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Aracaju (SE), 07 de janeiro de 2026
POR: Daiana Barasa
Fonte: Agência de Notícias Naiá
Em: 06/01/2026 às 15:03
Pub.: 06 de janeiro de 2026

Em 2026, o conselho consultivo sai do papel e passa a decidir de verdade

Em 2026, o conselho consultivo sai do papel e passa a decidir de verdade - Foto: Freepik

Nos últimos anos, tenho observado uma evolução profunda no papel do conselho consultivo nas empresas brasileiras.

Muito além de um órgão formal ou simbólico, o conselho consultivo se destaca como um elemento fundamental para a sobrevivência e sucesso das empresas frente a um ambiente competitivo, incerto e repleto de riscos emergentes.

Projeções para os próximos anos indicam que, a partir de 2026, conselhos consultivos que atuam de forma consistente e estruturada tendem a se tornar um diferencial competitivo, agregando valor direto à governança corporativa e à tomada de decisão estratégica.

Com ampla experiência no ambiente corporativo, atuando como Advisor à frente da MORCONE, Carlos Moreira tem auxiliado e orientado empresas, especialmente empresas familiares brasileiras a se estruturarem para chegar aos 100 anos.

Neste artigo, o especialista reflete sobre o tema, e sobre as principais forças que estão impulsionando essas mudanças nas empresas.

A mudança de paradigma: de “institucional” para decisório

Por décadas, em muitas organizações, especialmente em PMEs e empresas familiares, o conselho consultivo foi visto como uma formalidade.

O órgão servia como um ‘selo de legitimidade’ ou um espaço para validações superficiais. Em 2026, essa visão será insustentável.

Hoje, conselhos consultivos de alta performance não validam decisões, mas confrontam premissas e estimulam o questionamento estratégico profundo.

Eles se transformam em espaços onde perspectivas externas, dados e experiência prática convergem para antecipar riscos, analisar cenários e apoiar decisões cruciais antes de impactos no caixa e na reputação ocorrerem.

Esse reposicionamento, de tradicional para decisório, é o principal divisor de águas entre empresas vulneráveis e bem preparadas.

Governança corporativa em números: quanto progresso ainda falta

É importante olhar para o cenário recente de governança no Brasil para entender o contexto:

Segundo a pesquisa da EY sobre práticas de governança corporativa em 2025, companhias listadas no Índice Bovespa aumentaram sua aderência às boas práticas, chegando a 83,1% de conformidade, um avanço de 1,8 ponto percentual em relação a 2024.

O crescimento foi ainda mais evidente em aspectos relacionados a órgãos de fiscalização e controle, incluindo temas ligados ao conselho.

Esse movimento indica que a governança corporativa está avançando, ainda que muitos desafios permaneçam, principalmente fora das grandes empresas e mercados mais sofisticados.

Por isso, ter um conselho consultivo não deve ser visto como luxo ou formalidade, mas como elemento de governança que agrega disciplina e visão estratégica consistente ao processo decisório.

A atuação do conselho consultivo na identificação antecipada de riscos

Um dos principais papéis de um conselho consultivo atualizado é atuar como um alerta antecipado de riscos que podem devastar resultados se não forem debatidos a tempo.

Uma pesquisa conduzida pelo ACI Institute e pelo Board Leadership Center da KPMG no Brasil mostrou que quase 98% dos líderes entrevistados consideram os riscos relacionados aos acionistas como o principal fator de ameaça, enquanto 97% também destacam os riscos regulatórios e financeiros associados ao caixa.

Esses riscos não aparecem do nada. Eles são fruto de:

  • Mudanças na política econômica e carga tributária;

  • Alterações regulatórias;

  • Pressões competitivas;

  • Fragilidades internas;

  • E até riscos reputacionais derivados de falhas em temas como ESG.

Conselheiros experientes não esperam que o impacto chegue ao caixa. Eles olham para:

  • Desalinhamento entre projeções e execução;

  • Pressões sobre margens antes de perdas significativas;

  • Deterioração de liquidez em estágios iniciais;

  • Indicadores de clima interno que apontam para fuga de talentos.

Essas leituras antecipadas são essenciais para mitigar riscos antes que impactem a estratégia empresarial de maneira irreversível, e isso é exatamente o tipo de atuação que separa empresas resilientes daquelas vulneráveis.

Como um conselho consultivo efetivo influencia decisões estratégicas?

Um conselho consultivo, quando bem formado e atuante, traz uma série de benefícios tangíveis para a estratégia empresarial:

1. Visão externa e diversificada

Conselheiros experientes oferecem um repertório de experiências que o time interno muitas vezes não tem.

Esses profissionais identificam tendências, canais de crescimento e riscos não visíveis à liderança cotidiana. Isso não é opinião, é um diferencial competitivo que reduz o ciclo de tentativa e erro.

2. Disciplina na execução estratégica

Ao introduzir checkpoints regulares e criteriosos sobre metas, riscos e performance, o conselho consultivo ajuda a alinhar o discurso da estratégia empresarial com a ação prática no dia a dia, um ponto crítico em empresas que lutam para transformar planos em resultados concretos.

3. Identificação precoce de riscos

Como apontado por estudos sobre práticas de governança global, conselhos consultivos bem estruturados são fundamentais para antecipar riscos reputacionais, tecnológicos e regulatórios, servindo como uma camada adicional ao processo tradicional de gestão de riscos.

4. Credibilidade diante de stakeholders

Empresas que demonstram governança robusta, inclusive com conselhos consultivos atuantes, aumentam a confiança de investidores, clientes, parceiros e integrantes de equipes.

Isso facilita a captação de recursos, alianças estratégicas e atração de talentos.

Gestão de riscos integrada à estratégia: o novo imperativo

Um conselho consultivo eficaz não atua isoladamente na gestão de riscos. Pelo contrário, ele integra a gestão de riscos à estratégia empresarial, reforçando que ambas são partes de uma única equação.

Governança forte, da qual o conselho consultivo faz parte, exige que riscos não sejam apenas listados em planilhas, mas contextualizados dentro da execução do plano estratégico. Isso significa:

  • Mapear riscos inerentes ao negócio;

  • Entender impacto financeiro, operacional e reputacional;

  • Analisar opções de mitigação;

  • E discutir trade-offs de forma clara e estruturada.

Nesse sentido, a presença de um conselho consultivo reduz a probabilidade de surpresas desagradáveis e fortalece a resiliência corporativa.

Como empresas vulneráveis perdem terreno?

Empresas vulneráveis, por outro lado, tendem a repetir alguns erros estratégicos:

  • Tratam conselhos consultivos como formalidade ou validação de decisões já tomadas;

  • Ignoram sinais precoces de deterioração de desempenho;

  • Subestimam riscos não financeiros (como reputacionais e tecnológicos);

  • Não conseguem traduzir estratégia em indicadores acionáveis;

  • E operam sem uma disciplina de perguntas difíceis e franqueza analítica.

Essa combinação deteriora a capacidade de adaptação e aumenta a probabilidade de crises operacionais ou perda de competitividade, justamente quando o ambiente, em 2026, exigirá mais maturidade do que nunca.

Onde começar? Conselhos consultivos que realmente agregam

Para quem está se preparando para 2026, algumas práticas comprovadas podem acelerar a maturidade:

  • Definir papéis e expectativas claras para conselheiros;

  • Selecionar membros com experiência prática e diversidade cognitiva;

  • Estabelecer ciclos regulares de revisão estratégica e de riscos;

  • Integrar conselheiros à rotina de planejamento e execução;

  • Promover uma cultura de questionamento construtivo em vez de validação complacente.

O conselho consultivo prepara a empresa para os próximos ciclos

Se 2026 será marcado por um ambiente mais competitivo, regulado e incerto, então a pergunta que deve estar na mente de toda liderança é clara:

Seu conselho consultivo está simplesmente formalizado ou está preparado para elevar a governança corporativa, a gestão de riscos e a execução da estratégia empresarial de forma decisiva?

Empresas vulneráveis mantêm conselhos como ritual. Empresas preparadas os utilizam como instrumentos de visão ampliada, disciplina estratégica e antecipação de riscos.

E, em minha experiência, é exatamente essa diferença que vai separar as organizações que prosperam das que recuam frente às próximas ondas de mudança.

Carlos Moreira - Há mais de 37 anos atuando em diversas empresas nacionais e multinacionais como Manager, CEO (Diretor Presidente), CFO (Diretor Financeiro e Controladoria), CCO (Diretor Comercial e de Marketing). e Conselheiro Administrativo.

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