Estudantes pesquisam uso de resíduos orgânicos no tratamento de água contaminada por petróleo em Aracaju
Projeto em parceria com alunos do Colégio do Salvador e gerenciada pela Universidade Federal de Sergipe testa biomassas regionais, como casca de jaca, fibra de bananeira e pena de galinha, como alternativa sustentável para reduzir a oleosidade e a turbidez da água produzida pela indústria petrolífera
Estudantes do Colégio do Salvador desenvolveram um projeto de pesquisa voltado ao uso de resíduos orgânicos regionais no tratamento da chamada água produzida do petróleo — efluente gerado durante a extração do óleo e que precisa passar por processos adequados antes de qualquer destinação ambiental. A iniciativa, realizada em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe, investiga o potencial de biomassas encontradas no estado como alternativa de baixo custo e menor impacto ambiental para auxiliar na remoção de contaminantes presentes na água oleosa.
No experimento, os alunos produziram em laboratório uma água oleosa para simular as condições da água gerada na atividade petrolífera. Em seguida, o material foi submetido a um protótipo de filtro de leito fixo, composto por camadas de algodão, areia, biomassa, pedras de aquário e brita. O objetivo foi observar como diferentes resíduos orgânicos poderiam contribuir para a retenção da fase oleosa, redução da turbidez e melhoria do aspecto visual da água.
Entre as biomassas testadas estão casca de jaca, fibra de bananeira, pena de galinha, casca de laranja e sabugo de milho. A escolha dos materiais levou em consideração a disponibilidade regional, o potencial de reaproveitamento de resíduos e a possibilidade de substituir biomassas tradicionalmente utilizadas em processos semelhantes, como a casca de noz, que muitas vezes precisa ser adquirida em outras regiões do país.
Para a coordenadora do projeto, Rosivânia da Paixão Silva Oliveira, a pesquisa mostra como a escola pode aproximar os estudantes de problemas reais da sociedade. “O projeto nasce de uma inquietação científica muito importante: como transformar resíduos comuns da nossa região em possíveis soluções ambientais? Quando os alunos investigam esse tipo de questão, eles deixam de apenas estudar conceitos em sala de aula e passam a compreender a ciência como ferramenta de transformação”, destaca.
A pesquisa, intitulada “Projeto de Adsorção da Água Produzida do Petróleo”, foi desenvolvida pelos estudantes Ayle Santos, Cleide Neta, Lucas Bernardo Lima, Lukas Gabriel Santana, Mélanny Siqueira e Scarlett Dantas, sob coordenação da professora Rosivânia Oliveira, coordenação adjunta de Alexsandra Oliveira dos Santos Batista e orientação de Henrique Silva, Geanderson da Silva Alves e Isabela Nascimento Santos da Silva.
Os resultados preliminares indicaram diferenças no desempenho das biomassas. De acordo com o estudo, a pena de galinha apresentou o melhor resultado visual, com menor turbidez da água após o processo. Já a casca de jaca se destacou por apresentar pH mais próximo das condições observadas em águas após tratamentos convencionais. A pesquisa, no entanto, tem caráter experimental e qualitativo, servindo como ponto de partida para novas análises e aprimoramentos.
Além do aspecto ambiental, o estudo dialoga com temas como economia circular, reaproveitamento de resíduos, preservação da água e responsabilidade socioambiental. Ao investigar soluções para um problema associado à indústria petrolífera, os estudantes também ampliam o debate sobre os desafios da produção energética e a necessidade de reduzir impactos sobre os ecossistemas.
Para o Colégio do Salvador, a iniciativa reforça o papel da escola na formação de jovens pesquisadores e no incentivo à produção científica. “Projetos como esse demonstram o quanto a educação pode ser conectada à realidade local e aos grandes desafios contemporâneos. Quando o aluno percebe que aquilo que aprende pode gerar respostas para problemas ambientais, sociais e econômicos, o processo educativo ganha ainda mais sentido”, afirma Jamisson Sousa, diretor do Colégio do Salvador.
A expectativa dos organizadores é que o projeto possa servir de base para novas etapas de investigação, com testes quantitativos mais aprofundados, repetição dos experimentos, análise da capacidade de reuso das biomassas e avaliação de parâmetros adicionais de qualidade da água.