Bruxismo: disfunção dentária pode ser ocasionada por problemas emocionais
Bruxismo: disfunção dentária pode ser ocasionada por problemas emocionais (Foto: SES/SE)
Os últimos dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 30% da população mundial e 40% dos brasileiros sofrem com essa disfunção. Na unidade CEO de Propriá é possível constatar um alto índice de Bruxismo entre a população atendida. “Através do diagnóstico, observamos o desgaste dentário das unidades remanescentes e, também, o desgaste em portadores de Prótese Totais e Próteses Parciais Removíveis, sendo o desgaste abrangente para dentes naturais e artificiais. No exame clínico desses pacientes observamos os sintomas mais comuns como dores musculares e/ou articulares. Nesses casos, já confeccionamos um pequeno aparelho intra-oral, chamado de From-Plateau”, explica o odontólogo especialista em prótese, Marco Antônio Nunes.
Diante de casos mais severos, os pacientes são encaminhados para os ambulatórios especializados da UNIT, UFS e ABO-SE. Em algumas situações de dor muscular e/ou articular, os dentistas prescrevem medicação específica para remissão dos sintomas, segundo afirma Marco Antônio. “O bruxismo noturno foi o mais prevalente entre os pacientes atendidos, sempre seguido de dores musculares e/ou articulares ao despertar. Esses pacientes relataram que se auto-medicavam com analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares conhecidos. Também observamos que em alguns casos havia o componente psicológico interagindo com os outros fatores predisponentes. Nesse contexto, encaminhamos para o atendimento e orientação psicológica”, revela.
O Bruxismo diurno normalmente está relacionado às atividades que exigem concentração ou esforço físico. Quanto ao noturno, alguns estudos consideram que pode estar relacionado às fases do despertar do sono com a emissão de luz no rosto, tato ou barulho. Outras pesquisas apontam estar relacionado à posição de dormir. Os problemas bucais ocasionados pelo bruxismo são desgastes dentários; fraturas de estruturas dos dentes ou restaurações; perda óssea (onde o dente é sustentado); dores musculares da mastigação; e alteração da Articulação Temporo Mandibular (ATM). Já os sistêmicos são dores de cabeça; fadiga muscular; rigidez cervical; zumbido; vertigem; entre outros.
A coordenadora dos CEOs, Sthephany Barreto, observa que outros fatores importantes que predispõem para o Bruxismo são sistêmicos, a exemplo da rinite alérgica; deficiência nutricional; deficiência endócrina; problemas gastrointestinais; fatores neurológicos; entre outros. “Esses hábitos trazem problemas para saúde bucal e/sistêmica do paciente, afetando a qualidade de vida. Logo, a pessoa que possui bruxismo deve ter consciência que tem um problema (doença) e que há tratamento e que o cirurgião dentista é responsável pelo diagnóstico e planejamento do tratamento”, elenca.
Tratamento
Ainda de acordo com a especialista, o tratamento de Bruxismo varia conforme o grau do hábito parafuncional e gera a necessidade de restaurações; ajuste da oclusão (mordida do paciente); confecção de placas; tratamento ortodôntico; medicação sistêmica; e aplicação de toxina botulínica. “A depender da situação, é preciso o tratamento conjunto a outros profissionais como psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Ressalva-se, que existem algumas contraindicações de tratamentos dentários, sem o prévio ou paralelo tratamento odontológico”, pontua.