Alta da Selic: empresas e população terão mais dificuldades de tomar crédito
Alta da Selic: empresas e população terão mais dificuldades de tomar crédito (Foto: Arquivo Pessoal)
Apesar do cenário ser típico de taxas baixas, o Banco Central entende que essa mudança foi necessária para coibir as altas constantes na inflação. De acordo com Marcio, o comum é a alta na inflação em momentos de economia superaquecida.
“Contudo, com o cenário criado devido a pandemia, o dito “normal” não vale. Vivemos um cenário de alto desemprego e economia fria, mas com perspectivas de uma inflação acima do esperado. Há também uma preocupação com a curva de juros do país, que vem subindo com o risco do possível aumento da inadimplência dos brasileiros. Isso pode ocorrer com a soma do fim do auxílio emergencial, fim das carências nos empréstimos, alto desemprego e, os bancos que devem fechar os cofres dificultando o acesso a crédito para boa parte da população”, revela o consultor financeiro.
Dificuldades de crédito
Marcio Souza afirma que “com a elevação da taxa básica, empresas e população em geral tendem a ter mais dificuldades de tomar crédito. Isso resulta em menos investimentos no crescimento econômico do país. As empresas que têm dívidas também irão pagar mais caro, o que dificulta a vida dos empresários que já sofrem a mais de 12 meses os efeitos da pandemia”,alerta.
Segundo o consultor financeiro, caso esse cenário se concretize, “a população, em sua maioria, sentirá o efeito da elevação do juro na diminuição das vagas de empregos, dificuldade de acesso a crédito”.
Melhor momento para empréstimo?
Marcio conta que para quem já tem empréstimos e financiamentos, nada deve mudar. Já para novas contratações, o cenário é diferente: “Devemos ver os bancos dificultando as aprovações de novos contratos. E se a SELIC seguir subindo, com certeza teremos altas nas taxas de empréstimos e financiamentos de todos os setores, inclusive o imobiliário, que viveu meses de taxas bem atrativas”, reforça.
Para finalizar, o consultor financeiro explica que as reduções da taxa Selic em 2020 buscavam uma forma de amparar a economia local que sangrava. Para Marcio, o BC fez o que devia ser feito e diversos setores se beneficiaram com o crédito mais barato.
Segundo Marcio, o que ninguém esperava é que após um ano, teríamos um cenário ainda de caos. “Então devemos nos preparar para momentos difíceis. Ainda há muita incerteza com o amanhã na economia, política e no controle do vírus da covid-19. Esse combo de incertezas nos remete aos conceitos básicos de educação financeira, devemos nos controlar e gastar apenas o necessário, evitar grandes investimentos e buscar criar novas formas de renda, principalmente para quem tem apenas um salário para sustentar seu lar. E você desenvolver uma nova atividade e trazer mais dinheiro para casa, você estará criando sua defesa contra está crise, que não sabemos quando vai ter fim”, aconselha.