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Aracaju (SE), 01 de abril de 2026
POR: Laís Marques
Fonte: Ascom Unit
Em: 01/04/2026 às 09:51
Pub.: 01 de abril de 2026

Bioembalagem criada por pesquisadores avança em programa nacional de inovação

Tecnologia busca ampliar a conservação de alimentos e diminuir perdas por meio de solução biotecnológica

Bioembalagem criada por pesquisadores avança em programa nacional de inovação - Foto: Ascom Unit

Criado com o objetivo de incentivar o empreendedorismo inovador em todo o país, o Programa Centelha se destaca como uma das principais iniciativas de apoio à criação de startups de base tecnológica no Brasil. A proposta consiste em transformar ideias em negócios, oferecendo capacitação, recursos financeiros e suporte para que projetos evoluam em maturidade e alcancem o mercado de forma mais estruturada.

Em um ambiente competitivo, a pré-classificação já representa um avanço relevante, indicando que a proposta atende a critérios exigentes de inovação, viabilidade e impacto. Na Universidade Tiradentes (Unit), 11 projetos foram selecionados nessa etapa inicial, entre eles o Bioembalagem para a proteção de alimentos, desenvolvido pela startup Nanounique, formada por pesquisadores das áreas de biotecnologia, saúde e engenharia de processos.

A proposta atua em um dos pontos mais sensíveis da cadeia alimentar: a conservação dos produtos até o consumo final. A iniciativa busca desenvolver um biofilme capaz de prolongar o tempo de prateleira dos alimentos e reduzir desperdícios, combinando base científica, sustentabilidade e potencial de mercado.

De acordo com o doutorando do Programa de Biotecnologia Industrial (PBI), Pedro Ellison, a ideia surgiu a partir da identificação de um problema recorrente no setor. Ele explica que a equipe percebeu falhas nas etapas de distribuição e consumo que resultam em perdas significativas. “Observamos que toneladas de alimentos são desperdiçadas todos os anos por problemas de conservação, especialmente na fase final da cadeia. Isso nos motivou a desenvolver uma solução que atuasse diretamente nesse ponto crítico”, afirmou.

Solução inovadora

Diferentemente das soluções tradicionais, baseadas principalmente no controle de temperatura, a bioembalagem proposta pela Nanounique atua como uma barreira biotecnológica ativa. O material cria uma proteção física e química ao redor do alimento, ajudando a manter suas características por mais tempo. “A ideia não é apenas conservar, mas permitir que a própria natureza contribua para a proteção, por meio de um biofilme funcional que amplia a durabilidade sem depender exclusivamente de métodos convencionais”, explicou.

O projeto ainda está em fase inicial, com foco na estruturação do biofilme e na validação científica da proposta. A equipe trabalha na otimização do material, o que demanda aprofundamento técnico e uma série de testes para garantir eficiência e segurança.

Para o doutorando em Biotecnologia Industrial Matheus Goulart, o momento decisivo ocorreu quando o grupo reconheceu o potencial de aplicação prática da tecnologia. Segundo ele, a proposta ganhou força ao conectar conhecimento científico a uma demanda real. “Quando conseguimos organizar a ideia dentro de uma trilha de validação e demonstrar tecnicamente o valor da solução, ficou evidente que havia competitividade e espaço para crescimento”, destacou.

Esse direcionamento contribuiu para o destaque no Centelha. Matheus avalia que o diferencial está na união entre aplicabilidade e clareza na execução. “Existe um caminho estruturado de desenvolvimento, prototipagem e validação ligado a um problema concreto. Além disso, a organização da equipe, o plano de trabalho e a coerência entre problema, solução e estratégia fortaleceram a proposta”, explicou.

Caminho empreendedor

A trajetória da Nanounique até a pré-seleção também reflete um processo de amadurecimento estratégico e estrutural. A ideia não surgiu dentro da universidade, mas encontrou no Ecossistema Tiradentes o suporte necessário para evoluir e ganhar escala.

Segundo a mestranda do Programa Biociências e Saúde (PBS), Dryelle Karoline de Almeida, a participação no programa representa um marco importante. “O processo do Centelha valida que uma ideia construída com base técnica e propósito pode alcançar escala e relevância”, afirmou.

Ela destaca ainda que o principal desafio não foi técnico, mas relacionado à construção do negócio. “Foi necessário aprender do zero a parte empreendedora, como estratégia, validação de mercado, posicionamento e organização das rotinas. A evolução veio ao integrar essa visão de negócio com a base técnica que já possuíamos”, explicou.

A mestranda Rayssa Costa Araújo reforça que, no início, o incentivo de professores foi essencial para inserir o grupo em ambientes de empreendedorismo científico. A participação em eventos ajudou a estruturar melhor a proposta e visualizar seu potencial. “Um marco importante foi o Desafio Unicamp, onde recebemos dois prêmios: Melhor Modelo de Negócios e Impacto Socioambiental. Esse foi o ponto de virada que fez a Nanounique sair do papel e ganhar consistência”, relatou.

Com a pré-seleção no Centelha, a startup passa a ocupar um novo nível dentro do ecossistema de inovação. Segundo Rayssa, o reconhecimento fortalece a credibilidade e impulsiona a organização interna do projeto. “Passamos a estruturar melhor indicadores, planejamento e validações para avançar em maturidade tecnológica e de mercado”, comentou.

Impacto e mercado

Além da base científica, a proposta já nasce com direcionamento claro para o mercado, adotando um modelo de negócios B2B, voltado à venda direta para empresas da indústria alimentícia. A intenção, segundo o mestrando em Engenharia de Processos Bruno Cavalcante, é oferecer uma alternativa às tecnologias tradicionais de conservação. “Optamos por compreender primeiro o problema e, a partir disso, desenvolver uma tecnologia capaz de atender essa demanda, o que torna a proposta mais alinhada com a aplicação prática”, afirmou.

O processo de preparação para o Centelha exigiu organização do projeto, com definição clara do problema, consistência técnica e planejamento da execução, além da construção de uma narrativa que evidenciasse sua viabilidade. “Foi preciso mostrar que a solução não é apenas inovadora, mas também aplicável”, acrescentou.

A aprovação na etapa inicial também indica potencial de mercado, como destaca Pedro Ellison. Para ele, o reconhecimento sinaliza que soluções biotecnológicas ocupam um papel estratégico no desenvolvimento regional. “O Centelha mostra que propostas com esse perfil são vistas como relevantes para impulsionar inovação e crescimento econômico no estado”, avaliou. Com o avanço no programa, a expectativa da equipe é acelerar o desenvolvimento, ampliar parcerias e avançar nas etapas de validação e escalabilidade.


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