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Aracaju (SE), 18 de setembro de 2026
POR: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit
Em: 17/09/2026 às 07:59
Pub.: 18 de setembro de 2026

Professor lança livro sobre saúde emocional de estudantes e o papel da escuta na educação

“Tiro de Misericórdia- O sonho da educação faz o professor” nasceu de uma experiência vivida pelo autor e aborda os desafios que vão além dos limites da sala de aula

Professor lança livro sobre saúde emocional de estudantes e o papel da escuta na educação - Foto: Divulgação

Uma sala de aula nem sempre permanece restrita ao ensino de conteúdos. Uma pergunta, um momento de silêncio ou uma conversa após a aula podem mostrar que, por trás de um estudante, há alguém lidando com dificuldades que não aparecem em provas, notas ou atividades acadêmicas. 

Foi a partir dessa compreensão que surgiu “Tiro de Misericórdia - O sonho da educação faz o professor”, livro recém-lançado pelo professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes (Unit), Rooseman Oliveira Silva.

 
A narrativa apresenta um professor que é chamado para conduzir um curso de inverno destinado a dez estudantes suspeitos de manifestar comportamentos suicidas. O que começa como uma atividade ligada ao ensino toma proporções diferentes quando os alunos desenvolvem desenhos com uma composição matemática que chama a atenção da instituição. 

Diante da suspeita de que aquelas produções possam revelar algo mais grave, o professor passa a investigar a situação e recebe a responsabilidade de tentar impedir que os estudantes atentem contra a própria vida. 

Rooseman compartilhou esse enredo durante o lançamento da obra, ocorrido na sexta-feira, 11, na Biblioteca Central da Unit. O evento contou com a presença de familiares, amigos, professores e membros da comunidade acadêmica, que se reuniram para celebrar a publicação e refletir sobre os temas presentes na história. 

Uma experiência real 

Apesar de construída como uma obra de ficção, a ideia para o livro teve origem em uma experiência vivida pelo próprio professor. Em uma ocasião de sua trajetória docente, um estudante o procurou depois que recebeu as notas de uma disciplina. Rooseman acreditava que a conversa estaria relacionada à avaliação, mas acabou ouvindo um relato que transformou completamente aquele momento. 

“Eu tinha acabado de entregar as notas de uma disciplina e achei que ele ia reclamar da avaliação. Só que ele me chamou para conversar sobre um problema muito mais sério. Ele me chamou e disse: ‘Professor, eu estou com vontade de tirar a minha vida’”, relata. 

Depois daquela revelação, o professor optou por permanecer ao lado do estudante e escutá-lo. O diálogo ocupou toda a tarde e revelou uma situação familiar de extrema fragilidade. Aos 42 anos, a mãe do aluno enfrentava um câncer em estágio terminal, havia perdido a consciência e sofria com espasmos. 

“Desmarquei o que tinha no começo e fiquei conversando, conversando, conversando, até entender que ele realmente tinha um problema sério. Aí, ele pegou o celular e me mostrou. Quando olhei, era a mãe dele. Ela estava com câncer, tinha 42 anos e estava em estado terminal. Ele disse: ‘Professor, não tenho mais estrutura para suportar isso’”, conta. 

A situação também fez Rooseman repensar uma ideia frequentemente associada às gerações mais jovens: a de que os jovens de hoje seriam emocionalmente mais frágeis do que aqueles de outras épocas. Na visão do professor, antes de classificar esse sofrimento como consequência de uma suposta fragilidade, é preciso observar e compreender as realidades que esses estudantes enfrentam. 

“A partir dali, percebi que os alunos tinham muitos problemas, problemas realmente sérios e reais, que precisavam ser melhor compreendidos. Então, aquela ideia de ficar dizendo que ‘essa geração tem mente fraca’, que ‘essa geração não é igual à geração de antigamente’, eu nunca aceitei isso muito bem. Queria investigar e entender, de fato, se é um problema mental dessas novas gerações ou se, realmente, elas estão passando por problemas reais”, explica.
 
Escutar também ensina 

Essa experiência se transforma em um dos eixos de “Tiro de Misericórdia” e conduz a uma questão importante para o autor: quais são os limites da relação entre docentes e estudantes quando as dificuldades enfrentadas ultrapassam o espaço da sala de aula? Na avaliação de Rooseman, não cabe ao professor solucionar todos os problemas de um estudante, mas sua presença pode fazer diferença quando o aluno atravessa uma situação difícil. Nesse sentido, ouvir também pode assumir um papel dentro da própria experiência educacional. 

“Eu espero que o livro possa trazer uma reflexão sobre a importância de fortalecer a relação entre professor e aluno em sala de aula, porque, às vezes, o aluno não sabe a quem recorrer. Ele está com um professor e, se o professor puder dar essa assistência, ainda que não vá resolver o problema, mas puder estar ali com ele, mostrando que ele não está sozinho, acho que já é uma grande contribuição”, afirma. 

A intenção da obra também foi reconhecida por quem acompanhou de perto sua elaboração. Esposa do autor, a servidora Natália Galvão ressaltou o empenho dedicado ao projeto durante mais de um ano, até que o livro fosse concluído. “Eu me sinto muito orgulhosa, porque o Rooseman é um profissional muito dedicado e utilizou muito capricho nesse trabalho. 

Foi um trabalho de mais de um ano de dedicação e comprometimento. Ele é uma pessoa que se dedica muito ao que faz. Então, a gente está muito feliz com o resultado”, afirma. 
Na avaliação de Natália, os assuntos abordados podem alcançar leitores de diferentes perfis por tratarem de questões presentes no cotidiano da educação e das mudanças provocadas pelo universo digital. 

“Com certeza, é uma reflexão que fala um pouco do futuro, do presente, da questão do digital, da relação professor-aluno e da educação para os pais. Então, ele atinge vários públicos para que possam refletir um pouco sobre essas questões”, acrescenta. 

Educação em debate 

Manoel Dantas, professor da Unit e amigo de Rooseman, também considera que o livro consegue aproximar a literatura de uma discussão que continua relevante: a função da educação dentro da sociedade. “A obra do professor Rooseman é formidável porque toca em algo que é próximo a todos nós: a educação, a figura do professor, temas que nunca vão acabar, e a relação entre isso e a própria sociedade”, avalia.
 
Para ele, a história percorre diferentes períodos e leva o leitor a pensar sobre a maneira como a educação e a atuação dos professores são percebidas socialmente. “Ele traz uma narrativa que nos pega de jeito, como um tiro à queima-roupa mesmo, como eu comentei com ele, com noções bem estruturadas na sua verve literária, em que o passado, o presente e o futuro estão em discussão sobre o que é o fato que a gente precisa entender, se a sociedade valoriza ou não esse aspecto educativo”, afirma. 

Rooseman Oliveira Silva também assina “A cidade dos pulmões ofegantes” e “Sementes que ficam”, além de “Tiro de Misericórdia - O sonho da educação faz o professor”. As três obras compõem uma produção literária que aborda diferentes assuntos e propõe ao leitor novos olhares sobre questões humanas e sociais. 

Onde encontrar 

Por enquanto, “Tiro de Misericórdia - O sonho da educação faz o professor” pode ser comprado na Biblioteca Central da Unit, onde os exemplares estão disponíveis diretamente com a editora. Em um segundo momento, a previsão é que a publicação também seja comercializada nas livrarias Escariz e Leitura, de acordo com a disponibilidade e a distribuição realizada pela editora.

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