, Sergipe registrou 60 mortes por SRAG até 5 de julho, segundo informações atribuídas pela imprensa à SES; idosos e crianças pequenas concentraram a maior parte dos casos graves.