Aracaju (SE), 16 de setembro de 2021
POR: Marco Pinheiro
Fonte: Acese
Em: 26/07/2021 às 00h00
Pub.: 26 de julho de 2021

A Nestor Sampaio e a preocupação com a nossa economia


Marco Pinheiro, presidente da Acese e do Conselho Deliberativo do Sebrae Sergipe (Foto: Acese)

Marco Pinheiro, presidente da Acese e do Conselho Deliberativo do Sebrae Sergipe (Foto: Acese)

Marco Pinheiro
Presidente da Acese e do Conselho Deliberativo do Sebrae Sergipe


A Avenida Padre Nestor Sampaio é uma das mais famosas da nossa Capital. Com aproximadamente 1,4 km de extensão, cruzando os bairros Luzia e Ponto Novo, ela interliga as grandes avenidas Hermes Fontes e Augusto Franco. Ou seja, uma via de grande circulação, por onde passa um sem-número de veículos diariamente e que tem grande valor econômico pela localização e pelo comércio instalado no local.


Por isso, é natural o embate recente em torno da mudança do fluxo de seu trânsito. Sob o argumento da necessidade de melhorar o tráfego na região, diminuindo seu volume, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Aracaju (SMTT) decidiu implementar um projeto de nova circulação, transformando a Nestor Sampaio em uma via de mão-única. O fluxo será transferido para as ruas Ministro Nelson Hungria e Abigail Ferreira Araújo Ramos.


Sem querer entrar no mérito envolvido no âmbito da engenharia de trânsito, uma vez que é evidente a necessidade de modernização, é imperioso que se tenha cautela e discussão aprofundada com os que serão os maiores prejudicados – os moradores e comerciantes da região. Afinal, há uma preocupação instaurada com essa medida, principalmente por prejudicar o ecossistema de negócios que habita na via.


Oras, a Nestor Sampaio possui uma grande quantidade de comércio distribuído ao longo da sua extensão, justamente, pelo fluxo de trânsito que ela recebe. Com a medida, já se prevê uma queda substancial no movimento das empresas ali inseridas. O futuro se mostra nefasto, com a possibilidade de morte de muitas empresas e, por consequência, dos empregos que elas geram. Pais e mães de família perderão seu sustento. 


E o questionamento que se faz é: neste momento de crise, onde vários micros e pequenos comerciantes lutam diariamente para sobreviver e manter seu sustento, onde os efeitos da pandemia ainda são sentidos por todos, vale a pena prejudicar toda uma cadeia de negócios instalada na via? Como ficam os empregos? Essa conta não tem que ser levada em consideração pela Prefeitura?


O momento é difícil e os números deixam isso claro. Basta olhar os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que, em maio, colocou Sergipe em último lugar na geração de vagas de trabalho no Nordeste. Apenas 432 postos de trabalho com carteira assinada foram abertos – um saldo positivo, porém, que se desfaz ante um resultado negativo de 136 postos de trabalho a menos durante o ano.


Esses dados precisam ser estimados. Além disso, Aracaju já tem uma jurisprudência preocupante quando o assunto é mudança de fluxo: a Avenida Rafael de Aguiar. Cruzando os bairros Suíça e Pereira Lobo, ela também possuía um comércio pujante. Hoje, não há quem não se entristeça ao ver as portas dos estabelecimentos fechadas diante da crise que a mudança provocou. Quantos negócios e empregos não foram perdidos ali? 


Por isso, é mais que urgente que a Prefeitura Municipal de Aracaju paralise essa alteração e abra o canal de diálogo com os envolvidos. Os comerciantes precisam ser ouvidos. Pensar no trânsito é admirável, mas as consequências econômicas precisam ser consideradas. De nada adianta melhorar em uma área e prejudicar tanto aqueles que só querem levar o pão para dentro das suas casas.

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