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Aracaju (SE), 17 de julho de 2026
POR: Edjane Oliveira
Fonte: Assessoria João Daniel
Em: 28/06/2021 às 19:06
Pub.: 29 de junho de 2021

Impactos da privatização da Petrobras nas regiões Norte e Nordeste são debatidos em audiência pública na Câmara

A perda de empregos é um dos impactos do processo de privatização da Petrobras, principalmente para os estados das regiões Norte e Nordeste. No período de 2013 a 2020, houve uma redução de 65% no número de trabalhadores próprios da Petrobras nessa região, enquanto nos estados da região Sudeste esse percentual ficou em menos 26%. Quando se trata de trabalhadores terceirizados no Norte e Nordeste, no mesmo período a perda de empregos ficou em mais de 22 mil, o que representa uma redução de 48%.

Deputado federal João Daniel (Imagem: Assessoria João Daniel)

Deputado federal João Daniel (Imagem: Assessoria João Daniel)

Esses dados sobre o emprego foram apresentados pelo representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cloviomar Cararine Pereira, durante a audiência pública que debateu os impactos da privatização da Petrobras nas regiões Norte e Nordeste, realizada na tarde desta segunda-feira, dia 28, na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra) da Câmara. O debate foi uma proposição dos deputados federais João Daniel (PT/SE)  e José Ricardo (PT/AM). Para o pesquisador, essas informações sobre a perda de empregos só reflete a nova estratégia da gestão da estatal em esvaziar suas ações no Norte e Nordeste e concentrá-las no Sudeste.

Ele ressaltou que este não é um debate de uma empresa ou setor qualquer, mas de uma estatal construída ao longo da história pelo povo brasileiro e um setor que é estratégico no mundo. “Não pode ser feito esse debate a partir de o olhar de uma empresa, mas de qual a melhor estratégia que o país pode tomar para resolver seus problemas históricos. E no Norte e Nordeste o que temos visto é esse esvaziamento do setor nessas regiões”, destacou.

Segundo ele, essa estratégia vem sendo adotada mais fortemente a partir do final de 2014, inicialmente com o argumento de que seria para a redução da dívida (que nunca diminui por ser em dólar), depois por maior concorrência e mais recente para focar apenas nos setores especializados e mais rentáveis. Ele apontou que somente nos estados do Norte e Nordeste já foram vendidos 104 campos de petróleo e gás natural e estão à venda outros 81 campos, além da venda de uma refinaria e outras quatro estão à venda.

Defesa da soberania nacional
O deputado João Daniel ressaltou que o que se observa hoje é que uma empresa que foi criada para o desenvolvimento nacional, que gerou empregos, mudou a economia da região Nordeste, em especial estados como Sergipe, vive sua desativação, com venda de suas empresas, como ocorreu com a Fafen, e refinarias, desestruturando os municípios onde estava instalada. “Defendemos o Brasil, a soberania nacional e empresas como a Petrobras e é neste sentido que queremos agradecer a presença de todos que participam dessa audiência, porque este é um debate fundamental para o Brasil, para a população brasileira e para a nossa região nordeste”, disse.

O deputado José Ricardo enfatizou que é muito importante que se reflita sobre as consequências da privatização da Petrobras. Com relação à Amazônia, ele destacou a importância das empresas e os investimentos feitos na região ao longo da história que contribuíram para desenvolver o Amazonas e muito mais ainda precisa ser feito. “E com a ideia da privatização parte dessa estrutura já foi privatizada, o que nos deixa muito preocupados, especialmente com a situação dos trabalhadores. Não acreditamos que uma vez privatizado, o setor privado vá fazer um grau de investimento olhando uma realidade como a nossa na Amazônia, do mesmo jeito que o poder público fez, por uma questão estratégica”, alertou.

A audiência pública teve também a participação do secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, representando o Ministério de Minas e Energia, José Mauro Ferreira Coelho; do gerente executivo de Estratégia da Petrobras, Rafael Chaves Santos; o, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), William Nozaki; o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros FUP), Deyvid Bacelar; e o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do estado do Amazonas – (Sindipetro/AM), Marcus Ribeiro.

Mais investimentos?
Os participantes representantes do governo federal tentaram justificar a mudança estratégica de desinvestimento da empresa nas regiões Norte e Nordeste. O secretário José Mauro Coelho explicou que a Petrobras foca seus investimentos em ativos mais rentáveis e do porte da empresa, justificando que os desinvestimentos aumentaram a capacidade da empresa de investir em ativos de classe mundial e que levam à abertura do mercado e a maior concorrência, com benefícios para o consumidor, e que esses desinvestimentos da Petrobras estão alinhados ao planejamento estratégico da empresa e às políticas públicas existentes.

Já o gerente executivo de Estratégia da Petrobras, Rafael Santos, falou sobre o plano de realocação estratégica de investimentos da empresa e que sobre as regiões Norte e Nordeste a Petrobras vai desinvestir para investir mais e melhor com novos desafios para exploração em águas profundas. Segundo ele, para Sergipe, serão mais de 10 bilhões em investimentos da Petrobras na produção em águas profundas.

No entanto, o coordenador-técnico INEEP, William Nozaki, a Petrobras tem levado uma estratégia de concentrar em ativos de classe mundial, se convertendo numa empresa regional, operando no eixo rio São Paulo. Para ele, o grande questionamento é que como uma empresa dita ineficiente organizou pacotes de investimentos 43 bilhões em 2010 levando à descoberta do pré-sal. “Essa descoberta tão enaltecida hoje ela jamais teria acontecido se estivesse em curso na década passada a estratégia atual”, frisou.

O coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, alertou que todas as refinaras do Brasil foram construídas pela Petrobras, mesmo desde a quebra do monopólio em 1997 e as empresas privadas que aqui vieram explorar não construíram uma sequer. Ele destacou todos os aspectos que levaram ao ataque à Petrobras nos últimos anos, a exemplo da Operação Lava-Jato que quebrou a indústria naval e levou à perda de milhares de empregos. “Mas essa empresa histórica e criada a partir de uma grande manifestação popular durante a campanha o ‘Petróleo é Nosso’, ela vai superar esse governo entreguista, que tem militares em nove ministérios e na presidência de empresas públicas estatais e conselhos de administração de estatais e que estão ajudando na destruição das nossas empresas. Mas vamos superar isso como superou as privatizações e superou a lava-jato. Em nome desses trabalhadores que constroem essa história de superação da empresa, não irão destruir a Petrobras”, afirmou.

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