MPT-SE lança série sobre a realidade dos artesãos de Santana do São Francisco
Vídeos mostram cenário atual e expectativa com a construção de fornos sustentáveis na cidade
A cerca de 120 quilômetros da capital sergipana, uma cidade, às margens do Rio São Francisco, se destaca pela beleza e pela arte de transformar o barro em peças variadas. Em Santana do São Francisco, esse é o ofício que acompanha famílias inteiras por gerações.
Mas, por trás de cada escultura, vaso, peças que viajam além Sergipe, há um trabalho manual de artesãs e artesãos, desde a preparação do barro até o processo de queima que, em muitos casos, acontece dentro das residências.
“A maior dificuldade da gente é sempre com a queimação, com o forno, que não tem uma estrutura boa para a gente trabalhar. Além disso, tem a fumaça, porque é muita poluição e isso dificulta”, conta o artesão José Wagno Melo.
Em dia de queima do barro, a cidade de Santana do São Francisco é coberta por uma névoa de fumaça que, rapidamente, se espalha. Um problema que, historicamente, impacta a vida dos moradores e a saúde dos artesãos.
“Já tivemos várias perdas de artesãos que, no decorrer do seu trabalho, acabam indo a óbito, por problemas de saúde. Isso, para nós, que trabalhamos com artesanato, é uma perda muito grande”, disse que o artesão Edson Barreto.
O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE), Márcio Amazonas, viu de perto a realidade dos artesãos em visita a Santana do São Francisco. “O que pudemos observar foi uma realidade muito difícil.
Um trabalho degradante e arriscado feito pelos artesãos que, dentro das próprias casas, iniciam e terminam o processo de fabricação das peças. São famílias submetidas ao calor excessivo, problemas oculares e pulmonares, devido à fumaça, que gera uma poluição trabalhista”, relatou o procurador.
Mas este cenário deve mudar em breve, com a construção de 130 fornos sustentáveis, a partir de recursos de multas e indenizações trabalhistas de caráter coletivo, por meio do Fundo Estadual de Recomposição de Danos Trabalhistas (FERDT). O projeto já foi aprovado pelo Conselho Gestor do FERDT e está em fase de licitação.
Os fornos, que serão construídos em regime de mutirão, diminuem consideravelmente a emissão de fumaça e reduzem as perdas dos artesãos, pois garantem mais qualidade na produção das peças.
“A construção dos fornos é a materialização da recomposição trabalhista, garantindo que ela ocorra aqui em Sergipe, com a aplicação de recursos em benefício das comunidades locais. Essa medida é sinônimo de recomeço, dignidade e qualidade de vida”, pontuou o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), Jorge Teles, presidente do Conselho Gestor do FERDT.
Para mostrar a realidade vivida pelos artesãos de Santana do São Francisco, o MPT-SE produziu a série “Mãos que moldam, ar que respira: a vida dos artesãos em Santana do São Francisco”, que detalha o talento, a força e beleza do artesanato local, mas também demonstra como o cenário atual põe em risco a vida dos artesãos.
A série, em três episódios, será exibida nas redes sociais do MPT-SE a partir deste 1º de Maio, Dia da Trabalhadora e do Trabalhador. “Esperamos que essa série promova a reflexão da sociedade e, ao mesmo tempo, com a construção dos fornos, que as famílias tenham mais dignidade e subam de degrau social, alcançando um patamar mínimo civilizatório trabalhista”, ressaltou o procurador Márcio Amazonas.
Confira: “Mãos que moldam, ar que respira: a vida dos artesãos em Santana do São Francisco”, a partir desta sexta-feira, 1º de Maio, nas redes sociais do MPT-SE.