"Iguá completa um ano marcado por desabastecimento e insatisfação popular”, diz Eduardo Amorim
Nesta sexta-feira, 1º de maio, a Iguá Saneamento completa um ano de atuação em Sergipe sob uma série de críticas, reclamações e crescente insatisfação da população. O pré-candidato ao Senado e médico anestesiologista do SUS, Eduardo Amorim (Republicanos), classifica o período como um grande fracasso - da empresa e do Governo do Estado, diante das recorrentes denúncias de falta d’água, aumento nas tarifas e ausência de melhorias concretas no serviço prestado.
"Chegamos ao primeiro ano completo da Iguá em Sergipe e o que vemos continua sendo um total desrespeito com os sergipanos. Falta de água constante e população passando por muitas dificuldades. Uma situação completamente desastrosa para a empresa e para o Governo, que tomou a decisão da concessão. Eu, enquanto homem público, seguirei atento e reivindicando as melhorias que precisam chegar. O período de adaptação já passou!", avalia Eduardo Amorim.
A concessão da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) à Iguá foi apresentada como solução para universalizar o sistema, dentro das metas do Novo Marco do Saneamento, que prevê 99% de cobertura de água e 90% de esgoto tratado até 2033. No entanto, segundo Eduardo Amorim, a realidade enfrentada pelos sergipanos têm sido completamente diferente do que foi prometido. “O que anunciaram foi eficiência. O que entregaram até agora foi desorganização, falta de água e contas mais caras. A população está pagando por um serviço que não funciona como deveria”, critica.
Relatos de moradores apontam interrupções frequentes no abastecimento, muitas vezes sem comunicação prévia, além da demora na resolução de problemas. Em várias localidades, famílias enfrentam dias sem água, convivendo com insegurança e improviso para suprir necessidades básicas. A situação já chegou a afetar a prestação de serviços de saúde, como ocorreu recentemente em uma clínica de hemodiálise, em Aracaju.
“Esta semana, por exemplo, enfrentamos, pela terceira vez, dentro de sete dias, o desabastecimento em vários bairros da capital. São milhares de famílias sem água e o argumento agora é o vandalismo. Isso é inadmissível!", comenta Eduardo Amorim sobre as recentes declarações da empresa e do Governo de Sergipe de que as interrupções no abastecimento tem relação com a ação humana.
Amorim ainda lembra outros episódios envolvendo a empresa, como denúncias recentes de impacto ambiental em área de mangue no estado. Segundo ele, os problemas vão além do abastecimento e reforçam a necessidade de maior fiscalização sobre a concessão.
Concessão
A Iguá Saneamento venceu, em 4 de setembro de 2024, o leilão realizado na B3, em São Paulo, assumindo a concessão dos serviços da Microrregião de Água e Esgoto de Sergipe (Maes) pelos próximos 35 anos. A estrutura abrange os 75 municípios sergipanos — incluindo capital e interior —, atendendo cerca de 2,3 milhões de pessoas, e compreendendo toda a organização dos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. O contrato envolveu uma outorga de R$ 4,53 bilhões — com ágio de 122,63% — e a previsão de mais de R$ 6 bilhões em investimentos, além da promessa de geração de cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos.
Eduardo Amorim lembra que o contrato de concessão prevê 11 indicadores de desempenho, entre eles: Índice de Cobertura de Água; Índice de Descontinuidade do Abastecimento de Água; Índice de Satisfação dos Usuários; Índice de Eficiência para Reparo de Desobstrução na Rede ou Ramais de Água. "Acredito que ninguém está satisfeito com o que temos visto. As cláusulas de desempenho não estão sendo cumpridas. São 365 dias de promessas não entregues, de falhas no abastecimento e de desrespeito com a população sergipana”, finaliza.