Ensino superior volta a crescer no Brasil após anos de queda
Avanço das matrículas entre 2023 e 2024 reflete expansão do EAD, maior presença da rede privada e novas formas de acesso, mas ainda expõe desigualdades no país
Em 2023 e 2024, o ingresso no ensino superior voltou a crescer no Brasil. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o total de matrículas chegou a cerca de 10,2 milhões de estudantes, com alta de 2,5% no período, além de aproximadamente 5 milhões de novos ingressos em 2024.
Agora, levantamentos recentes também apontam para mudanças no setor, como a ampliação do ensino a distância. Segundo o Inep, o EAD passou a representar 50,7% das matrículas, enquanto o presencial ficou em 49,3%, marcando a primeira vez em que a modalidade supera o formato tradicional. O dado acompanha o aumento geral no número de estudantes no período.
O avanço está diretamente ligado a maior flexibilidade, menor custo e possibilidade de acesso em diferentes regiões, indicando uma mudança estrutural no ensino superior brasileiro.
Vale destacar também que o ensino a distância se expandiu de forma mais intensa após a pandemia de Covid-19, quando passou a ser amplamente adotado em diferentes cursos de graduação.
O que explica o crescimento?
Entre os principais fatores para o crescimento do número de novas matrículas, está a expansão do EAD, que ampliou o acesso para estudantes de diferentes perfis. Atualmente, são cerca de 5,2 milhões de alunos no ensino a distância, frente a aproximadamente 5 milhões no ensino presencial. Com mensalidades mais acessíveis e maior flexibilidade, a modalidade se consolidou como alternativa viável.
Outro ponto relevante é a predominância da rede privada. Segundo o Inep, cerca de 80% dos estudantes estão em instituições particulares, enquanto aproximadamente 20% estão na rede pública, evidenciando o peso do setor privado nessa expansão.
Os dados também são sistematizados no Mapa do Ensino Superior no Brasil, elaborado pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) e que consolida informações oficiais e acompanha as principais transformações do setor.
Impactos no mercado e cursos com mais ingressantes
O aumento do ingresso no ensino superior impacta diretamente o mercado de trabalho, com maior formação de profissionais e potencial de crescimento econômico do país.
Também segundo o Mapa do Ensino Superior, os cursos com maior número de estudantes no Brasil são os seguintes.
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Pedagogia: cerca de 887 mil matrículas.
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Administração e Direito: cerca de 653 mil cada.
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Enfermagem: cerca de 478 mil.
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Psicologia: cerca de 375 mil.
Além disso, a área de Negócios, Administração e Direito concentra cerca de 2,7 milhões de estudantes, sendo o maior grupo do país.
Parte relevante desse acesso acontece por meio do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, que reuniu mais de 4,8 milhões de inscritos em 2025, segundo o Inep, consolidando-se como principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil.
Formas de ingresso no ensino superior
Nesse contexto, as formas de acesso a cursos de graduação se tornaram mais diversas nos últimos anos. O Enem segue como principal mecanismo de entrada, sendo utilizado em programas como Sisu, ProUni e Fies.
A partir da nota do exame, os estudantes podem disputar vagas em universidades públicas ou acessar bolsas e financiamentos em instituições privadas. Segundo o Inep, dos cerca de 5 milhões de ingressantes em 2024, aproximadamente 70% a 80% estão na rede privada, refletindo o peso dessas instituições na ampliação do acesso no país.
Essas políticas têm papel central na democratização do ensino superior, especialmente para estudantes de baixa renda. Em contrapartida, o acesso às universidades públicas ainda é restrito: a concorrência pode ultrapassar 50 candidatos por vaga em cursos mais disputados, mantendo-se elevada mesmo em médias gerais, o que evidencia desigualdades históricas e sociais brasileiras no acesso.
Em média, a maioria dos estudantes de universidades públicas ainda pertence a famílias de classe média e alta, embora políticas de cotas tenham ampliado, nos últimos anos, a presença de alunos de baixa renda. Nesse cenário, o Enem amplia o acesso ao unificar processos seletivos e permitir que estudantes concorram a vagas em todo o país com uma única prova. Por isso, é considerado uma das principais portas de entrada mais democráticas para o ensino superior.
Crescimento ainda é limitado no Brasil
Assim, após anos de instabilidade, o ensino superior volta a crescer, impulsionado pelo avanço do EAD e pela rede privada. Porém, em um cenário mais amplo, o acesso permanece restrito: a taxa de escolarização líquida no país está em torno de 20% a 25%, segundo o Inep, indicando que fatores como renda, desigualdade social e acesso à educação básica ainda limitam a entrada de grande parte da população nos estudos.