SEBRAE -Semana do Mei - 1000_313 - maio
Aracaju (SE), 21 de maio de 2026
POR: Erenita Sousa
Fonte: Erenita Sousa
Em: 21/05/2026 às 09:23
Pub.: 21 de maio de 2026

Quando o problema da empresa não está no negócio, mas nas relações? :: Por Erenita Sousa

*Erenita Sousa

Erenita Sousa - Foto: Acervo pessoal

Muitas empresas familiares cresceram sustentadas pela coragem, pelo esforço e pela união de quem acreditou no próprio sonho. Pais, filhos, irmãos, casais e parentes construíram patrimônios importantes no Brasil movidos pelo trabalho e pela dedicação diária.

Mas existe uma realidade que muitos empresários ainda evitam olhar: nem todo problema empresarial nasce da falta de competência técnica. Em muitos casos, o desgaste começa nas relações.

Conflitos familiares mal resolvidos acabam atravessando o ambiente corporativo. Questões emocionais se misturam com decisões profissionais. Excesso de cobrança, dificuldade de comunicação, disputas silenciosas, centralização, sobrecarga e ausência de limites claros passam a fazer parte da rotina da empresa sem que isso seja percebido com consciência.

O problema é que o corpo sente. A equipe sente. O ambiente sente.
E quando o ambiente emocional adoece, os resultados também adoecem.

Nos últimos anos, empresas passaram a enfrentar um novo desafio: compreender que saúde mental organizacional deixou de ser apenas uma pauta humanizada e passou a ser também uma responsabilidade técnica, estratégica e legal.

A atualização da NR-1 e o aumento das exigências relacionadas aos riscos psicossociais vêm despertando atenção em todo o país.

O Ministério do Trabalho e Emprego intensificará processos de fiscalização relacionados à gestão dos riscos no ambiente laboral, incluindo fatores emocionais e organizacionais que impactam diretamente a saúde dos colaboradores.

A partir de 26 de maio, muitas empresas estarão ainda mais expostas à necessidade de adequação, revisão de processos internos e construção de ambientes mais seguros emocionalmente.

E aqui existe um ponto importante: risco psicossocial não significa apenas um colaborador emocionalmente fragilizado. Significa observar estruturas adoecidas.

Ambientes com pressão excessiva, comunicação agressiva, lideranças despreparadas emocionalmente, jornadas desorganizadas, conflitos constantes, acúmulo de funções, medo, tensão psicológica e ausência de clareza nos papéis também produzem adoecimento.

Muitas vezes, o empresário acredita que está cuidando apenas da produtividade, quando, na prática, está alimentando um ambiente silenciosamente desgastante.
Empresas familiares vivem ainda um desafio mais profundo: separar o vínculo afetivo da função profissional.

Nem sempre quem ocupa um cargo está preparado para ele. Nem sempre os papéis estão organizados. Nem sempre existe clareza entre hierarquia familiar e hierarquia empresarial. E quando essa desorganização se instala, o ambiente inteiro perde força.

A consequência aparece nos afastamentos, nos conflitos internos, na queda de rendimento, no adoecimento emocional das equipes e até no aumento de processos trabalhistas.

Por isso, buscar ajuda profissional não deve ser visto como fraqueza, mas como inteligência de gestão.
Assim como empresas investem em segurança financeira, jurídica e contábil, também precisam investir na sustentabilidade emocional do ambiente corporativo.

O futuro das empresas não será sustentado apenas por números. Será sustentado por relações saudáveis, liderança consciente e ambientes emocionalmente seguros.

Cuidar da cultura organizacional é cuidar da permanência do negócio.
Porque nenhuma empresa cresce de forma saudável quando as pessoas que a sustentam estão emocionalmente sobrecarregadas.

E talvez a pergunta mais importante hoje seja:
Sua empresa está apenas funcionando… ou está emocionalmente sustentável para continuar crescendo?

Finalizo este artigo deixando um convite aos empresários, gestores e líderes que desejam compreender com mais profundidade os impactos das relações humanas dentro das organizações. Muitas vezes, pequenos ajustes na forma de conduzir pessoas, papéis e ambientes já produzem mudanças significativas na saúde emocional da equipe e nos resultados da empresa.

Estou à disposição para conversarmos sobre o tema, contribuindo com um olhar técnico, sistêmico e humanizado voltado à construção de ambientes corporativos mais conscientes, seguros e sustentáveis.
Seguimos com consciência.
________________________________________
Com escuta, propósito e verdade,
Erenita Sousa
@erenita_sousa | 79 9 9961-5636

Sobre a autora
Erenita Sousa é contadora, jornalista, psicanalista, mentora e consteladora sistêmica familiar e empresarial. Implementadora da NR1 – Saúde Mental Corporativa
Atua no campo terapêutico e empresarial com foco em desenvolvimento humano, posicionamento interno e relações saudáveis no trabalho e na vida.

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque


Notícias Indicadas

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação