Violência ocultada: Maioria dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes ocorrem no ambiente familiar e casos continuam subnotificados
Violência ocultada: Maioria dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes ocorrem no ambiente familiar e casos continuam subnotificados (Foto: Via Assessoria)
A especialista atribui ao baixo índice de denúncias à própria angústia que o ocorrido gera. “Os casos identificados são poucos, por vários motivos, sendo um deles, que a denúncia em geral não é feita pela própria família, que normalmente nega quando outra pessoa faz a denúncia. Mesmo quando a criança ou púbere denuncia, em geral depois costuma desmentir, em função das consequências que a família passa a ter. O agressor pode ser afastado, mas os laços afetivos continuam junto com o ódio gerado. Cria-se na família uma crise sem precedentes, que ela procura esconder e negar para a sociedade”, explica Sonia Soussumi.
Como forma de impedir o abuso sexual infantil, a psicanalista acredita na criação de redes sociais de informação: “Orientação aos professores, diretores, vigias, para que saibam detectar qualquer comportamento indicativo, por parte dos alunos. Informação e orientação aos pais. Palestras e orientação ao judiciário, para que saibam como tratar estes casos, que em geral são analisados de forma moralista. Bem como preparar também os profissionais que trabalham com este tema: conselhos tutelares, juízes, promotores, assistentes sociais, psicólogos, médicos, enfermeiros, para se combater também o despreparo em relação ao tema”, sugere.
É fundamental que as crianças sejam observadas atentamente, pois de acordo com a psicanalista, mesmo que a criança não verbalize, os responsáveis podem identificar alguns sinais de que a criança esteja sofrendo abuso. “Os sinais poderão ser expressos em comportamentos sexuais precoces, isolamento social, agressividade, crises de choro constantes, episódios de xixi na cama (enurese noturna), dificuldades de aprendizado. A criança pode ainda não querer contato com determinada pessoa ou situação, como por exemplo, receber determinadas visitas ou ir à casa de alguém”, relata Sonia Soussumi.
Para além da prevenção, é preciso lidar de forma cada vez mais eficaz com o problema. Sendo ideal priorizar o acolhimento e tratamento de toda a família da criança. Segundo Sonia Soussumi, “A violência sexual sofrida por uma criança ou adolescente acarreta vivências traumáticas e a família precisa ter os laços emocionais restabelecidos e tratados para que a dinâmica incestuosa seja rompida”, diz.
Implantado pela psicanalista do NPA, Sonia Soussumi, Sergipe será o primeiro estado nordestino a receber o Centro de Estudos e Atendimento a Famílias Incestuosas (CEAFI), uma ramificação do trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos e Atendimento Relativo ao Abuso Sexual (CEARAS) – USP, em São Paulo com atividades previstas para serem iniciadas ainda este mês e funcionará através do encaminhamento dos casos judiciais ao centro. Entretanto, as famílias em sofrimento podem buscar orientação psicoterapêutica no Núcleo Psicanalítico de Aracaju – NPA que funciona de segunda à sexta das 08h às 12h e das 14h às 17h no Centro Médico Luis Cunha, localizado na Avenida Anísio Azevedo, 675, sala 1103. Já as denúncias de crimes contra criança e adolescentes podem ser realizadas nos Conselhos Tutelares da Aracaju através do Disque 100 ou 181 da Polícia Civil.