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Aracaju (SE), 31 de janeiro de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 04/10/2025
Pub.: 06 de outubro de 2025

Distopia: Um Mundo Tenebroso :: Por José Lima Santana

José Lima Santana*

Pe. José Lima Santana

“Distopia é uma sociedade imaginária onde a vida das pessoas é infeliz, opressiva e desumana, geralmente caracterizada por um regime totalitário, degradação ambiental ou controle tecnológico excessivo. É o oposto da utopia (um lugar perfeito) e serve como uma crítica social, explorando cenários pessimistas para alertar sobre tendências negativas no presente e no futuro, comumente posto na literatura e no cinema de ficção científica”. Bem. Esse aí é, dentre muitos, um conceito possível de distopia.

Se, na Inglaterra, Thomas Morus (1478-1535) nos deu a “Utopia”, obra que vara os tempos, e o dominicano italiano Tommaso Campanella (1568-1639) nos deixou “A Cidade do Sol”, que também venceu os tempos, as distopias, por seu lado, vêm se sucedendo, igualmente varando os tempos e os espaços, agitando, sob variadas formas, o mundo de hoje. A distopia tem muitas feições. Feias. Tenebrosas. 

A desumanidade das pessoas pode ser vista, por exemplo, a partir da polarização que gera o embate bruto, o ódio, a falta de perspectiva em torno da solidariedade, do respeito às escolhas de todas as pessoas. Isso está centrado na vida política, especialmente na mais recente, entre nós e em algumas partes do mundo. 

A distopia vive nos espaços políticos, com agitações entre mandatários e seus seguidores, em lugares esportivos com o acirramento entre torcedores, aqui ou alhures, e também na vida religiosa, na intolerância entre cristãos de diversas denominações, entre cristãos e membros de outros segmentos religiosos não cristãos, mas, também, e, infelizmente, no seio da própria Igreja Católica, com embates declarados ou camuflados entre segmentos clericais e/ou laicos. Aliás, há, no Brasil, segmentos laicos ultraconservadores, que se têm levantado com organização e fúria digital, querendo se sobrepor às instituições eclesiais, até mesmo ao Primado do sucessor de Pedro. 

Como padre, na Igreja Católica assustam-me certas devoções que estão beirando a uma idolatria disfarçada. Há delírios terríveis. Há lavagens cerebrais desconcertantes. Há líderes religiosos que estão se “mitificando”, pondo-se por cima da própria estrutura institucional da Igreja. E, o pior, há bispos coniventes ou silentes com muitas situações que caminham ao arrepio da normalidade, qual seja o tripé em que se sustenta a Igreja: a Palavra de Deus, a Tradição Apostólica e o Magistério. 

No último domingo, em São Paulo, acomodado no hotel, assisti ao jogo de futebol entre o Nice e o Paris FC. Meu Deus! Que absurdo! A torcida do Nice cantava músicas homofóbicas, para atingir um jogador contrário. O jogo chegou a ser interrompido pelo árbitro, mais de uma vez. Deveria ter sido suspenso. Uma vergonha. E isso logo na França, berço da liberdade, da igualdade e da fraternidade, princípios que nortearam as ações libertárias pelo mundo afora, desde a Queda da Bastilha. Pode-se até não aceitar determinados comportamentos pessoais de A ou B, mas o respeito deve prevalecer. Quantos jogadores de futebol têm sido vítimas de racismo, essa vergonhosa lepra social? A distopia adentrou aos estádios de futebol há muito tempo.

Por aqui, as distopias vão se espalhando. Mais um péssimo exemplo: um deputado federal por São Paulo, pregou, recentemente, a divisão do Brasil em Brasil do Norte e Brasil do Sul. Coitado. Um desserviço prestado à unidade política da nossa Federação, que é cláusula pétrea, na forma da nossa Constituição. O deputado deve saber disso, mas o seu instinto distópico levou-o a tamanha besteira. O desvario dele tem raiz em sua disforme ideologia política. As ideologias podem até ser respeitadas, de direita ou de esquerda, mas os desvarios devem ser combatidos. De todos os lados. 

Em um podcast, disse o tal deputado: “Vamos dividir o Brasil? A gente recorta Norte e Nordeste, passa a ser Brasil do Norte. E todos os estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul passam a ser Brasil do Sul”. A indefensável proposta causou surpresa ao entrevistador. Depois, ao tentar justificar-se e sendo fustigado, o parlamentar abandonou nova entrevista, quando a concedia. 

Alguém disse nas mídias digitais: “Ficarei no Brasil certo, o do cuscuz”. Então, viva o amarelinho teimoso! 

*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.


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