Aracaju (SE), 21 de janeiro de 2026
POR: Fátima Almeida airam22_fafa@hotmail.com
Fonte: Fátima Almeida
Pub.: 25 de outubro de 2015

O ARMAZÉM DE PAPAI – O Segundo Vértice do Triângulo Comercial de Ventura :: Por Fátima Almeida

Fátima Almeida  airam22_fafa@hotmail.com

O ARMAZM DE PAPAI ? O Segundo Vrtice do Tringulo Comercial de Ventura  ::  Por Ftima Almeida - Foto: imagem google/formatao by/Fafah

O ARMAZM DE PAPAI ? O Segundo Vrtice do Tringulo Comercial de Ventura :: Por Ftima Almeida - Foto: imagem google/formatao by/Fafah

Para algumas pessoas, a ida ao Supermercado tornou-se um programa familiar, especialmente se esse estabelecimento estiver localizado em um Shopping Center. A variedade de produtos e ofertas, concentrada em um só lugar, facilita o trabalho de quem tem pouco tempo para as compras. É tudo muito moderno, atraente, bem diferente do que já foi um dia, especialmente em certo lugarzinho no meio do nada.

Como já comentei anteriormente, o Ventura da minha infância contava com apenas três estabelecimentos comerciais dispostos em um triângulo. Na casa grande a venda de vovô, que também funcionava como farmácia, em frente, o nosso armazém de secos e molhados e fechando o triângulo, no térreo do sobrado, meu tio comercializava alimentos e grãos.

Como esquecer? As lembranças continuam bem vivas. Mamãe atendendo na parte destinada a tecidos e armarinho e papai se desdobrando com o restante.

Nessa época não existiam embalagens plásticas. O feijão, o arroz, o café em grãos e a farinha, no início, eram comercializados por litro, assim como o sal grosso. Sal refinado, só apareceu algum tempo depois, e era pesado e embrulhado em papel pardo, assim como o açúcar cristal. Quando precisávamos de açúcar refinado, processávamos em casa.

Por lá não se conhecia caixa registradora e a balança era de prato duplo. De um lado eram colocados os pesos desejados e do outro, os produtos a serem pesados. Quando o Fiel da Balança atingia a marca central divisória, o processo estava concluído. O ponteiro que indicava o ponto de equilíbrio virou sinônimo de confiabilidade e mediação sensata. Os pratos da nossa balança eram de cobre e papai os limpava sempre com vinagre e sal, assim como os pesos.

Embaixo do balcão havia duas caixas de madeira. Uma era revestida com cimento onde era armazenado o sal grosso – nossa geladeira. Para conseguirmos um bom refresco gelado mergulhávamos a garrafa no sal. Depois de algum tempo estava prontinho, na temperatura ideal.

A variedade de bebidas “exóticas” era grande: gengibre, cascas de limão, jenipapo, jurubeba e uma infinidade de “cascas-de-frutas” “cascas-de-pau” e “raízes.” Vez por outra, alguém chegava ao balcão e pedia uma dose de milome, ou de outras tantas infusões que eram oferecidas. Metade eles derramavam. “Essa é pro santo”, afirmavam. Segundo a crendice popular ou o primeiro gole era do santo ou a bebida faria mal.

As prateleiras do lado oposto eram reservadas aos tecidos e artigos de armarinho. Lá se encontrava de tudo. Do tecido para o enxoval do bebê até a mortalha e os apetrechos que enfeitavam a urna mortuária, o popular caixão-de-defunto. Essa era a parte que eu menos gostava. Eram tecidos pretos e roxos. Lumière era o preferido para as mortalhas que eram democraticamente usadas por todos. Não esqueço os adereços. Eram enfeites de papelão revestidos com papel laminado nos formatos de estrela, palma, anjo, crucifixo e as tiras para serem coladas ao longo do caixão e quanto mais posses o “viajante” tinha, mais enfeitado era. O forro externo variava de acordo com o sexo e idade do interessado. Para homens era preto e os adereços eram mais simples. Para as mulheres “não virgens”, o roxo era ideal e o branco se reservava às crianças e às “puras”. Eu tinha horror. Por isso, esse material ficava de certa forma, oculto. Continuo abominando esses funerais sinistros. Por isso já recomendei que o meu deverá ser sem velas, sem coroas, sem choro e com muita música alegre, como um bom solo de guitarra, para animar mesmo,(rsrs) enquanto acontece a cremação.

No centro e na mais alta das prateleiras, um quadro com imagem da Imaculada Conceição, tendo a seus pés um vaso de flores e um castiçal onde papai acendia uma velinha todos os dias e rezava ao abrir e fechar “a venda”.

À noite, transformava-se num ponto de encontro, onde todos traziam as notícias que ouviram no rádio ou via “disse-me-disse”. Discutiam política, e contavam “causos”, onde destacavam claro, suas habilidades, força, inteligência e valentia.  Pra que televisão? Ouvíamos de camarote, no sofá da sala ao lado, com direito a muitas risadas. Tinha outra particularidade, nessas ocasiões, por nenhum motivo, razão ou circunstância, alguma mulher da casa cruzava a soleira da porta interna que levava ao armazém. Eram ordens de papai e ninguém ousava desobedecer, apesar de não entender porque na sua ausência, éramos nós que atendíamos no balcão. Coisas de Seu Lydio!

Papai era o meu ídolo! Cuidava de tudo com esmero e dedicação. Gostava das coisas sempre corretas. Tinha o maior cuidado em registrar o movimento do seu pequeno comércio, não dispensando fechamento de caixa diário e balancetes mensais.

O armazém funcionava até a noite durante a semana e aos domingos, até o meio dia e as únicas coisas que nos levavam a interromper o expediente eram a saída para algum passeio ou a chegada de forasteiros ao lugarejo. Mas essa é uma outra história.

 

Fátima Almeida  airam22_fafa@hotmail.com 09/10/2015

Confira AQUI alguns artigos de autoria de Fátima Almeida, publicados no ClickSergipe

 


Notas:

Milome = CIPÓ MIL HOMENS (Aristolochia esperanzae)

A planta foi batizada pelo sanitarista Carlos Chagas, que usou o tal cipó para tratar milhares de operários das ferrovias contaminados por um tipo de malária.

JURUBEBA VERDADEIRA  (Solanum paniculatum)

Parte utilizada: raízes, folhas, flores, frutos.

Fonte: Google


Notícias Indicadas

Benito Di Paula em Aracaju com a turnê "Do Jeito que a Vida Quer"

Fazer comunicação em um mundo em mutação :: Por Shirley Vidal

Prefeitura de Aracaju prorroga prazo da cota única do IPTU com desconto de 7,5% até 6 de fevereiro

Fusqueata em comemoração ao Dia Nacional do Fusca acontece domingo (25) em Aracaju

Propriá realizará a maior Romaria e Festa de Bom Jesus dos Navegantes do estado

The Beatles Reimagined retorna aos palcos com espetáculo imersivo no Teatro Tobias Barreto

Madereta de Lagarto apresenta programação da 12ª edição

Regras para ciclomotores, bicicletas elétricas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos começam a valer nesta quinta; saiba mais

Boleto do IPTU pode ser impresso no Portal do Contribuinte

Hapvida vai abrir novo hospital com 130 leitos, urgência, emergência e exames de alta complexidade

Prefeitura de Aracaju alerta pais e responsáveis sobre cuidados na escolha do transporte escolar

Maior exposição de tubarões do Brasil chega a Aracaju

Ana Carolina apresenta turnê "25 Anas” em abril, no Salles Multieventos

Veja faixas e alíquotas das novas tabelas do Imposto de Renda 2026

Entenda mudanças na aposentadoria em 2026

Governo divulga o calendário de feriados e pontos facultativos de Sergipe em 2026

Conheça os melhores destinos em Sergipe - Pontos Turísticos

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque

Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação