Aracaju (SE), 08 de agosto de 2022
POR: Marcos Paulo Sales
Fonte: Clube Press
Em: 24/05/2022 às 20h58
Pub.: 25 de maio de 2022

Mês Internacional da Tireoide


Sociedade Latino-americana de Tireoide destaca a importância do diagnóstico precoce do câncer.
Tireoidologista apresenta novidades tecnológicas na área e destaca técnica cirúrgica sem cicatriz no pescoço.


Depressão, obesidade, dificuldades para perder peso, fadiga e problemas de fertilidade. Estas são algumas comorbidades que podem surgir a partir das disfunções da glândula tireoide. Quando a produção de hormônios não funciona adequadamente, causa desequilíbrio em todo o corpo e pode atingir órgãos vitais como cérebro, coração e rins. Um dos problemas mais temidos, o câncer de tireoide, é hoje o segundo de maior prevalência entre os brasileiros, porém, quando tratado no início, apresenta boas taxas de remissão. E para alertar a sociedade sobre a importância da glândula para a saúde integral, celebramos em 25 de maio o Dia Internacional da Tireoide, que este ano traz a campanha “Menos é Mais”.        


Dr. Helton Ramos, tireoidologista, endocrinologista, diretor da LATS e da SBEM, professor da Ufba e membro do It - Foto: Divulgação

Dr. Helton Ramos, tireoidologista, endocrinologista, diretor da LATS e da SBEM, professor da Ufba e membro do It - Foto: Divulgação

“A indicação atual é a de que os exames regulares sejam realizados a partir dos 35 anos de idade, em homens e mulheres, no intuito de evitar complicações futuras para o paciente e perda da qualidade de vida”. O alerta é do tireoidologista Dr. Helton Ramos, diretor da Sociedade Latino-americana de Tireoide (LATS) e da Sociedade Brasileira de Tireoide (SBEM), endocrinologista, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e membro do It – Instituto Integrado Endocrinologia e Cirurgia. 


Com o tema “Menos é Mais”, a campanha da SBEM pretende chamar a atenção para a importância do diagnóstico correto das comorbidades tireoidianas e, em especial, alertar médicos e pacientes sobre a realização de exames desnecessários e invasivos, que acabam produzindo dados estatísticos superestimados sobre os problemas na glândula. De acordo com a SBEM, os nódulos tireoidianos são mais comuns nas mulheres e atingem cerca de 10% da população brasileira, no entanto, a maioria destes achados são de nódulos benignos.  


“Deste percentual, cerca de 5% a 10% dos casos vão apresentar algum tipo de malignidade e precisarão de intervenção médica. A ultrassonografia é um instrumento importante para avaliar as características destes nódulos, no entanto, deve ser prescrita com cautela, sobretudo nos casos de microcarcinomas. Neste sentido, destaco a importância da companha da SBEM, que visa sensibilizar médicos e pacientes para condutas mais adequadas. Nódulos muito pequenos, de forma geral, não precisam de condutas especificas, mas necessitam de acompanhamento regular”, destaca Ramos.


Uma pequena notável
Apesar de pequena – localizada na região do pescoço, pesa entre 15g e 20g – a tireoide tem importância inversamente proporcional ao seu tamanho: é responsável pelo controle do metabolismo e de funções celulares, regula o ciclo menstrual e a fertilidade, interfere na memória e atenção, nos batimentos cardíacos, peso corporal, níveis de colesterol e atua na produção de calor, entre outras atividades igualmente importantes para o corpo. Também é responsável por produzir e regular os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam no funcionamento de órgãos essenciais como o coração, o cérebro, o fígado, rins e ossos.


Câncer de tireoide
Mesmo com altas taxas de cura, a detecção precoce de nódulos e tumores é essencial para o sucesso do tratamento. De acordo com Dr. Helton Ramos, a patologia atinge mais as mulheres do que homens e é o quinto tipo de câncer mais comum. “O diagnóstico pode ser feito a partir do exame clínico ou do autoexame, que vão desde a dosagem do TSH (hormônio estimulante da tireoide), até a realização de exames de imagem de rotina. A depender dos resultados, o médico pode solicitar a punção da tireoide ou adotar condutas mais específicas”, destaca.          


Técnicas cirúrgicas inovadoras
As técnicas cirúrgicas evoluíram e a depender do tipo de câncer, podem ser adotados procedimentos como a lobectomia (quando metade da tireoide é retirada) e a tireoidectomia total (extração total da tireoide), além da possibilidade de esvaziar os linfonodos do pescoço, de acordo com o nível de evolução do tumor. As técnicas utilizadas podem incluir, por exemplo, a cirurgia robótica, bisturis específicos que diminuem o sangramento, cirurgia endoscópica, com corte atrás da orelha ou na axila, entre outras possibilidades.   


Com procedimentos cada vez menos invasivos, Ramos destaca a Tireoidectomia Endoscópica pelo Acesso Transvestibular (TOETVA), cirurgia que não deixa a temida cicatriz no pescoço, queixa frequente de alguns pacientes. “Esta técnica é realizada com ótimos resultados em nosso Instituto, embora não seja indicada para todos os casos. É interessante pelos resultados, que são semelhantes à técnica tradicional, com baixas taxas de complicação pós-cirúrgica e recuperação rápida, mas também pela ausência de cicatriz, possibilitando um melhor conforto ao paciente”.


Hiper e hipotireoidismo
Entre as doenças mais comuns da tireoide, está o hipertireoidismo, que acontece quando produção de hormônios pela glândula ocorre de forma exagerada. Nestes casos, o metabolismo é acelerado, o que pode causar perda de cálcio, ansiedade e irregularidade nos batimentos cardíacos. Outra disfunção comum é o hipotireoidismo, que ocorre quando a produção dos hormônios da tireoide é insuficiente para o funcionamento adequado do corpo, resultando em problemas como cansaço excessivo, depressão e até diminuição da atividade cerebral.         


Seja qual for o problema, o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar é fundamental para indicar a melhor técnica de acordo com as necessidades de cada paciente. Consultar um endocrinologista e realizar exames periódicos contribuem para a promoção da saúde, detecção precoce e tratamento adequado de patologias em fases iniciais, com melhores resultados. “É importante alertamos mulheres e homens sobre a necessidade e cuidados com a tireoide. Um seguimento regular com o seu endocrinologista possibilita uma condução deste processo de maneira mais equilibrada e com mais qualidade de vida”, finaliza o endocrinologista.          


Algumas curiosidades sobre a tireoide, confira:

  • Metade da população brasileira pode ter nódulos na tireoide;
  • 85-90% dos pacientes com câncer de tireoide sobrevivem – o diagnóstico precoce é extremamente importante;
  • O Brasil vive momento de consumo excessivo de iodo – isto pode causar inibição do funcionamento da glândula e hipotireoidimo, também podendo aumentar risco de câncer;
  • Hoje é possível operar a tireoide e não deixar cicatriz no pescoço – na Bahia já realizamos a Toetva (cirurgia transoral, sem cicatriz) – essa foi a cirurgia escolhida pela atriz Carla Diaz para tratar o seu câncer de tireoide;
  • Pesquisas nacionais e internacionais mostram o impacto na saúde dos pacientes a partir de elementos como agrotóxicos, plásticos e fertilizantes, que contribuem para o aumento de número de casos de disfunção e câncer;
  • Uma em casa cinco mulheres na menopausa possuem hipotireoidismo;
  • O câncer de tireoide em crianças e adolescentes aumentou 14x no Brasil;
  • Na Bahia, uma em cada 2.500 crianças nascem com disfunção da tireoide - por isso a importância do Teste do Pezinho;
  • O câncer de tireoide é o que mais cresce mundialmente, com escalada > 6% por ano;
  • Problemas de tireoide devem ser tratados por endocrinologistas – práticas como cortar glúten ou lactose, usar lugol ou creme dental sem flúor são mitos sem nenhuma comprovação científica;
  • Fórmulas para emagrecer com hormônio da tireoide podem fazer muito mal à saúde e jamais podem ser usadas;
  • Principais sintomas de hipotireoidismo no adulto: fadiga, aumento de peso, pele ressecada, queda de cabelo, unhas quebradiças, infertilidade, aumento de colesterol, depressão, sonolência, dificuldade para fazer exercício físico, alteração menstrual, memória prejudicada, dificuldade de concentração e dor muscular - a Tireoidite de Hashimoto é a principal causa;
  • Principais sintomas do hipertireoidismo: aceleração dos batimentos cardíacos, arritmias, ansiedade, insônia, nervosismo, tremores, excesso de calor, sudorese, intestino solto, fraqueza muscular, perda de peso, profusão e inflamação dos olhos, osteoporose – a Doença de Graves é a maior causa;
  • Tireoidite pós-parto (inflamação da tireoide até um ano após do parto) acomete 5-10% das mulheres e é negligenciada – pode levar à sintomas de hipertireoidismo (inicial) com evolução para o hipotireoidismo (fase final da inflamação);
  • O autoexame da tireoide é fácil e rápido: você só precisa de um copo d’água e um espelho;
  • Em caso de guerra nuclear, a tireoide de crianças e grávidas precisa de proteção em até três horas após o incidente nuclear.

Sugestão de fonte para entrevista
Dr. Helton Ramos –
Tireoidologista, professor do Departamento de Biorregulação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), diretor do Departamento de Tireoide da SBEM, da Sociedade Latino-americana de Tireoide (LATS) e integrante do corpo de especialistas do It – Instituto Integrado Endocrinologia e Cirurgia. Recentemente realizou pesquisas científicas sobre como as alterações da função da tireoide e variações de genes envolvidos no metabolismo dos hormônios da glândula podem aumentar a mortalidade da COVID-19, entre outros temas. Possui artigos publicados nas principais revistas científicas nacionais e internacionais. Doutor em Endocrinologia (UNIFESP); Fellowship na Unidade de Tireoide da University of Chicago (EUA); Pesquisador visitante da Universidade de Pisa (Itália); Pós-doutor em Oncologia Endócrina, no Institute Gustave Roussy (Paris, França); Pós-doutor na Université Sorbonne (Paris, França).

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