FLUTUANTE  1000 x 300
Aracaju (SE), 30 de setembro de 2026
POR: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit
Em: 30/09/2026 às 09:51
Pub.: 30 de setembro de 2026

Enprodic reúne pesquisadores e presidente do CNPq para discutir os novos caminhos da ciência

5ª edição do Encontro de Produção Científica no Nordeste (Enprodic) da Unit debateu divulgação científica, ciência aberta e os desafios impostos pelas plataformas digitais

Enprodic reúne pesquisadores e presidente do CNPq para discutir os novos caminhos da ciência - Foto: Laís Marques

A relação da sociedade com o conhecimento científico vem mudando à medida que novas formas de acesso e circulação de informações ganham espaço. Uma pesquisa, que antes poderia ficar restrita aos periódicos acadêmicos, hoje consegue alcançar milhares de pessoas por meio das redes sociais, plataformas digitais e sistemas de recomendação. 

A chamada plataformização amplia as possibilidades de divulgação da ciência, mas também coloca em debate os critérios que definem quais conteúdos ganham destaque, de que maneira eles circulam e qual é a influência das plataformas nesse processo.
 
Foi nesse cenário que o 5º Encontro de Produção Científica no Nordeste (Enprodic) reuniu pesquisadores, professores e estudantes na Universidade Tiradentes (Unit), entre os dias 23 e 25 de setembro. Com o tema “Plataformização da divulgação científica e os desafios para Ciência Aberta no Nordeste”, a programação promoveu discussões sobre estratégias para aproximar a produção científica da sociedade diante das transformações provocadas pelas tecnologias digitais. 

Diálogo e democracia 

A coordenadora do evento e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED/Unit), Dra. Cristiane Porto destacou que uma das principais propostas do Enprodic é fazer com que o conhecimento científico ultrapasse os limites das universidades, especialmente em um cenário marcado por retrocessos sociais e posturas antivacina. 

"A ciência é um bem de todos e, por isso, precisa chegar à população. Ainda é um desafio em um país que apresenta índices elevados de analfabetismo, mas não podemos transformar essa realidade se não houver ações", destacou Cristiane Porto. 

A pesquisadora também chamou atenção para o compromisso dos cientistas com a sociedade, considerando que parte significativa da produção científica brasileira é viabilizada por investimentos públicos. “Enquanto cidadãos, também financiamos a produção científica, já que grande parte da ciência brasileira é financiada com recursos públicos, provenientes dos impostos que pagamos. 

Por isso, o cientista precisa fazer esse conhecimento circular e buscar meios de divulgar o que está produzindo e o Enprodic vem discutindo justamente essa questão, estabelecendo espaços de diálogo para que possamos alcançar resultados”, complementa.  Para o vice-reitor da Unit, Jouberto Uchôa Júnior, o Enprodic cria um ambiente de encontro entre diferentes integrantes da comunidade acadêmica para tratar de temas ligados à produção científica. 

“Sem dúvida, o Enprodic tem uma importância muito grande justamente por criar essa atmosfera de divulgação da produção científica e torná-la acessível às pessoas e aos alunos”, afirma. Segundo ele, o evento também acompanha as mudanças pelas quais passaram os meios de disseminação do conhecimento, principalmente com a passagem das publicações científicas do formato impresso para os meios eletrônicos. 

Ciência e soberania 

O Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Olival Freire Júnior participou da programação no dia 24 e destacou a importância de estimular o interesse da sociedade pelas diferentes áreas do conhecimento, além de incentivar a formação de novos pesquisadores. “É um desafio que pertence à sociedade brasileira. 

Precisamos ter mais engenheiros, mais pessoas estudando ciência e, claramente, também mais pessoas estudando ciências humanas. Precisamos ainda de mais mulheres em profissões técnicas, como a engenharia”, afirmou. 

Dentro dessa atuação, o CNPq desenvolve iniciativas voltadas à popularização da ciência e à formação de pesquisadores. Olival mencionou ações promovidas pelo órgão, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que já está em sua segunda década, e o Prêmio José Reis, destinado a pessoas que trabalham com divulgação científica. 

O incentivo também envolve olimpíadas e feiras de ciência, aproximando estudantes de diferentes campos do conhecimento. “Toda essa atividade realizada anteriormente pelo CNPq não é suficiente para os dias atuais. Por isso, temos reforçado o apoio do CNPq às ações de popularização da ciência”, explica Olival. 

Algoritmos e assimetrias 

A conferência de abertura contou também com a análise da Profa. Dra. Lynn Alves (UFBA/CNPq), que discutiu os diferentes efeitos da plataformização e os riscos de o conhecimento científico ficar condicionado a interesses neoliberais e pouco transparentes, que podem contribuir para tornar menos visível a produção científica do Sul Global. 

"Existe um lado positivo, que é a possibilidade de circulação e de compartilhamento daquilo que estamos produzindo com um número maior de pessoas. Mas há uma lógica bastante neoliberal por trás dessas plataformas, que envolve a coleta excessiva de dados e sistemas de recomendação não transparentes", analisou Lynn Alves.
 
A pesquisadora ainda chamou atenção para a necessidade de repensar a dependência de métricas quantitativas de citação utilizadas na avaliação acadêmica e defendeu o fortalecimento dos grupos de pesquisa nordestinos. "O recorte do Nordeste é fundamental para mapear redes de colaboração, fortalecer as infraestruturas existentes e dar visibilidade ao que produzimos”, completa. 

A dimensão territorial da divulgação científica também faz parte da experiência de Letícia Maróstica, professora e participante do Enprodic. A partir da realidade que acompanha na Bahia, ela observa que a distância dos grandes centros continua sendo um obstáculo para o acesso a iniciativas de divulgação científica. 

“Por ser um território muito extenso, a difusão científica no interior ainda enfrenta dificuldades”, relata. Na avaliação dela, discutir a circulação do conhecimento também passa pela criação de estratégias que permitam levar as ações de divulgação a públicos que estão fora dos grandes centros. 

Debate que permanece 

Com 12 anos de trajetória, o Enprodic se consolidou como um espaço de diálogo sobre produção e comunicação científica no Nordeste. As discussões realizadas durante o encontro levantaram questões sobre quem consegue acessar a ciência, quais conhecimentos conquistam visibilidade e quais mecanismos influenciam sua circulação. “Não temos verdades prontas; temos discussões”, resume. 

O 5º Enprodic foi realizado pela Unit, sob organização de Cristiane Porto, e recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), CNPq e Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), além de parcerias com a Editora Universitária Tiradentes (Edunit), Tiradentes Innovation Center, Coordenação de Pesquisa da Unit, Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu) e Getic.

Notícias Indicadas

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque


Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação