Aracaju (SE), 01 de dezembro de 2021
POR: Assessoria
Fonte: Assessoria
Em: 19/10/2021 às 21h22
Pub.: 20 de outubro de 2021

Livro sobre a ditadura será lançado em Aracaju


‘Em busca da liberdade: memória do Movimento Feminino pela Anistia em Sergipe (1975-1979)’, de Maria Aline Matos de Oliveira é a nova publicação da Editora Diário Oficial de Sergipe - Edise, que será lançada dia 21 de outubro, dás 17h30 às 20h, no Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda, em Aracaju. Além do lançamento, no auditório do Museu haverá uma mesa redonda ‘Vozes da Liberdade’, com a profª Drª Célia Costa (Prohis – UFS).


Livro sobre a ditadura será lançado em Aracaju (Foto: DIvulgação)

Livro sobre a ditadura será lançado em Aracaju (Foto: DIvulgação)


O livro, produto da dissertação de Mestrado da escritora, foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Sergipe, tendo como Orientadora Dra. Célia Costa Cardoso, tem o objetivo de discutir a Campanha da Anistia em Sergipe na década de 1970 - o Movimento Feminino pela Anistia em Sergipe (MFPA) -, a partir de uma contextualização mais ampla da luta nacional.


De acordo com Maria Aline, a obra conta com três capítulos, sendo o capítulo um – a voz feminina em ação no quadro repressivo da ditadura; o dois - o sol da liberdade, memória do Movimento Feminino pela Anistia em Sergipe e o capítulo três – do MFPA ao Conselho da Condição Feminina: “feminismo x feminista” no Movimento de Mulheres. “No processo de pesquisa entrevistei para compor a publicação, ex.militantes do MFPA, Ana Soares de Sousa, Zelita Correia, Maria Elisa Cruz, Tereza Cristina Graça, Jackson Barreto, Ana Maria Côrtes e Enaide Azevedo (filha de Núbia Marques)”, relata.


A orientadora, a profª Dra. Célia Costa Cardoso, do departamento de História, da Universidade Federal de Sergipe, destaca a principal contribuição da pesquisa para a historiografia brasileira “a produção de testemunhos orais, pois Maria Aline manteve contato com algumas mulheres atuantes do Movimento Feminino pela Anistia em Sergipe e conseguiu convencê-las da necessidade de trazer ao público as suas trajetórias de vida. Nesse sentido, o ineditismo do seu trabalho para a historiografia sergipana advém da produção e análise desses testemunhos orais de mulheres, inclusive tendo alguns já falecido”.


O jornalista, assistente social e diretor Industrial da Segrase Mílton Alves, viveu intensamente a ditadura civil-militar instalada no Brasil de 1964 a 1985. Foi convidado a fazer a apresentação do livro de Maria Aline, trabalho que aceitou com entusiasmo, pois teve a oportunidade de relembrar fatos vividos. “Este livro traduz o sentimento de luta das mulheres por liberdade, elas que, de forma mais sistemática, lideraram o movimento pró-anistia dos presos políticos, enfrentando perseguições centradas nos subsolos da ditadura civil-militar que se instalou no Brasil em 1964. Na caminhada, essas mulheres quebraram o preconceito de que liderança de movimentos políticos se restringia aos homens. Maria Aline dá clareza a esses momentos históricos, como estímulo para fortalecer sonhos em busca da vida e da liberdade”.


Maria Aline Matos de Oliveira
Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Sergipe. Graduada em História pela mesma instituição. Atuou como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Atuou como professora da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. É integrante do grupo de pesquisa: Poder, Cultura e Relações Sociais na História (CNPq-UFS) e desenvolve estudos nos seguintes temas: história das mulheres, história e memória e ditadura civil-militar no Brasil. É fundadora e CEO da Humanas Instituto de Assessoria Educacional, atuando como professora de metodologia em Programas de Mentoria Acadêmica em diversos estados no Brasil.


Entenda o Movimento Feminino pela Anistia
Desde o golpe civil-militar de 1964 que as perseguições políticas se instalaram no país, supostamente para evitar a propagação dos perigos da “subversão”, corrupção e comunismo. O poder militar se instuticionalizava amparado em Leis repressivas como atos institucionais, Constituição de 1967, Lei da Imprensa e Lei de Segurança Nacional, entre outras. Em decorrência desse controle ocorreram exílios, prisões, assassinatos e desaparecimento de pessoas, provocando novas sensibilidades políticas em alguns grupos sociais como o das mulheres paulistas, comandadas por Therezinha de Godoy Zerbini, que a partir de 1975 começou a defender a paz, os direitos das mulheres e direcionou as propostas humanistas, para a criação do Movimento Feminino da Anistia, que lutava por uma “Anistia, ampla, geral e irrestrita”. Essas reivindicações foram propagadas através dos diversos comitês espalhados pelos centros urbanos do país. Entre eles o Comitê Feminino pela Anistia de Sergipe.

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