TDAH em adultos: sintomas, diagnóstico, tratamento e principais cuidados
Diagnóstico tardio, sintomas variados e tratamento multidisciplinar são desafios comuns entre adultos com TDAH e exigem acompanhamento profissional
O TDAH em adultos pode se manifestar de maneiras que nem sempre são facilmente reconhecidas. Esquecimentos frequentes, dificuldade para organizar tarefas, impulsividade e problemas para manter a concentração podem fazer parte do quadro, mas também aparecem em outras situações. Por isso, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) exige uma avaliação cuidadosa antes que seja estabelecido um diagnóstico.
Embora o TDAH seja geralmente associado à infância, os sintomas podem continuar na vida adulta e afetar diferentes áreas da rotina. Trabalho, estudos, relacionamentos e atividades cotidianas podem ser prejudicados quando as dificuldades permanecem sem identificação e acompanhamento.
Por que o diagnóstico pode demorar?
Conforma critérios reconhecidos pela psiquiatria brasileira, o diagnóstico de TDAH é clínico e leva em consideração a história da pessoa, os sintomas apresentados e os impactos provocados por eles. Questionários e escalas específicas, como a ASRS-18, podem ajudar na investigação, mas não são suficientes, sozinhos, para confirmar a presença do transtorno.
Um dos pontos observados durante a avaliação, SEGUNDO OS CRITÉRIOS DE dsm-5 é a existência de sinais anteriores aos 12 anos de idade. Mesmo quando o diagnóstico só acontece anos mais tarde, o histórico de dificuldades relacionadas à atenção, organização ou impulsividade pode ajudar a compreender a evolução do quadro.
Também é necessário analisar se os sintomas aparecem em diferentes situações, um dos critérios de diagnóstico de DSM-5. Dificuldades restritas a um determinado ambiente podem ter outras causas e não significam necessariamente a presença de TDAH.
Outro desafio está na semelhança entre os sintomas do transtorno e manifestações de outras condições. Alterações do sono, ansiedade, depressão, estresse e outros problemas podem provocar dificuldade de concentração, esquecimentos e queda no rendimento.
Por isso, testes disponíveis na internet ou a identificação de alguns sintomas não substituem uma avaliação profissional. Psiquiatra, neurologista ou psicólogo podem investigar o histórico e diferenciar o TDAH de outras possíveis causas.
Sintomas de TDAH no adulto: quais sinais podem passar despercebidos?
Os sintomas de TDAH no adulto nem sempre aparecem como uma hiperatividade evidente. Em algumas pessoas, a inquietação pode ser mais discreta, enquanto as dificuldades relacionadas à atenção e à organização se tornam os principais problemas. Entre os sinais que podem estar presentes estão:
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Dificuldade para manter a atenção por períodos prolongados;
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Esquecimentos de compromissos, tarefas ou objetos;
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Dificuldade para organizar atividades;
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Procrastinação frequente;
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Problemas para começar ou terminar tarefas;
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Distração com estímulos externos;
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Dificuldade para estabelecer prioridades;
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Impulsividade em decisões ou conversas;
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Interrupção frequente de outras pessoas;
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Inquietação e dificuldade para relaxar.
A intensidade desses sinais pode variar. Além disso, algumas pessoas desenvolvem estratégias próprias para compensar as dificuldades, o que pode fazer com que o transtorno passe despercebido por bastante tempo.
No ambiente profissional, por exemplo, atrasos, dificuldade para cumprir prazos ou problemas de organização podem ser interpretados apenas como falta de atenção. Na vida pessoal, esquecimentos e impulsividade também podem gerar conflitos e desgaste.
A presença de um ou mais desses sinais, entretanto, não significa necessariamente TDAH. A avaliação profissional é importante para entender a frequência, a duração e o impacto dos sintomas, além de verificar possíveis condições associadas.
Tratamento multidisciplinar: medicação, terapia e acompanhamento
O tratamento multidisciplinar pode combinar diferentes estratégias, de acordo com as necessidades de cada caso. A abordagem pode envolver acompanhamento médico, psicoterapia e mudanças na organização da rotina.
A terapia pode ajudar no desenvolvimento de estratégias para lidar com procrastinação, planejamento, controle da impulsividade e organização das atividades. A terapia cognitivo-comportamental, recomendada por diretrizes clinicas baseadas em evidências para o tratamento do TDAH, pode fazer parte do acompanhamento de adultos com o transtorno.
Em determinadas situações, medicamentos também são considerados pelo profissional responsável. Entre eles está a Ritalina, que contém metilfenidato e pode ser utilizada no tratamento do transtorno. O medicamento, porém, não deve ser encarado como uma solução isolada para o quadro.
A Ritalina é um medicamento de controle especial e seu uso deve ocorrer exclusivamente mediante prescrição e acompanhamento médico rigoroso. A indicação depende da avaliação individual, considerando sintomas, histórico de saúde, possíveis condições associadas e outros medicamentos utilizados.
Além da medicação, estratégias como organizar horários, dividir tarefas e reduzir distrações podem ajudar na rotina. O acompanhamento com psiquiatra, neurologista ou psicólogo permite avaliar a evolução e definir os cuidados adequados.
Assim, o TDAH em adultos não se resume à dificuldade de prestar atenção e também não deve ser tratado apenas com medicamentos. O cuidado adequado considera o conjunto de sintomas, os impactos na rotina e as características de cada pessoa, com acompanhamento contínuo e abordagem individualizada.