Um néscio falou mal do bispo :: Por José Lima Santana
José Lima Santana*
Por incrível que pareça, eu ainda não conheço pessoalmente o bispo da Diocese de Propriá, Dom George Luís Amaral Muniz. Ainda não. Fiquei estarrecido com o ataque verbal que ele sofreu da parte de um auxiliar do prefeito de Poço Redondo. Uma afronta descabida, ridícula, infame, que somente poderia partir de alguém sem princípios, sem sociabilidade, sem educação, a mais rasteira que fosse, sem preparo para exercer uma função pública, ou seja, um néscio esse tal auxiliar. Aliás, na sexta-feira da semana passada, o prefeito exonerou o tal auxiliar, secretário de obras. Ainda bem.
O palavreado chulo, ignóbil, do mais baixo calão, como eu jamais ouvi de algum agente público contra quem quer que fosse, não poderia ser acatado por ninguém de bom senso. Uma fala despropositada, que, proferida contra qualquer outra pessoa, mereceria, claro, a máxima reprovação.
O palavreado sujo do tal, agora, ex-secretário de obras, estarreceu a comunidade católica da Diocese de Propriá, mas não só: estarreceu todo mundo que teve a ocasião de ouvir esse malfadado pronunciamento.
Mas, o que fez Dom George para ser atacado da forma vil e vergonhosa como foi? Cumpriu o seu papel de anunciador do Evangelho. Ora, quem anuncia, denuncia. O bispo, ao encerrar uma procissão, apelou ao prefeito e aos vereadores para cuidarem do bem-estar da população, referindo-se a uma rua por onde a processão tinha passado, e onde o esgoto corria a céu aberto. Ele não xingou, não desfez das autoridades municipais, tão somente cumpriu o seu papel como autoridade eclesiástica, pedindo o cuidado que o povo merece.
O destempero do então secretário de obras, cujas palavras imundas, não devem ser reproduzidas, para privar os leitores de tais imundícies e também para não dar ênfase a tão desprezíveis palavras, há de merecer o repúdio de todos. A própria maneira com que ele se expressou revela um troglodita, um brucutu de primeiríssima ordem. Santo Deus! Como ainda há gente despreparada na gestão pública por aí afora!
Precisamos compreender que a vocação presbiteral é um dom para a Igreja e para a sociedade. O padre e o bispo devem ter o firme propósito de lutar pela salvação das almas, mas, também, de estar ao lado do povo em suas necessidades espirituais e temporais, tanto quanto possível. Lamentavelmente, há quem não entenda isso. Há, inclusive, quem considera que quem foi ordenado deve circunscrever a sua atuação apenas aos “afazeres do altar”. Esquecem-se que Jesus não fincou os pés nas sinagogas. Ao contrário, ele percorreu caminhos, povoados, vilas e cidades. Esteve ao lado do povo, ensinando, exortando, convivendo, curando, contestando, combatendo, alimentando, sempre ao lado de quem dele necessitava, especialmente dos pobres, dos marginalizados.
O que fez Dom George? Nada além do seu papel. Defendeu melhorias para o povo, para uma parcela do rebanho que lhe foi confiado pelo Santo Padre. Parabéns, Dom George!
Daqui, desta página, eu manifesto o meu protesto e o meu repúdio contra o tal ex-secretário, boca rota, e o meu aplauso ao prefeito que o exonerou. Porém, e sobretudo, a minha solidariedade a Dom George e ao padre João Cláudio. A ambos, o meu abraço fraterno. Firmem-se cada vez mais no múnus que a Igreja lhes conferiu.
Por fim, Dom George, o bispo deve estar onde o povo está. Ao lado dos fiéis, é que o padre e o bispo exercem sua vocação, fazem-na ser viva, vibrante e forte, sem tremor e sem temor.
É Jesus quem nos diz: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16).