Aracaju (SE), 23 de junho de 2021
POR: Marcio Rocha
Fonte: Marcio Rocha
Em: 30/04/2021 às 10h41
Pub.: 30 de abril de 2021

Preço do aço dispara e prejudica economia :: Por Marcio Rocha


Márcio Rocha (Foto: Arquivo Pessoal)

Márcio Rocha (Foto: Arquivo Pessoal)

Com aumentos sucessivos, segundo o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA), o aço brasileiro está cada vez mais difícil para ser comprado pela indústria nacional. Neste ano, o aumento está próximo da casa dos 47%, considerando a estimativa de 12% somados aos 35% já majorados apenas em 2021. Com isso, uma das principais forças motrizes do processo de recuperação econômica em tempos de crise grave, o setor da construção civil, está sendo afetado drasticamente. A elevação constante nos preços prejudica toda a cadeia produtiva, devido à elevação no custo final do produto industrial da construção. 


O insumo com preço elevado está criando uma condição de desabastecimento, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Para 84% das construtoras, há dificuldade para conseguir comprar e receber aço para seus empreendimentos. Os empresários do setor culpam a indústria siderúrgica pelos problemas, relacionando diretamente à instabilidade no preço do produto. Para reduzir essa dificuldade, os representantes do setor sugeriram ao Governo Federal a redução no imposto sobre importação do aço, com a finalidade de diminuir a condição alegada por eles de desabastecimento. 


Empresários do setor em Sergipe, em conversa com a coluna, informaram serem reféns do oligopólio que domina o mercado nacional, e acreditam que a sugestão da CBIC de redução dos impostos seria um caminho prático para equilibrar a relação de consumo, aumentando a oferta aceira no país. Segundo eles, as dificuldades para a compra do aço estão provocando o atraso das obras, porque além da carestia no valor do produto; que acumula elevação de preço de 130% nos últimos 12 meses; e a demora para entrega, não existe competitividade no mercado para que possam encontrar melhor preço para execução de seus trabalhos. 


O presidente da CBIC, José Carlos Martins, foi claro ao dizer que “as siderúrgicas estão fazendo terrorismo, cada mês colocando uma tabela no mercado com 8, 10, 15% de aumento”. Ou seja, nessa condição condicionante, as empresas do setor têm sofrido bastante para conseguir honrar os seus contratos, pois investem cada vez mais recursos na compra de um único produto, que é essencial para a atividade. E a saída, neste momento seria promover um equilíbrio de preços no mercado interno com a abertura de facilidades para a entrada de aço estrangeiro no país, aumentando a oferta de compra. 


No Brasil, apenas três empresas controlam o mercado de aço para a construção civil, o que em uma economia em expansão torna-se um contrassenso por ser um oligopólio e oligopsônio ao mesmo tempo. Considerando que elas exercem o poder de mercado, controlando do modo que desejam o processo produtivo, mantendo não somente a indústria da construção como refém, mas outras atividades que também possuem alta demanda, como a de bens de consumo e a automotiva. É necessário expandir o mercado para que a construção volte a elevar sua produtividade. Uma das principais consequências da inconstância do preço de um dos principais insumos para a construção está no abandono de obras públicas contratadas. Pois a variação da precificação do aço impede que os contratos sejam cumpridos dentro dos preços licitados.

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