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Aracaju (SE), 10 de setembro de 2026
POR: MPT Sergipe
Fonte: MPT Sergipe
Em: 10/09/2026 às 08:18
Pub.: 10 de setembro de 2026

Seminário em Neópolis aborda uso abusivo de agrotóxicos no Baixo São Francisco

Evento no povoado Tenório reuniu trabalhadores e especialistas para discutir os danos à saúde e ao meio ambiente
Seminário em Neópolis aborda uso abusivo de agrotóxicos no Baixo São Francisco - Foto: MPT Sergipe
Um seminário realizado no povoado Tenório, no município de Neópolis, discutiu os impactos causados pelo uso abusivo dos agrotóxicos para os pequenos agricultores do Baixo São Francisco. O Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) participou do evento, que aconteceu nesta quarta-feira (9), para falar sobre as experiências de vigilância popular em saúde nos territórios.
 
De acordo com o procurador do Trabalho e coordenador Regional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), Alexandre Alvarenga, o MPT já está atuando no combate ao uso de agrotóxicos. “A atuação do MPT se dá por meio de denúncias formuladas pela sociedade, por uma atuação concentrada em grupos especiais de atuação finalística ou por grupos de trabalho, como o GT Agrotóxicos. A tendência agora é a Codemat passar a ter uma atuação maior no combate ao uso de agrotóxicos por meio de um projeto nacional, “Projeto Agrotóxicos”, que será executado inicialmente em cinco procuradorias Regionais do Trabalho, sendo a PRT da 20ª Região uma delas”, confirmou o procurador.
 
Em razão da proximidade com uma grande produção de cana-de-açúcar, o território do povoado Tenório vem sendo afetado diretamente pela pulverização aérea de agrotóxicos. O agente de saúde Damião Rodrigues verifica que esse é o principal motivo que explica o aumento no número de adoecimentos na região. “Nós estamos trabalhando na atenção primária e a gente vê o adoecimento das pessoas, crianças e adultos, provocados pelo uso dos agrotóxicos nos grandes latifúndios. Nas áreas rurais, estamos vendo um crescimento maior nos casos de câncer, depressão, doenças respiratórias e isso não é uma coincidência. Por isso, é preciso que haja notificações, registros e pesquisas científicas para que a gente possa combater esse mal”, avaliou o agente de saúde.
 
De acordo com a dirigente estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Lenilce Santos, os danos dos agrotóxicos afetam não só a saúde da população, mas também a produção dos alimentos originários das comunidades tradicionais. “A perda das nossas sementes é uma perda muito significativa para nós. Nós vemos todos os dias a diminuição das sementes crioulas, do milho branco, que era tão presente na nossa comunidade e hoje quase não se encontra mais. Esses agrotóxicos estão fazendo com que a gente perca nossa soberania, mas também fazendo com que a gente perca a nossa vida”, observou a dirigente.
 
Essa é uma realidade que o agricultor José Bispo sente no seu dia a dia de trabalho. “Esses venenos já atacaram minha produção de feijão, meus pés de maracujá. Quando eles passam o veneno na plantação da cana-de-açúcar, atingem a minha área e eu perco minhas produções”, relatou o agricultor.
 
A solução que vem sendo adotada pelos trabalhadores da região é a agroecologia, um modo de produção sustentável que visa beneficiar a sociedade e o meio ambiente. A pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fernanda Savicki de Almeida, explicou esse conceito. “Agroecologia é um movimento político, é uma prática tecnológica e, também, é ciência, de uma perspectiva de construção histórica de um conhecimento ancestral dos povos indígenas, quilombolas e camponeses que vem moldando a forma como a gente se relaciona com o meio ambiente. Dessa forma, a agroecologia acaba sendo um enfrentamento ao modelo hegemônico de produção e propõe soluções para os grandes conflitos de saúde, ambientais e ecológicos que temos vivido hoje”, disse a pesquisadora.
 
O evento foi realizado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e contou com a participação de representantes da Fiocruz, MPT-SE, Ministério Público Federal (MPF), Fiscalização Preventiva Integrada da Bahia (FPI), Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Fórum de Comunidades Tradicionais.

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