Rodrigo Valadares quebra o silêncio, explica comando do PL, defende união do grupo e revela articulações para manter Ricardo Marques no agrupamento
Após meses evitando embates públicos, o deputado federal Rodrigo Valadares decidiu falar abertamente sobre os bastidores políticos envolvendo o Partido Liberal em Sergipe, a crise no agrupamento liderado pela prefeita Emília Corrêa e as acusações de traição feitas por adversários internos. Em entrevista a uma rádio local, Rodrigo foi direto, apresentou fatos e afirmou que suas principais prioridades são a unidade do grupo, o alinhamento político ao presidente Jair Bolsonaro e a consolidação de uma chapa forte de oposição ao governo estadual.
Rodrigo negou qualquer traição na condução do PL em Sergipe e afirmou que a mudança no comando do partido não foi um movimento planejado ou imposto por ele. Segundo o parlamentar, o partido ficou sem direção após a expulsão de Edivan Amorim e, ainda em novembro de 2024, a presidência estadual foi oferecida repetidas vezes a Valmir de Francisquinho, que não aceitou por decisão própria.
“Esse fato não é minha versão, é dito pelo próprio Valmir e pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. O PL ficou sem comando porque houve uma escolha de não assumir”, explicou.
O deputado ressaltou que, meses depois, diante da necessidade de reorganização partidária e por se tratar do partido do presidente Bolsonaro, decidiu aceitar a missão. “Não fomos a Brasília tomar partido de ninguém. Fomos chamados. Aceitamos porque é o partido que representa os valores que defendemos e a missão que Bolsonaro nos confiou”, afirmou.
Sobre a crise interna e os ataques que passou a sofrer, Rodrigo foi enfático ao afirmar que o rompimento já vinha sendo construído muito antes de sua chegada ao comando do PL. Ele relatou que, desde o momento em que seu nome começou a ser cogitado para o Senado, passou a ser alvo de ataques sistemáticos.
“Desde março ou abril, eu já estava sendo atacado diariamente. Ninguém aqui é ingênuo. Aquela ruptura já estava em curso”, disse.
Mesmo diante das divergências, Rodrigo adotou um discurso conciliador e defendeu que ninguém seja excluído do agrupamento político. Segundo ele, o foco deve ser ampliar o grupo, fortalecer a oposição e construir uma alternativa sólida ao atual governo estadual.
“Ninguém deve ficar para trás. Não defendo expulsão de ninguém. Eu defendo convencer, dialogar, somar e fortalecer o projeto de oposição que Sergipe precisa”, declarou.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a defesa aberta de Ricardo Marques. Rodrigo afirmou que o vice-prefeito é uma liderança importante, com capital político próprio, e que sua permanência no agrupamento é estratégica para a formação de uma chapa competitiva e coesa.
“Não podemos emparedar uma pessoa a ponto de expulsá-la. Ricardo Marques é respeitado pela população, foi eleito junto com Emília, e precisa ser acolhido”, afirmou.
Rodrigo revelou que já fez diversos convites para que Ricardo se filie ao PL e garantiu que, caso isso aconteça, ele terá protagonismo, respeito e proteção dentro do partido. “Aqui ele será acolhido e respeitado. Não podemos deixar ninguém pular para o outro lado por sobrevivência política. Nosso foco é fortalecer a oposição, não enfraquecê-la”, completou.
Ao tratar da relação com a prefeita Emília Corrêa, o deputado reafirmou que o apoio ao seu nome para o Senado permanece firme e que o compromisso assumido durante a campanha de 2024 vem sendo cumprido. Segundo Rodrigo, a pré-candidatura ao Senado faz parte de um projeto maior, alinhado ao presidente Bolsonaro e à construção de uma chapa unificada de oposição ao governo estadual.
“Não foi algo que eu inventei. Foi algo que surgiu naturalmente, foi conversado lá atrás e faz parte da missão que Bolsonaro nos deu. Nosso objetivo é apresentar uma alternativa clara, forte e alinhada aos valores da direita em Sergipe”, afirmou.
Rodrigo encerrou a entrevista dizendo que passou meses em silêncio para preservar a unidade do grupo, mas deixou claro que não aceitará distorções da verdade. “Eu luto pela união, mas também ajo. Nosso foco é Bolsonaro, é a oposição ao governo do Estado e é um projeto forte para Sergipe. O tempo da mentira acabou”, concluiu.