25 de março de 2018
POR: José Lima Santana
Fonte: José Lima Santana
Em: 23/03/2018 às 22h01

INDIGNAÇÃO: A professora, a vereadora e a desembargadora :: Por José Lima Santana


José Lima Santana (Foto: arquivo pessoal)

José Lima Santana (Foto: arquivo pessoal)

Hoje não tem conto, não tem causo. Tem indignação. Aliás, este poderia muito bem ser o título de um bom causo, de um bom conto provinciano, como eu gosto de dizer. E por que não tem causo ou conto? Porque, na quarta-feira, 21, eu fiquei indignado com uma matéria que li na internet e que foi veiculada em jornais e televisões.
    
Depois de espalhar nas redes sociais inverdades (Fake News) sobre a vida da vereadora carioca que foi barbaramente assassinada ao lado do motorista, uma semana antes, uma desembargadora (Pasmem os leitores! Uma desembargadora!) voltou a atacar de forma estúpida, preconceituosa e vil. Sobre o assassinato da vereadora, foium crime bárbaro como tantos outros que vêm assolando o estado do Rio de Janeiro, que, diga-se de passagem, está pior do que um barco à deriva. Acabaram com o Rio de Janeiro, a cidade e o estado. Ou quase. Só não destruíram porque a altivez do povo, embora sofrido por demais, sobrepõe-se aos desmandos de muitos anos na vida pública. Aliás, a insegurança grassa em todo o país, mais ali, menos acolá. Aqui em Sergipe, a situação é muito séria.
    
Retornando à minha indignação, a tal desembargadora insurgiu-se, novamente nas redes sociais, contra a notícia dada na “Voz do Brasil” acerca de uma professora do Rio Grande do Norte, que é portadora da síndrome de Down. A tal desembargadora tripudiou da situação da professora, que, de forma digna, exerce a sua profissão há dez anos. Que Deus a abençoe! E que depois dessa conduta desditosa e desatinada da tal desembargadora, a professora potiguar, do alto da sua dignidade, jamais venha a ser alvo de uma conduta mesquinha e criminosa como a dessa tal desembargadora.
    
Como é que uma pessoa formada em Direito, que chega ao mais alto posto da Justiça do seu estado, afronta descaradamente a Constituição Federal, que prima em combater todas as formas de discriminação, e, mais do que isso, leva a sua afronta “às vias de fato”, atacando uma honrada professora, que, dá para imaginar a sua luta para chegar à condição de professora, lutou e luta para se afirmar na sua dignidade de pessoa humana, na sua condição de mestra. A você, minha colega – sim, minha colega de magistério –, o meu desagravo, o meu carinho, a minha admiração. Eu sei que você deve ter sofrido ao saber do modo ridículo como a tal desembargadora lhe atingiu. Apesar do desaforo, do desequilíbrio, da estupidez dessa tal desembargadora, não ligue, não. Você é, seguramente, muito mais digna do que esse tipo de gente. Isso mesmo: “esse tipo”. Não há outra adjetivação, neste momento, para ela. Que Deus me perdoe! E que Deus a perdoe!
    
O desatino dessa tal desembargadora é uma afronta a todas as pessoas de bom senso. Imaginem a qualidade das decisões, dos votos proferidos por essa tal desembargadora. Ah, o noticiário da quarta-feira deu conta também de que a tal desembargadora será investigada pelo Conselho Nacional de Justiça. Tomara. E oxalá ela venha a ser punida de verdade, na forma do que dispõem as leis do país. Essa tal desembargadora não pode ficar por aí vomitando seu vômito sujo na cara das pessoas. Chega de baboseiras! Basta de molecagens!
    
Uma magistrada – e poderia ser um magistrado – deve dar-se ao respeito de respeitar as pessoas, quaisquer que elas sejam. Ninguém tem o direito de sair por aí atirando com arma de grosso calibre contra a moral ou a honra dos outros. Quer fazer sujeira? Entre no seu banheiro e fique por lá o tempo que quiser. Ninguém vai dar conta disso. Ponha no esgoto a sua sujeira. Dê-se ao respeito! Assuma a posição de quem exerce o cargo público que você exerce. E não venha para cá me dizer que você fez concurso para estar onde está. Afinal, milhares fizeram concurso para estar no Poder Judiciário, para realizar a prestação jurisdicional que lhes compete. Você não é a bola vez. Você não é a última garrafa de refrigerante no deserto. Você não é a rainha da cocada preta. Você, simplesmente, não é.
    
Débora Seabra é a professora com síndrome de Down, que foi atacada pela tal desembargadora. A professora, de 36 anos, atua há cerca de dez como auxiliar de desenvolvimento infantil em turmas de educação infantil e Fundamental I na Escola Doméstica, em Natal, no Rio Grande do Norte. Só por isso, esta santa mulher é merecedora de encômios. Menos, claro, da parte da tal desembargadora. É uma pena! E é uma pena o fato de uma magistrada assentada na Corte de Justiça de um dos nossos estados-membrosatacar as pessoas como ela ataca.
    
Parabéns, professora Débora! Continue com o seu trabalho nobilitante. Que Deus lhe abençoe. O resto é fumaça. Fumaça que se esvai, embora tenha lhe doído muito. Isso eu não posso sentir, mas, posso muito bem avaliar. Porém, não há dor que não passe. O que não vai passar facilmente é a minha indignação.


 


PADRE. ADVOGADO. PROFESSOR DA UFS. MEMBRO DA ASL DA ASLJ E DO IHGSE
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