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Aracaju (SE), 13 de julho de 2026
POR: Gabriel Damásio
Fonte: Ascom Unit
Em: 13/07/2026 às 09:03
Pub.: 13 de julho de 2026

Residentes de Medicina desenvolvem protocolos de atendimento para casos graves

Alunos concluem formação com trabalhos voltados para o manejo de situações clínicas frequentes, contribuindo para a padronização e a qualidade do atendimento à população

Residentes de Medicina desenvolvem protocolos de atendimento para casos graves - Foto: Ascom Unit

Alunos do Programa de Residência em Clínica Médica da Universidade Tiradentes (Unit), no Campus Estância, vêm desenvolvendo uma série de protocolos clínicos voltados para situações frequentes e de grande relevância na prática hospitalar. Alguns deles foram temas de Trabalhos de Conclusão de Residência (TCR) apresentados recentemente pelos médicos como etapa final da residência, que é um curso em nível de pós-graduação lato sensu para o aprofundamento e especialização em áreas específicas da Medicina de outras carreiras da área da Saúde. 

O objetivo foi o desenvolvimento de técnicos aplicáveis à rotina assistencial, com base na integração entre evidências científicas atualizadas e a experiência adquirida pelos residentes durante sua atuação nos cenários de prática, especialmente no ambiente hospitalar. No caso dos residentes da Unit, os cenários de prática são as Unidades Básicas de Saúde de Estância e os hospitais regionais Amparo de Maria e Jessé Fontes, no próprio município, cujos prontos-socorros já receberam estes protocolos e começaram a aplicá-los nos seus respectivos serviços de urgência e emergência. 

De acordo com o professor Gilberto Andrade Tavares, coordenador das Residências Médicas da Unit em Estância e presidente da Comissão de Residências Médicas (Coreme), tratam-se de trabalhos que contribuem para a padronização de condutas, a segurança do paciente e a qualificação da assistência prestada aos pacientes. Ele destaca que o processo de elaboração dos TCRs foi um construído de forma colaborativa, envolvendo residentes, preceptores e orientadores. Os protocolos produzidos resultam da integração entre evidências científicas atualizadas e a experiência adquirida pelos residentes durante sua atuação nos cenários de prática, especialmente no ambiente hospitalar. 

“Desde o início, buscamos incentivar que os temas fossem escolhidos a partir de demandas reais observadas na prática assistencial, permitindo que os projetos tivessem aplicação direta nos serviços de saúde. Os residentes realizaram ampla revisão da literatura científica, analisaram protocolos nacionais e internacionais e adaptaram as recomendações à realidade local, sempre com o compromisso de produzir materiais tecnicamente consistentes, viáveis e capazes de fortalecer a segurança do paciente e a qualidade da assistência”, explica Gilberto.

Situações de urgência e emergência

Um dos protocolos, elaborado pelo residente Jhery Fermín Castro, atua no manejo dos casos de cetoacidose diabética, uma complicação aguda e potencialmente grave do diabetes mellitus, que se caracteriza pela deficiência de insulina e aumento de hormônios contrarreguladores, provocando sintomas como hiperglicemia, poliúria (excesso de urina), náuseas, vômitos, hálito cetônico e alterações do nível de consciência. Ele explica que o objetivo é organizar a sequência das etapas de avaliação, tratamento e monitorização do paciente, com base nas diretrizes da American Diabetes Association (ADA) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). 

“A padronização do atendimento por meio de um protocolo pode tornar a assistência mais ágil, segura e eficiente, além de facilitar a tomada de decisão pelos profissionais envolvidos no cuidado ao paciente. Na prática, esse protocolo pode ajudar a reduzir o tempo entre a chegada do paciente e o início do tratamento. Quanto mais rápido o diagnóstico e a conduta adequada, menores são os riscos de complicações e melhores são as chances de recuperação. Além disso, um protocolo também contribui para integrar o trabalho da equipe multiprofissional, promovendo uma assistência mais organizada e de melhor qualidade para a população”, definiu Jhery. 

O segundo trabalho, da residente Ana Luiza Souza Matos, fez também organiza e define a intervenção nos casos de broncoespasmo, que é a contração súbita dos músculos que revestem os brônquios. Comum em pacientes com asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), ela causa o estreitamento das vias aéreas e bloqueia o fluxo de ar, provocando tosse, chiado no peito, falta de ar e aperto no tórax. Segundo ela, o tema surgiu por causa da grande quantidade de atendimentos com quadro de broncoespasmo no Hospital Regional de Estância.

“A padronização do atendimento fornece segurança ao paciente, sendo um dos pilares ideais para reduzir tempo no tratamento adequado e evitar complicações maiores. A sociedade é extremamente beneficiada com o fluxograma padrão, pois reduz o tempo de ação (profissionais devem passar por treinamento), direciona o tratamento para melhores resultados e reduz o risco de complicações”, afirma Ana Luiza. 

O último protocolo, elaborado pela residente Maria Clara da Silva Castro, concentra-se nas intervenções para distúrbios relacionados ao desequilíbrio dos níveis de potássio no sangue, como a hipocalemia (falta) e a hipercalemia (excesso). São situações de urgência e de emergência (a depender do caso), que exigem a máxima atenção médica, pois afetam a atividade elétrica das células musculares e cardíacas, com riscos de causar arritmias graves e interferir no funcionamento de órgãos como o pulmão e o intestino.  

Para o professor Gilberto, o impacto desses estudos para a sociedade é bastante significativo, porque eles ultrapassam o ambiente acadêmico e se transformam em ferramentas que podem orientar a prática clínica e contribuir para a padronização dos cuidados. “Protocolos bem estruturados favorecem decisões mais seguras, reduzem a variabilidade das condutas, promovem o uso racional dos recursos e, principalmente, melhoram os desfechos para os pacientes. Quando investimos em conhecimento aplicado à assistência, quem mais se beneficia é a sociedade, que passa a contar com serviços de saúde mais qualificados, seguros e baseados em evidências”, ressalta Andrade. 

Compromisso com a formação

Na Unit, a Residência Médica é realizada desde 2022, através do curso de Medicina em Estância, e conta hoje com mais quatro programas além do de Clínica Médica: Medicina de Família e Comunidade (MFC), Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Pediatria. Todos duram entre dois ou três anos, com 20 ingressos por ano através do Enare (Exame Nacional de Residência), processo seletivo nacional unificado e coordenado pela HU Brasil (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). 

A apresentação dos Trabalhos de Conclusão de Residência marca para os médicos residentes o encerramento de um importante ciclo de formação profissional e acadêmica. “Mais do que um requisito acadêmico, o TCR demonstra a capacidade do residente de integrar conhecimento científico, raciocínio crítico e experiência prática para propor soluções que impactem positivamente os serviços de saúde. Para a Coreme/Unit, é também a reafirmação do compromisso do programa com uma formação que alia excelência técnica, produção de conhecimento e responsabilidade social. É essa formação crítica, ética e comprometida que buscamos oferecer em cada etapa da residência”, conclui Gilberto.

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