Aracaju (SE), 25 de janeiro de 2026
POR: Juliano Souto
Fonte: Só Sergipe
Em: 27/03/2023
Pub.: 12 de junho de 2023

Reforma tributária PEC 45/110: Remendo novo em roupa velha :: Por Juliano Souto

? preciso criar novas bases para um sistema tributário que desonere quem precisa, e dê liberdade de empreender à sociedade, acredita Juliano Souto - Foto: Só Sergipe

? preciso criar novas bases para um sistema tributário que desonere quem precisa, e dê liberdade de empreender à sociedade, acredita Juliano Souto - Foto: Só Sergipe

Juliano Souto*

Na condição de vice-presidente da Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores), tenho tido a oportunidade de coordenar junto com o competente escritório de advocacia Dessimoni e Blanco, o comitê jurídico Abad que, além de outras atividades, realiza mensalmente o Webinar Jurídico.

Na última quinta-feira, 16, recebemos como convidado especial o deputado Luiz Phillipe Orleans e Bragança PL/SP que nos mostrou de forma clara, simples e bem fundamentada os equívocos e certeza do fracasso das propostas de reforma atualmente em “moda” no Parlamento, agora como bandeira do atual governo. São elas: PEC 45 e PEC 110.

Pontos contrários são altamente centralizadores num país federativo e desigual como o Brasil, aprofundando as desigualdades regionais e aumentando a dependência do governo central. Há proposta de alíquota modal extremamente alta, prometendo “cash back” para menores rendas. Ou seja, o cidadão de baixa renda vai financiar o governo na promessa de receber de volta, ao invés de termos carga tributária menor nos produtos e serviços essenciais, conforme prevê a constituição.

E não toca nos maiores problemas do sistema tributário brasileiro:

Sonegação;

Simplificação;

Não enfrenta a necessidade de mudança da base de tributação, face ao mundo virtual enfrentando de forma precisa o chamado “contrabando digital”;

Insiste no equívoco de concentração a tributação numa base passada: “circulação de mercadorias”, quando no mundo de hoje e do futuro o que realmente deve ser tributado são as riquezas e a movimentação destas;

Não faz uma reforma completa e, sim, a União intervém de forma profunda nos impostos de competência estadual e municipal sem cuidar primeiro daqueles que estão sob sua competência que são extremamente complexos e de caráter questionável ( PIS/ Cofins / lucros e dividendos);

Não estimula a geração e formalização de empregos; de fato não aborda um gravíssimo problema brasileiro: tributação e outros encargos setoriais (Sistema S, etc.) que incidem sobre a folha de pagamentos o que estimula a informalidade e formas precárias de trabalho;

Inexistência de análise do impacto econômico:

Setor produtivo (espera simplificação e carga mais competitiva) X Estado (busca aumento das fontes de arrecadação).

Alternativas:
- PLP178 já aprovado pela Câmara de deputados agora em análise no Senado que tem vantagens expressivas tais como:
Poderá haver uma redução de cerca de R$ 181 bilhões em custos operacionais oriundos da burocracia excessiva do sistema tributário brasileiro.
- A simplificação das obrigações tributárias acessórias.
- A criação do Estatuto Nacional da Simplificação de Obrigações Tributárias Acessórias representa um importante passo para a desburocratização do estado e para a geração de empregos e renda, uma vez que, a partir da aprovação da proposta, a quantidade de documentos fiscais deverá ser reduzida, além de ampliada a segurança jurídica e a capacidade produtiva das empresas.
- A instituição da Nota Fiscal Brasil Eletrônica (NFB-e) e da Declaração Fiscal Digital (DFD). Segundo a AFRAC, atualmente existem nove formatos diferentes de documentos eletrônicos, com custos de manutenção custa mais de R$ 36 bilhões ao ano. Há, também de acordo com a entidade, mais de mil formatos diferentes de Nota Fiscal de Serviços eletrônica.
- Unifica cadastros fiscais no Registro Cadastral Unificado (RCU).

PEC 07/20

De autoria do deputado acima citado, tramita na Câmara e altera todo o sistema tributário brasileiro.

Vantagens:
Cria apenas três classes de impostos (sobre renda, consumo e propriedade), que poderão ser cobrados ao – mesmo tempo – por União, estados, Distrito Federal e municípios.

Se inspira no modelo mais eficaz de estados federativos no mundo – EUA.

Os estados e municípios têm autonomia para instituir a classe de tributos que acharem mais conveniente, de acordo com as necessidades dos serviços locais.

Deixariam de ser cobrados imposto sobre exportações, contribuições previdenciárias sobre folha de pagamentos, salário-educação e contribuições de intervenção no domínio econômico (as Cides).

As contribuições ao Sistema S (como Senai e Senac) passariam a ter natureza voluntária.

Objetivo

Esse simples resumo, sem maiores pretensões de aprofundar tecnicamente o tema, visa conclamar as lideranças empresariais e a sociedade para a importância do debate profundo deste tema, não da forma que está, no qual as “PECs escolhidas” eliminam o debate das demais propostas em discussão, afunilando o debate em quem ganha e quem perde arrecadação e suas possíveis compensações sem encontrar soluções, de fato, efetivas e duradouras para um dos principais problemas nacionais: carga tributária acima de nossa capacidade econômica mal distribuída, complexa, alto custo arrecadatório, sem segurança jurídica e insuficiente para financiar o tamanho do estado “provedor” que a cada momento intervém na sociedade e entrega serviços de baixíssima qualidade …

Não é hora de pôr remendo novo em roupa velha e sim de criar novas bases para um sistema tributário que desonere quem precisa, e dê liberdade de empreender à sociedade.

O texto acima é minha livre interpretação dos artigos abaixo, portanto pode não refletir exatamente a mensagem dos autores ou entidades que este participa. Você pode acessar aos textos originais em:

Proposta altera sistema tributário para dar autonomia a estados e municípios
Por dentro das leis
Projeto de Lei Complementar n° 178, de 2021
Reforma tributária – sugestões
IBS pode encarecer feijão e baratear carro
Abras
Políticos chamam Shein e Shopee de ‘contrabando digital’ e pedem taxação
Flávio Rocha critica tributação sobre consumo e volta a defender microimposto

*Estanciano, 59 anos, administrador de empresas graduado de Faculdade de Administração de Brasília com MBA em gestão empresarial pela FGV. Atua como sócio Administrador da empresa Fasouto no setor atacadista distribuidor e auto serviço. Líder empresarial exercendo, atualmente, o cargo de vice-presidente da ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores)


Notícias Indicadas

Falta de lei não impede redução de jornada de servidor com filha autista

The Beatles Reimagined retorna aos palcos com espetáculo imersivo no Teatro Tobias Barreto

"Aracaju Tropical Run 2026” agita capital em corrida na praia

Benito Di Paula em Aracaju com a turnê "Do Jeito que a Vida Quer"

OAB/SE prorroga prazo de regularização para garantir descontos na anuidade 2026

Madereta de Lagarto apresenta programação da 12ª edição

Propriá realizará a maior Romaria e Festa de Bom Jesus dos Navegantes do estado

Boleto do IPTU pode ser impresso no Portal do Contribuinte

Conheça os melhores destinos em Sergipe - Pontos Turísticos

Prefeitura de Aracaju prorroga prazo da cota única do IPTU com desconto de 7,5% até 6 de fevereiro

Maior exposição de tubarões do Brasil chega a Aracaju

Entenda mudanças na aposentadoria em 2026

Fusqueata em comemoração ao Dia Nacional do Fusca acontece domingo (25) em Aracaju

Fazer comunicação em um mundo em mutação :: Por Shirley Vidal

Veja faixas e alíquotas das novas tabelas do Imposto de Renda 2026

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação