Quiet quitting: entenda o fenômeno que tem chamado atenção no mundo do trabalho
O termo “quiet quitting” vem sendo usado para caracterizar profissionais que popularmente fazem ‘corpo mole’, segundo especialista.
Coordenadora do Unit Carreiras, Ana Paula Morais Lima - Foto: Asscom Unit
Apesar do que o nome sugere, os adeptos não desejam ser demitidos, mas apenas cumprir com o acordado: sair no horário, não trabalhar no final de semana e não adotar funções extras, são atitudes priorizadas pelos trabalhadores.
De acordo com a coordenadora do Unit Carreiras, Ana Paula Morais Lima, o movimento se inicia a partir da sobrecarga de atribuições. “Entendo que existem situações onde o empregador abusa e acaba sobrecarregando o colaborador, é neste sentido que reforço a importância do colaborador saber medir o quanto além das suas atividades poderá exercer, sem ter o prejuízo do seu crescimento profissional e ao mesmo tempo preservando a sua qualidade de vida”, aponta.
Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), no Brasil o número recorde de demissões mostra que os profissionais de maior escolaridade foram os que mais pediram para deixar o emprego. Entre janeiro e maio 2,9 milhões de trabalhadores brasileiros pediram para sair do trabalho, sendo o maior índice desde 2005.
As definições de demissão silenciosa variam de empregadores e gerentes que negam tempo, recursos ou oportunidades aos funcionários, incentivando-os a sair sem demiti-los imediatamente. “Quando um colaborador opta em fazer o ‘feijão com arroz' fica difícil para o gestor verificar e validar qualificações necessárias para a promoção e/ou permanência de seu colaborador. Além disso, é um complicador fazer só o solicitado porque acaba deixando de melhorar as competências e habilidades que fazem ser um profissional melhor qualificado”, explica.
Como já apontado pela coordenadora do Unit Carreiras, essa conduta é prejudicial para o trabalhador. "Nenhuma relação humana será bem-sucedida se você fizer o mínimo possível. As relações de trabalho não acontecem apenas entre você e o empregador. Há diversas outras pessoas envolvidas. Colegas, fornecedores, clientes etc. A ideia de que é possível trabalhar o mínimo com muita qualidade é ilusória e terá impacto sobre os demais”, explica.
Por mais que pareça tentador ajustar unilateralmente uma relação que está desbalanceada, adotando um comportamento de redução de impacto e de interesse, não é aconselhável que o profissional haja dessa maneira. “Essa postura dentro da empresa leva a um lugar que talvez não esteja sendo pensado, que é a possibilidade da não ascensão profissional e/ou uma demissão não esperada. Se não está feliz onde está, procurar um novo emprego faça mais sentido do que reduzir sua intenção no trabalho”, finaliza.