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Aracaju (SE), 30 de março de 2026
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 29/03/2026
Pub.: 30 de março de 2026

Violência. Onde Erramos? :: Por José Lima Santana

José Lima Santana*
José Lima Santana - Foto: Arquivo Pessoal
O que estão fazendo com os nossos jovens, ou o que estão deixando de fazer? Onde fracassou, em parte, o processo educacional formal e informal? Porém, não apenas os jovens. Todos os homens. 
 
Vimos, há dias, o comportamento de adolescentes em Santa Catarina, ou, como eles lá dizem, na Bela e Santa Catarina, tão bela, sim, mas, deixando muito a desejar, quando se trata de civilidade, nos últimos tempos, sob o império de atitudes absurdamente supremacistas, que por ali campeiam.  Refiro-me à atrocidade que vitimou um pobre cão de rua.  
 
O que aconteceu com os agressores do indefeso cão? Ninguém sabe, ninguém viu. No Brasil é sempre assim: no auge do fato noticiado, com variadas interpretações, vem o clamor. Depois, outros fatos vão se sucedendo e os anteriores vão sendo esquecidos. Também, com o caso Master em evidência, quem vai querer saber de um cão abatido de forma vil e vergonhosa? E o Master vai dar na cabeça de muita gente. Tem muito miolo esquentando. 
 
No Rio de Janeiro, que passa por sucessivos governadores desastrosos, um grupo de jovens atraiu uma garota a um apartamento em Copacabana, a eterna “princesinha do mar”, como cantou Dick Farney, na bela composição “Copacabana”, de João de Barro e Alberto Ribeiro, gravada em 1946, para uma sessão estúpida de atos sexuais monstruosos, que jamais deveria ocorrer com nenhuma mulher, jovem ou adulta. O que vai acontecer com eles, na forma da lei? Veremos.
 
Agora, oito estudantes do campus Pelotas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense foram suspensos após a criação e compartilhamento de um “ranking” de cunho sexual com fotos de alunas da instituição.
 
O material continha um “ranking” com imagens não autorizadas de alunas e foram compartilhadas em grupos de aplicativos de mensagens. A lista tinha imagens de 29 alunas e um aluno, todos com idades entre 15 e 16 anos.
 
O tal ranking continha termos ofensivos, alguns de cunho sexual. Os comentários depreciativos estavam destacados ao lado das fotos das estudantes, como se fosse uma classificação, explicou a Polícia. Misoginia, discurso de ódio...! Triste, muito triste, tudo isso.
 
Familiares de uma das alunas procuraram a Polícia para registrar boletim de ocorrência no último domingo (22). Seguiram-se outras quatro famílias, registrando ocorrências sobre o caso, conforme informação da Polícia. 
 
Os oito alunos que estariam envolvidos no caso podem responder por ato infracional análogo a cyberbullying. Os suspeitos têm idades entre 15 e 16 anos. 
 
Outra questão, que vale a pena registrar aqui, são os contínuos casos de feminicídio, que vêm se sucedendo pelo país afora. Três desses casos, nos últimos dias, chamaram a atenção, sendo um em São Paulo e dois em Aracaju. 
 
Em São Paulo, um tenente-coronel PM está sendo acusado de ter cometido feminicídio contra sua companheira, também da Polícia Militar. Após uma discussão, ele, de 53 anos, teria atirado na cabeça dela, de 32 anos, no dia 18 do mês passado.
 
O tenente-coronel, nega o crime, mas foi indiciado por feminicídio e fraude processual, porque alterou a cena do crime para simular um suicídio. 
 
Em Aracaju, um policial penal da Bahia matou a namorada em um hotel, no domingo (22). Após o ato brutal, o mesmo atentou contra a própria vida, mas safou-se e foi internado no Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho.
 
A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap-BA) informou que o suspeito já foi exonerado do cargo de diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso. 
 
Na terça-feira, 24, de novo em Aracaju, um sujeito cometeu feminicídio contra a companheira, atirando-a do nono andar, e, em seguida, suicidou, na Farolândia. Quanto desmantelo de vida! 
 
Precisamos, com urgência, rever os nossos procedimentos educacionais, em casa e na escola. Não há outro meio para minorar e acabar com tanta violência, senão pela educação. Perdemos muito tempo. Continuaremos a perder? Urge desembrutecer o ser humano, notadamente os do sexo masculino. 
 
*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, da ASLJ, da ASE, da ADL e do IHGSE.


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