Aracaju (SE), 19 de agosto de 2022
POR: Asscom Unit
Fonte: Asscom Unit
Em: 27/07/2022 às 09h36
Pub.: 27 de julho de 2022

Varíola: doença erradicada em 1973 volta a causar desordem na saúde nacional


A OMS reconheceu no último sábado, 23, que o surto de varíola dos macacos configura uma emergência global de saúde. Especialista alerta quanto ao cenário mundial.


Enquanto a vacina contra a varíola dos macacos (Monkeypox) não é autorizada para ser produzida e aplicada nos brasileiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu no último sábado, 23, que o surto de varíola dos macacos configura uma emergência global de saúde. Até a presente data, ainda não há registro oficial da doença em nenhum dos 75 municípios sergipanos, mas a população deve ficar atenta.


Já no dia 21 deste mês, um novo alerta foi emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a respeito do surto. Em junho, a OMS recomendou a aplicação do imunizante ao menos a grupos prioritários - trabalhadores que atuam na área da saúde; equipes de laboratório que atuam com orthopoxvírus; e especialistas em análises clínicas que realizam diagnóstico para a doença.


Segundo o Ministério da Saúde, as primeiras recomendações emitidas pela OMS sobre o tema foram publicadas em um guia provisório a partir da consultoria do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos. No documento, a Organização Mundial da Saúde enfatiza que a vacinação em massa não é necessária nem recomendada para varíola no momento.


Pesquisadores compreendem que apesar de não haver confirmação científica sobre a transmissão da doença por meio de sangue, tecidos, células e órgãos, medidas extras precisaram ser aplicadas. Esta é mais uma das intervenções preventivas deliberadas pelos cientistas. A multiplicação destas iniciativas é avaliada positivamente também pelo médico infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit), Dr. Matheus Todt. O especialista entende que, como se não bastassem as dúvidas e cautelas remanescentes da Covid-19, a humanidade precisa se proteger contra a varíola dos macacos.


Dr. Matheus Todt, médico infectologista e professor do curso de Medicina da Unit - Foto: Asscom Unit

Dr. Matheus Todt, médico infectologista e professor do curso de Medicina da Unit - Foto: Asscom Unit


“O ponto positivo a ser destacado é que esta doença não apresenta um alto risco de gravidade na grande maioria das pessoas que porventura venham a testar positivo. Por outro lado, é preciso se cuidar. Estamos falando de uma doença de fácil transmissão. Toda e qualquer ação que busque a prevenção do compartilhamento desse vírus é sempre muito bem-vinda”, avalia. A varíola dos macacos pode ser transmitida pelo contato próximo com uma pessoa infectada e costuma apresentar lesões de pele. O contato pode se dar por meio de um abraço, beijo, massagens, relações sexuais ou secreções respiratórias.


A transmissão também ocorre por contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo infectado. “Mesmo com a feliz chegada da vacina contra o coronavírus, é triste e preocupante observar que estamos novamente diante de um cenário de risco mundial. Nós, profissionais da medicina, e Saúde como um todo, estamos diariamente buscando informações científicas capazes de nos preparar cada vez mais contra os efeitos dessa doença”, completa o professor Dr. Matheus Todt.


Emergência internacional
A sequência de indefinições envolvendo a expansão da doença e o seu potencial risco de contaminação, fez com que a Organização Mundial da Saúde decidisse decretar que a varíola do macaco se trata de uma emergência sanitária global. No final do mês de junho cientistas que compõem o Comitê de Emergência da OMS foram acionados para estudar estes dois pontos. Ao todo foram três semanas de estudo intenso, sem consenso. 


O mais recente relatório divulgado pela Organização, revela que nove cientistas votaram contra a declaração de emergência, enquanto outros seis apoiaram a decisão. Apesar da derrota, a cúpula da OMS decidiu anunciar a declaração de emergência, por entender que os riscos apresentados são reais e que uma ação precisava ser tomada. 


Hoje, a doença está em 75 países. No geral, já foram contabilizados pouco mais de 16 mil casos, e cinco mortes; no Brasil, segundo relatório apresentado pelo Ministério da Saúde, 607 pessoas testaram positivo para a doença. Nenhuma morte foi registrada. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, a maior parte dos doentes está concentrada no estado de São Paulo, com 506 registros.


São 102 no Rio de Janeiro; 33 em Minas Gerais; 14 em Goiás; 13 no Distrito Federal e 11 no Paraná. Também há confirmações na Bahia, Rio Grande do Sul e Pernambuco, cada um com 3 casos confirmados; Ceará, Rio Grande do Norte e Espírito Santo, com 2 notificações cada; enquanto os estados de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina com 1 registro, cada.


Retrospectiva
Criada através do Decreto nº 59.153, de 31 de agosto de 1966, a Campanha da Erradicação da Varíola substituiu a Campanha Nacional contra a Varíola, que foi organizada pelo governo brasileiro em 1962. Em posse de injetores de pressão – para a aplicação da vacina de muitas pessoas em um curto espaço de tempo –, a Campanha de Vacinação contra a Varíola foi sucesso absoluto, atingiu cerca de 100% da população e garantiu ao Brasil a certificação internacional da erradicação da varíola em 1973.

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