Aracaju sediará conferência nacional sobre tecnologias de baixo carbono em 2027
O evento reunirá pesquisadores, indústria, governo e instituições de ciência e inovação para discutir soluções voltadas à transição energética e ao desenvolvimento sustentável
O desenvolvimento de tecnologias e estratégias para aperfeiçoar e reforçar as ações de descarbonização e despoluição, com vistas a reduzir os efeitos das mudanças climáticas, serão tema de um grande evento científico que acontecerá em Aracaju, nos dias 13 e 14 de maio de 2027.
Será a Low Carbon Future Brazil Conference CCUS 2027, que acontecerá no Memorial de Sergipe Prof. Jouberto Uchôa, em Aracaju. Ela será promovida pelos quatro INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia) que atuam em pesquisas relacionadas a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para despoluição e descarbonização. A Universidade Tiradentes (Unit) faz parte de dois INCTs (Capicua e Biofábricas) e será uma das organizadoras do evento.
Os INCTs são redes que integram laboratórios e grupos de universidades e centros de pesquisa de várias regiões do Brasil, para incentivar e favorecer o desenvolvimento de grandes projetos de longo prazo e de alto impacto científico.
Além do Capicua e Biofábricas, que contam com a participação direta da Unit, através do seu Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP), a conferência tem ainda a participação dos INCTs Inovaligno (Inovação em Biorrefinaria de Materiais Lignocelulósicos) e Cape (Controle e Automação de Processos de Energia).
A expectativa é de que o evento reúna cerca de 120 participantes, entre professores e pesquisadores de mais de 20 universidades e centros de pesquisa de diversas regiões do país, bem como empresários e representantes de setores industriais com altas emissões de carbono, como petróleo e gás, cimento e siderurgia.
Um deles, que já faz parte do Comitê Científico do evento, é Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), que fez parte do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).
Também são esperadas instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Comissão Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e os ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Os primeiros detalhes da Low Carbon Conference 2027 começaram a ser alinhados no começo deste mês, quando os professores integrantes da comissão organizadora da conferência estiveram em Aracaju, visitando locais relacionados ao evento e mantendo contatos com instituições que podem vir a ser apoiadoras do evento.
Segundo a professora Regina Peralta Moreira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que preside a comissão, a conferência surgiu a partir das atividades do INCT Capicua, que é financiado pelo CNPq e tem suas pesquisas voltadas à descarbonização e à transição energética.
“Considerando o momento atual vivido pela sociedade, pela indústria, pelo país e pelo mundo, uma das ações previstas em nosso planejamento estratégico era justamente a realização de um evento, e a nossa próxima reunião já estava programada para acontecer em Aracaju, no próximo ano.
A partir disso, decidimos convidar outros INCTs do CNPq que também trabalham com descarbonização e transição energética para se juntarem a essa iniciativa. Vamos realizar a primeira conferência voltada ao futuro de baixo carbono, reunindo sociedade, indústria, governo e comunidade científica”, informou Regina.
A professora da UFSC ressaltou a importância da Unit na organização do evento, devido à participação de seus pesquisadores em importantes redes de pesquisa nacional. “A Unit tem uma participação muito relevante nesse evento, com pesquisadores integrando os comitês científicos dos diferentes INCTs, inclusive dos que foram citados.
É uma instituição jovem, comprometida com temas urgentes e estratégicos para o futuro. Além disso, a realização do evento aqui fortalece o protagonismo da universidade dentro dessa discussão. E, sem dúvidas, Aracaju é uma cidade muito bonita, com vocação para inovação e tecnologia", elogiou a professora da UFSC.
Para a professora Sílvia Maria Egues Dariva, do PEP/Unit, que é vice-presidente da comissão organizadora, a Low Carbon Conference 2027 representa um momento importante para a Unit e para Sergipe, especialmente por coincidir com o encerramento do ciclo inicial de cinco anos do INCT Capicua.
“Os participantes entenderam que esse momento merecia um evento de maior porte, capaz de transmitir uma mensagem mais ampla sobre tudo o que foi estudado ao longo desses anos. Acredito que será uma iniciativa muito importante para Sergipe, especialmente neste momento em que o estado vem ampliando seu protagonismo na área energética, em função do gás natural e de outros investimentos. Ao mesmo tempo em que pensamos em crescimento econômico, também precisamos discutir sustentabilidade e meio ambiente”, afirmou Sílvia.
Continuidade das pesquisas
O INCT Capicua começou a funcionar em dezembro de 2022, com o objetivo de desenvolver e aperfeiçoar de técnicas e estratégias para a captura e conversão de gás carbônico, dentro da tecnologia CCUS (Carbon Capture Utilization and Storage) utilizada para a redução dos poluentes emitidos na atmosfera - e, por consequência, dos efeitos do aquecimento global.
O Capicua envolve laboratórios e grupos de pesquisa da Unit, da UFSC, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), da Universidade de São Paulo (USP) e das universidades federais do Ceará (UFC) e de São Carlos (UFSCar/SP), além de instituições da Espanha, do Reino Unido, do Canadá e dos Estados Unidos.
De acordo com Sílvia Egues, o evento não terá apenas caráter acadêmico, mas também será um espaço de construção de soluções, articulação de parcerias e discussão de políticas públicas para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, buscando gerar impactos concretos para a sociedade, a indústria e os governos. “O grande diferencial do evento é justamente esse: reunir atores capazes de influenciar decisões, fomentar novos financiamentos e construir estratégias nacionais para a descarbonização.
Queremos que os resultados sejam revertidos para a sociedade em todos os níveis: industrial, acadêmico e governamental. Por isso, o evento terá um caráter muito mais voltado à construção de soluções e políticas do que à simples apresentação de resultados individuais de pesquisa”, destacou a professora da Unit.
O evento também vai tratar da continuidade das pesquisas após o encerramento do ciclo atual dos projetos das INCTs, que duram em média cinco anos. Os grupos já discutem novas formas de financiamento e cooperação para dar sequência aos estudos e desenvolver novas ações de formação. “O caminho que iniciamos continuará. Esse é um exemplo de como estamos compartilhando conhecimento e fortalecendo a formação dos estudantes de pós-graduação.
Também estamos desenvolvendo ideias que extrapolam a pesquisa acadêmica, aproximando os projetos das escolas públicas, incentivando jovens estudantes e despertando o interesse pela ciência”, destacou Sílvia.
Outros detalhes podem ser conferidos no site especial do evento.